No Retail Media, tecnologia e dados criam valor quando reforçam a confiança e tornam a comunicação mais relevante para as pessoas (PeopleImages/Shutterstock)
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Publicado em 17 de agosto de 2026 às 17h00.
Por Aretha Cursino*
Durante muito tempo, o varejo foi reconhecido por sua capacidade de gerar vendas. Hoje, seu papel é muito maior. Acompanha comportamentos, entende necessidades e constrói relacionamentos que se fortalecem a cada interação.
Essa transformação traz uma reflexão importante para o futuro do Retail Media. O principal ativo dos varejistas não está nos formatos de mídia que oferecem, mas na confiança construída com seus clientes ao longo do tempo.
Não por acaso, o Retail Media se consolidou como uma das principais apostas da indústria de marketing.
O mercado mundial já se aproxima de US$ 200 bilhões e entre 15% e 20% dos investimentos de mídia das marcas são destinados a essa frente.
Os dados são do estudo Global Retail Media Budget Allocation Benchmarks 2026. Mais do que um novo canal, trata-se de uma nova forma de conectar marcas e consumidores.
Em categorias complexas como saúde e bem-estar, essa realidade é ainda mais evidente. O consumidor busca conveniência, proximidade e experiências que façam sentido para sua rotina. Cada interação gera conhecimento, fortalecendo a relação entre marca e cliente.
Por isso, acredito que o próximo capítulo do Retail Media será definido pela relevância. Mais que criar pontos de contato, o desafio estará em entregar valor ao longo da jornada.
Quando uma marca se conecta ao contexto certo, a comunicação deixa de ser uma interrupção e passa a ser um serviço.
A mesma lógica vale para os dados. O diferencial não está no volume de informações disponíveis, mas na capacidade de transformá-las em experiências mais úteis e relevantes.
No setor farmacêutico, convivemos diariamente com consumidores que depositam confiança em nossa marca para decisões importantes de suas vidas. Essa experiência reforça uma convicção.
O futuro do varejo será construído por empresas capazes de usar tecnologia sem perder a dimensão humana do relacionamento.
Os varejistas que compreenderem esse movimento estarão construindo algo maior do que uma nova fonte de receita. Estarão fortalecendo um ecossistema baseado em confiança, relevância e valor compartilhado.
Esse pode ser o legado mais importante do Retail Media nos próximos anos. Não ampliar espaços de comunicação, mas fortalecer relações que realmente façam sentido para as pessoas.
Aretha Cursino é Head de Retail Media do Grupo Panvel.