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Pessoas de alta renda se sentiriam seguras com R$ 17 milhões em conta, diz Google

Um dos principais medos desse público é fracassar com a família e retroceder socialmente, mostra pesquisa

Alta renda: pesquisa mostra o que deseja esse público (Ilustração gerada pelo ChatGPT/Reprodução)

Alta renda: pesquisa mostra o que deseja esse público (Ilustração gerada pelo ChatGPT/Reprodução)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 06h00.

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Quanto você gostaria de ter na sua conta bancária? Para o público de alta renda, esse número mágico seria de R$ 17 milhões. Em média, essas pessoas acreditam que precisam ter esse montante guardado no banco para alcançar a liberdade financeira que desejam. A descoberta faz parte do estudo “O que desejam os privilegiados: a alta renda brasileira, por ela mesma” do Google.

A pesquisa investigou os comportamentos do público que tem renda familiar mensal a partir de R$ 15 mil por mês até R$ 50 mil ou mais — sendo que uma pequena parcela, apenas 5%, são os que ganham menos. Na visão de si próprios, ele não são considerados ricos, mas, sim, privilegiados. Isso por terem o que chamam de acesso: a uma boa educação ou a bons planos de saúde.

“Ser rico significa já ter muitos imóveis, milhões de reais e muito dinheiro guardado no banco. Isso permite ter um maior poder de escolha. Nesse caso, a pessoa pode escolher investir em saúde e educação, mas também pode mudar de profissão, trabalhar com o que quiser e tomar decisões com mais liberdade”, diz Renata Blay, Líder de Insights Estratégicos para a Indústria de Finanças no Google Brasil.

São pessoas ambiciosas. Mas não com carros ou helicópteros: 91% querem ter mais tempo livre para poder parar de trabalhar ou trabalhar apenas com o que gosta. Para atingir a meta de reserva desejada, 72% dizem guardar dinheiro. Mas há diferença entre homens e mulheres. A ideia de ter dinheiro para considerar parar de trabalhar aparece em 49% das menções entre as mulheres, contra 37% entre os homens.

Já ter mais tempo livre aparece em 42% das mulheres, contra 35% dos homens. “Sabemos que muitas vezes as mulheres ficam sobrecarregadas não apenas com o trabalho, mas também com todas as tarefas que continuam existindo depois do trabalho. A ideia de ter uma família feliz aparece em 56% das menções entre as mulheres, contra 45% entre os homens”, diz Blay.

Oito em casa 10 dos privilegiados são casados e 84% têm filhos. Reflexo disso é que 70% dos entrevistados revelaram que seus sonhos são os sonhos da sua família. “Mandar os filhos para estudar no exterior aparece quase como um exemplo de ser rico. É percebido como um símbolo de riqueza e também como um grande desejo”, destaca Blay.

Embora 53% dos entrevistados declarem "saber muito" sobre finanças, 43% acham difícil entender de investimentos e 52% nunca tiveram educação financeira formal, mostrando que o tema é desafiador até mesmo no topo da pirâmide.

O medo do fracasso

Para quem já alcançou um determinado padrão de vida, o medo não está apenas em ganhar menos. Está também em perder o que foi construído — e, com isso, deixar escapar a segurança, o status e a liberdade conquistados ao longo do caminho.

O fracasso financeiro aparece nesse cenário como o temor de ver o patrimônio encolher, perder liquidez ou cair de posição social. Preservar o que foi acumulado passa, então, a ser tão importante quanto fazê-lo crescer. É nesse espaço que entram estratégias de proteção patrimonial, seguros, previdência e gestão dos ativos de maior risco.

Há também o medo de um fracasso profissional ou pessoal: perder oportunidades, não conseguir avançar na carreira, errar nos negócios ou simplesmente sentir que a vida parou de evoluir. Para enfrentar esse risco, ganham espaço mecanismos de apoio, como mentorias, consultoria financeira estratégica e grupos formados por pessoas que vivem desafios semelhantes.

Mas é dentro de casa que aparece uma das maiores fontes de preocupação. O fracasso familiar está ligado ao receio de não conseguir oferecer aos filhos a vida imaginada ou de não preservar aquilo que será deixado como legado. Nesse caso, o planejamento deixa de olhar apenas para o presente e passa a organizar o futuro: sucessão patrimonial, planejamento educacional e estruturas destinadas à herança tornam-se ferramentas para proteger o patrimônio e garantir que ele atravesse gerações.

Saúde, viagens e círculos fechados: os novos códigos da alta renda

Para a alta renda, bem-estar deixou de ser apenas uma questão de qualidade de vida e passou a funcionar também como símbolo de status. A saúde aparece no topo dessa lista: 84% dos entrevistados dizem que cuidar dela é algo que “desejam bastante” ou “é tudo que desejam”.

Nesse universo, o autocuidado chega junto com a tecnologia para essa parcela da população. “Hoje existem diversos dispositivos e ferramentas que monitoram quanto uma pessoa caminhou, seus batimentos cardíacos, se dormiu bem ou não. Tudo isso coloca a saúde em um lugar de maior controle individual”, diz Blay.

As viagens ocupam outro espaço central. Para 69%, viajar está entre os principais rituais de recompensa. Conhecer países inéditos é o maior atrativo para 65%, enquanto 63% querem ampliar o contato com o mundo e outros 63% desejam explorar mais o próprio Brasil.

O tipo de experiência, porém, muda conforme a renda. Entre os menos ricos dentro do grupo privilegiado, pesa mais a descoberta de novos destinos. Nos estratos mais altos, ganham força lugares já frequentados por amigos, turismo gastronômico e experiências consideradas exóticas.

E, quanto mais seletivo o círculo, maior parece ser o valor atribuído a pertencer a ele. Pequenos grupos e clubes fechados funcionam como espaços de identificação e exclusividade: 91% dizem participar ou já ter participado de comunidades desse tipo. Outros 71% afirmam preferir a companhia de pessoas semelhantes a si. Ao mesmo tempo, a exposição digital perde espaço.

Quase três quartos (74%) reduziram sua presença nas redes sociais, 62% já passaram algum período longe delas e 81% fizeram uma espécie de “limpeza” nas contas que acompanham. Para esse público, distinção também pode significar escolher — e limitar — quem tem acesso à sua vida.

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