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Por que creators virtuais e feitos por IA estão chamando atenção das marcas?

Influenciadores virtuais fecham campanhas com grandes marcas, acumulam audiência e levantam debate sobre controle, autenticidade e o futuro da influência digital

Lil Miquela, a modelo que só existe na internet: garota-propaganda de grifes famosas (Instagram/Reprodução)

Lil Miquela, a modelo que só existe na internet: garota-propaganda de grifes famosas (Instagram/Reprodução)

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Publicado em 29 de maio de 2026 às 07h00.

O avanço da inteligência artificial está acelerando uma nova fase da Creator Economy, com o crescimento e a normalização de influenciadores virtuais que já operam como ativos comerciais relevantes. E para as marcas, o valor desses criadores virtuais é alto.

“Os creators de IA vão além de uma inovação tecnológica, sendo uma resposta direta a uma demanda de mercado por controle, escala e eficiência” analisa Victor Cabral, especialista em Creator Economy e CEO da Cabral Levers. 

Mas quem são os influenciadores digitais?

A demanda citada por Cabral deu origem a personalidades como a influenciadora virtual Lil Miquela, uma das pioneiras do segmento, que já participou de campanhas para marcas como Prada, Calvin Klein e Dior, consolidando seu papel como modelo digital no mercado de moda. 

No mesmo universo, a supermodelo digital Shudu foi utilizada por marcas como Balmain e Fenty Beauty em campanhas de beleza e moda, reforçando o potencial dos avatares hiper-realistas na indústria.

Para as marcas, é a possibilidade de construir um influenciador do zero, totalmente alinhado à estratégia e sem os riscos associados a perfis humanos”, explica Cabral.

Outro caso relevante é o da influenciadora japonesa Imma, que já colaborou com marcas como Porsche, Valentino e IKEA, ampliando o uso desses personagens para além da moda, com presença em campanhas de tecnologia, design e lifestyle. 

Já a personagem Noonoouri atua como embaixadora de marcas de luxo como Dior e Balenciaga, combinando estética digital com posicionamento em temas como sustentabilidade.

No Brasil, o fenômeno também ganha escala

A influenciadora virtual Lu do Magalu, apesar de não ser gerada por IA, se consolidou como um dos maiores cases globais, atuando diretamente como rosto do Magazine Luiza e participando de campanhas com marcas como Adidas e Samsung. 

Com dezenas de milhões de seguidores somando diferentes plataformas, ela exemplifica como personagens digitais podem funcionar como canais próprios de mídia e venda.

Além do ganho operacional, o crescimento desses perfis de criadores virtuais responde a uma mudança estrutural no consumo de conteúdo. Em um ambiente dominado por algoritmos e excesso de informação, a capacidade de produzir conteúdo em volume e adaptar narrativas com base em dados se torna um diferencial competitivo. 

Influenciadores virtuais conseguem gerar campanhas contínuas, testar formatos rapidamente e manter consistência estética e de mensagem ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, o avanço levanta discussões relevantes sobre autenticidade e transparência. 

Parte do público já questiona a hiperprodução e a perfeição desses personagens, enquanto especialistas apontam a necessidade de sinalização clara sobre o uso de inteligência artificial na criação de conteúdo. 

“Não se trata de substituição, mas de uma reorganização do mercado. A inteligência artificial tende a ganhar espaço em escala e performance, enquanto creators humanos continuam sendo insubstituíveis quando o assunto é conexão, repertório cultural e construção de confiança”, conclui Cabral.

 

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