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Opinião: Fitenchs deixaram de ser disruptivas

Setor financeiro passa da expansão acelerada para um novo ciclo focado em governança, sustentabilidade e uso de inteligência artificial

A evolução das fintechs no Brasil exige foco em governança, regulação e sustentabilidade (Getty Images/Getty Images)

A evolução das fintechs no Brasil exige foco em governança, regulação e sustentabilidade (Getty Images/Getty Images)

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Publicado em 16 de setembro de 2026 às 17h00.

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Por Victor Papi, General Manager da Transfeera *

Durante mais de uma década, a chamada “fintechização” transformou o mercado financeiro no Brasil.

Empresas de finanças nativas digitais trouxeram novos modelos de negócio, reduziram barreiras de entrada, ampliaram o acesso a serviços financeiros e colocaram a inovação no centro da competição.

O resultado foi um ecossistema mais dinâmico, versátil e conectado às necessidades de consumidores e empresas.

O crescimento das fintechs no Brasil

Segundo levantamento da A&S Partners, o número de fintechs em operação no Brasil passou de 1.158, em 2020, para 2.048 em 2025, o que representa um crescimento de 77%.

E o avanço não ficou restrito à quantidade de empresas: o volume de crédito concedido pelas fintechs analisadas pela PwC e pela Associação Brasileira de Crédito Digital também apresentou uma alta de 68% em 2025 em relação ao ano anterior.

Mas, como de costume, todo ciclo de expansão chega a um ponto de inflexão. É justamente o que começa a acontecer agora com as fintechs.

Sustentabilidade e regulação no setor

O setor entra em uma fase em que crescer já não é suficiente. É preciso construir negócios sustentáveis, capazes de atravessar ciclos econômicos, administrar riscos e gerar eficiência.

A inovação continua sendo indispensável, mas deixa de ser um fim em si mesma. Ela precisa caminhar ao lado de governança, controles internos, segurança, conformidade regulatória e disciplina financeira.

A evolução das regulações do Banco Central como a do Banking as a Service, tem um papel importante nessa mudança.

Afinal, as novas exigências elevam a régua para todos: instituições de pagamento, participantes do sistema financeiro e empresas que oferecem serviços financeiros passam a ficar niveladas, reforçando estruturas de governança, gestão de riscos, segurança e responsabilização.

Isso não significa frear a inovação, mas sim, criar condições para que ela seja sustentável. Na prática, as fintechs que pretendem ocupar um espaço relevante no próximo ciclo de evolução precisarão fazer escolhas.

O impacto da inteligência artificial

Algumas buscarão escala por meio de alianças estratégicas e integração com instituições tradicionais. Outras investirão na especialização em nichos nos quais conseguem oferecer uma experiência superior.

Haverá, ainda, aquelas que concentrarão esforços em tecnologia, automação e inteligência artificial para reduzir custos e aumentar produtividade.

A própria evolução recente do setor mostra esse movimento. Na pesquisa da PwC referente a 2024, 52% das fintechs participantes investiram em inovação de produtos, enquanto 46% utilizavam capital próprio como principal fonte de financiamento.

Já a edição mais recente da pesquisa, com dados de 2025, aponta que 51% utilizavam capital próprio como principal fonte de financiamento e que 96% pretendiam implementar ou ampliar soluções de inteligência artificial nos dois anos seguintes.

O novo paradigma do ecossistema financeiro

Estamos, portanto, diante de uma mudança de paradigma. A primeira onda das fintechs foi marcada pela capacidade de desafiar o modelo tradicional.

A próxima será marcada pelo amadurecimento, ou seja, pela capacidade de permanecer relevante dentro de um sistema financeiro cada vez mais integrado, regulado e eficiente.

Talvez seja esse o verdadeiro fim da fintechização: não o fim das fintechs, mas o fim da ideia de que ser digital e inovador, por si só, basta.

O próximo capítulo será menos sobre quantas fintechs existirão e mais sobre quais delas conseguirão transformar inovação em negócios sólidos, confiáveis e duradouros. E essa é, para todo o mercado financeiro, uma evolução positiva que deve ser bem aproveitada.

*Victor Papi é General Manager da Transfeera, empresa da PayRetailers e Instituição de Pagamento (IP) especializada em soluções de pagamentos para empresas. Papi é formado em Engenharia de Produção pela FEI e Pós graduado em Gestão de Negócios pelo Insper. 

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