Bússola
Um conteúdo Bússola

Opinião: O próximo território do Pix é o crédito e a disputa com cartões

Crescimento do Pix no varejo indica uma nova fase da disputa entre bancos, fintechs, cartões e meios de pagamento digitai

Pix avança sobre crédito, parcelamento e recorrência e amplia a disputa com os cartões no mercado de pagamentos (FG Trade/Getty Images)

Pix avança sobre crédito, parcelamento e recorrência e amplia a disputa com os cartões no mercado de pagamentos (FG Trade/Getty Images)

Bússola
Bússola

Plataforma de conteúdo

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 15h00.

Priorizar nos meus resultados Google

Por Edson Vasconcelos*

O Pix já cumpriu a promessa de mudar a forma como os brasileiros transferem dinheiro. Agora, a transformação é mais profunda: ele começa a disputar o espaço ocupado pelos cartões no próprio momento da compra.

Em 2025, foram mais de 2 bilhões de pagamentos com Pix nos pontos de venda, alta de 54% em um ano. No mesmo período, o débito recuou 4%. O crédito, porém, cresceu 8%.

Pix redesenha a lógica dos pagamentos

A diferença é importante porque mostra que a ferramenta não está simplesmente substituindo os cartões. Está redesenhando a lógica dos pagamentos.

Criado em 2020 para facilitar transferências entre pessoas, o sistema rapidamente se transformou em uma infraestrutura de consumo. Em 2025, 43% das operações já eram de pessoas físicas para empresas, contra 15% no lançamento. Hoje, mais de 170 milhões de brasileiros usam o Pix, que movimentou R$ 19,8 trilhões apenas no primeiro semestre de 2026.

Pix avança sobre vantagens dos cartões

O próximo passo é ocupar espaços onde o cartão ainda tem vantagem. O Pix por aproximação tenta reproduzir a experiência do pagamento contactless.

O Pix Automático entra nas contas recorrentes. E o Pix parcelado começa a avançar justamente sobre uma das principais fortalezas do cartão: o crédito.

Crédito mantém o cartão relevante

É aí que a disputa fica mais interessante. O cartão não perde relevância apenas porque existe uma alternativa mais barata ou mais rápida.

Ele oferece crédito, prazo, benefícios e parcelamento, atributos que pesam especialmente nas compras de maior valor. Por isso, é precipitado falar em “fim do cartão”. O que está acontecendo é uma fragmentação das funções que, durante décadas, ficaram concentradas nele.

A disputa pela infraestrutura de pagamentos

Para o consumidor, isso tende a significar mais opções.

Para bancos, fintechs e varejistas, significa disputar não apenas a transação, mas a infraestrutura por trás dela. Quem controla o pagamento recorrente, o crédito, a aproximação e a relação com o consumidor ganha uma posição estratégica muito maior.

Pix pode vencer sem substituir os cartões

O Pix talvez não precise substituir os cartões para vencê-los. Basta continuar ocupando, pouco a pouco, as situações em que eles eram a escolha natural.

A verdadeira revolução pode estar menos em eliminar um meio de pagamento e mais em tornar a antiga divisão entre Pix, débito e crédito cada vez menos relevante.

* Edson Vasconcelos é CEO e fundador da ecomm|it, empresa que desenvolve soluções e serviços de consultoria voltados a desafios críticos do setor, como gestão regulatória, processos contábeis, conciliação financeira, simulações e prevenção a fraudes.

Acompanhe tudo sobre:PIXCrédito

Mais de Bússola

Quase 60% dos desafios de liderança estão relacionados ao engajamento

Gestão Sustentável: recuperar áreas degradadas é prioridade e oportunidade

Bússola & Cia: febre da proteína impulsiona novos iogurtes

A experiência do cliente pode revelar falhas de gestão da empresa