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Pix Automático e Pix por aproximação: como funcionam e como usar?

Guia prático mostra como ativar os novos recursos do Pix para cobranças recorrentes e pagar com aproximação pelo telefone

Pix Automático e Pix por aproximação: como ativar e usar os novos recursos de pagamento no celular (Bruno Peres/Agência Brasil)

Pix Automático e Pix por aproximação: como ativar e usar os novos recursos de pagamento no celular (Bruno Peres/Agência Brasil)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 23 de junho de 2026 às 18h10.

Última atualização em 23 de junho de 2026 às 18h54.

O Pix já reúne mais de 170 milhões de usuários cadastrados e supera cartão de débito e dinheiro em espécie como meio de pagamento mais usado no Brasil, segundo dados do Banco Central. Ao longo dos últimos anos, a autarquia ampliou os recursos desse método com o Pix Automático e o Pix por aproximação.

Enquanto uma funcionalidade realiza as cobranças recorrentes como mensalidades e contas de consumo, a outra permite pagar no varejo físico encostando o celular na maquininha. As duas modalidades já estão em operação e mudam a forma como o Pix se integra a despesas do dia a dia. Veja os detalhes, as diferenças entre elas e em quais situações elas são mais adequadas.

O que é o Pix Automático?

O Pix Automático, lançado em junho de 2025, é um modo de pagamento recorrente dentro da infraestrutura do Banco Central. O cliente autoriza uma empresa — que precisa ter CNPJ ativo — a realizar cobranças periódicas direto na conta, sem necessidade de nova confirmação a cada vencimento, como funcionava o antigo débito automático.

Serve para contas de consumo (água, luz, gás, internet), mensalidades de escola e academia, assinaturas de streaming e seguros. A cobrança acontece na data combinada entre empresa e cliente, com notificação prévia enviada pelo banco.

Para pessoas físicas, o Pix Automático não tem custo. O Banco Central também permite que o pagador defina um valor máximo por cobrança e autorize o uso de linha de crédito caso o saldo na conta seja insuficiente no momento do débito.

Como ativar o Pix Automático no app do banco?

A ativação parte da empresa que oferece o serviço. Quando uma companhia disponibiliza o Pix Automático como forma de pagamento, o cliente recebe uma solicitação de autorização no app do banco. O passo a passo é o seguinte:

  1. A empresa envia a proposta de cobrança recorrente, por QR Code ou pelo próprio app;
  2. O cliente recebe a solicitação no aplicativo do banco;
  3. No app, o usuário revisa os dados (valor, periodicidade, empresa e data de início) e autoriza o débito;
  4. A partir da autorização, os pagamentos passam a ser feitos de forma automática nas datas combinadas.

O controle fica com o pagador. Dentro da seção Pix do app bancário, é possível consultar todas as autorizações ativas, ajustar o limite por cobrança ou cancelar o consentimento a qualquer momento. O banco envia uma notificação antes de cada débito, o que permite suspender o pagamento em caso de erro ou divergência de valor.

Qual a diferença entre Pix Automático e débito automático?

O débito automático tradicional dependia de convênios bilaterais entre cada banco e cada empresa, o que limitava a oferta, visto nem todo prestador de serviço conseguia fechar acordos com todas as instituições financeiras.

O Pix Automático opera com padronização nacional. Qualquer empresa com CNPJ pode oferecer a cobrança recorrente a clientes de qualquer banco, sem precisar firmar convênio individual. Do lado do consumidor, o Pix Automático permite definir teto por cobrança e revogar a autorização pelo celular, sem ligar para o banco ou para a empresa.

O custo operacional para as empresas também é menor, o que tende a ampliar a oferta entre prestadores de menor porte, que passam a ter acesso a cobrança automática sem depender de intermediários.

O que é o Pix por aproximação?

Lançado em fevereiro de 2025, o Pix por aproximação usa a tecnologia NFC (Near Field Communication), a mesma dos cartões contactless, para realizar pagamentos no varejo físico. Em vez de abrir o app do banco, escanear QR Code ou digitar chave Pix, o cliente encosta o celular na maquininha e confirma a transação com biometria ou senha do aparelho.

Desde abril de 2026, todas as instituições que participam do arranjo Pix são obrigadas a oferecer o recurso. A operação é processada pela infraestrutura do Banco Central, com liquidação em tempo real — o lojista recebe o valor na hora, sem prazo de repasse.

A vinculação acontece por meio de carteiras digitais. Em celulares Android, o Pix por aproximação funciona pelo Google Pay e pela Samsung Wallet. O usuário conecta a conta bancária à carteira digital uma vez, via Open Finance, e a partir daí pode pagar por aproximação em qualquer maquininha habilitada.

Como pagar com Pix por aproximação?

A configuração inicial tem quatro passos:

  1. Verificar se o celular tem NFC ativo (em Configurações > Conexões ou equivalente);
  2. Abrir o app do banco e acessar a área Pix;
  3. Selecionar a opção "Pix por aproximação" e autorizar a vinculação com a carteira digital (Google Pay ou Samsung Wallet);
  4. Confirmar a conexão via Open Finance.

Na hora da compra, o cliente informa ao caixa que vai pagar com Pix, confere o valor no visor da maquininha, aproxima o celular e autentica com biometria ou reconhecimento facial. A transação leva poucos segundos. Até setembro de 2026, o Pix por aproximação segue um limite padrão de R$ 500 por transação. O usuário pode reduzir esse teto ou criar um limite diário pelo app do banco.

Pix por aproximação não funciona no iPhone

Até junho de 2026, o Pix por aproximação está restrito a celulares Android, porque a Apple não permite que o NFC do iPhone seja usado por sistemas de pagamento fora do Apple Pay.

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) investiga a prática desde março de 2025. Bancos, fintechs e entidades como a Febraban e a Zetta argumentam que a restrição configura conduta anticompetitiva, enquanto a Apple afirma que o modelo baseado no Apple Pay oferece mais segurança e que o Pix por QR Code já atende à demanda dos consumidores. Sendo assim, quem usa iPhone pode pagar com Pix por QR Code ou por chave, mas não por aproximação da maquininha.

Mudanças em outubro de 2026

O Banco Central publicou em junho de 2026 a Instrução Normativa nº 746, que elimina o teto fixo de R$ 500 por transação no Pix por aproximação. A nova regra entra em vigor em 1º de outubro de 2026.

A partir dessa data, o Pix por aproximação passa a seguir os mesmos limites já configurados pelo cliente para o Pix convencional (por chave ou QR Code). Quem já tem um limite maior no Pix poderá usar o mesmo teto ao pagar por aproximação.

A mudança também se aplica à Jornada Sem Redirecionamento (JSR), mecanismo do Open Finance inicia pagamentos por carteiras digitais sem abrir o app do banco. Até 1º de outubro de 2026, as regras anteriores continuam em vigor, e as instituições financeiras têm até essa data para adaptar seus sistemas.

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