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Opinião: ‘Custo Brasil’ é facilmente superado com uma boa gestão

Especialista explica por que a mortalidade empresarial no país está ligada à falta de método e como a tecnologia auxilia pequenas empresas

Gestão eficiente e tecnologia são chaves para enfrentar o complexo ambiente de negócios brasileiro (MAYA LAB/Shutterstock)

Gestão eficiente e tecnologia são chaves para enfrentar o complexo ambiente de negócios brasileiro (MAYA LAB/Shutterstock)

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Publicado em 15 de maio de 2026 às 10h00.

Por Marco França*

Na consultoria, temos visto as perguntas legítimas de clientes de como navegar e mitigar as clássicas variáveis sobre juros alto, risco de eleições, impacto da transformação digital em empregos, produtividade e preço de serviços.

Soma-se ainda a inquietude geral, a desconfiança institucional dos três poderes e farra de gastos pré-corrida eleitoral impactando dívida pública e risco soberano. A lista de dissabores é grande, mas paremos por aí.

A verdade é que existem muitos Brasis: Brasil de Brasília, do público e do privado, dos rincões e suas histórias empresariais fantásticas, das corporações das grandes capitais e também do guerreiro(a) da MEI.

Em todos os ângulos, sem exceção, existe um “mato” altíssimo de melhorias. Por ser uma economia que balança, mas não cai, vence quem passa pela senoidal do PIB de picos e vales.

Vence quem deixa para trás quem morreu e captura os espólios de guerra com a respectiva migração de demanda por bens ou serviços para quem sobreviveu ao solavanco. Este é o nome do jogo por aqui: ser melhor que o seu par concorrente.

Isto tem mais a ver com melhoria de gestão de PMEs do que de grandes estratégias. Foco em processo, ferramentas, produtividade e, mais recentemente, em Inteligência Artificial.

Esta última, apesar de democrática, vai ajudar exponencialmente mais e melhor quem tiver processos e frameworks claros e cabelo branco para alimentar os modelos e agentes de IA com seu histórico de resultados, documentações e rotinas de trabalho.

O desafio da produtividade e a mortalidade empresarial

A mortalidade empresarial brasileira não é apenas estatística fria de junta comercial. Ela é, muitas vezes, a soma silenciosa de margem apertada, crédito caro, capital de giro mal dimensionado, informalidade competitiva, baixa produtividade e decisões tomadas no escuro.

Pequenos e médios negócios morrem menos por falta de vontade e mais por falta de método. Quando o ciclo econômico aperta, a maré baixa mostra quem estava nadando sem caixa, sem processo, sem informação gerencial e sem disciplina comercial.

Sobreviver, neste ambiente de Custo Brasil, já é uma competência. Crescer com consistência é quase uma arte operacional.

A Inteligência Artificial como amplificadora de resultados

A Inteligência Artificial entra neste jogo não como varinha mágica, mas como amplificador.

Para a PME organizada, pode reduzir custo administrativo, melhorar atendimento, acelerar propostas, qualificar vendas, prever demanda, apoiar precificação, treinar times e transformar dados dispersos em decisão.

Para a PME desorganizada, pode apenas acelerar a confusão. A IA não substitui a necessidade de gestão; ela pune ainda mais quem não tem gestão.

O empresário que souber combinar experiência prática, processo bem desenhado e ferramentas inteligentes ganhará tempo, margem e capacidade de resposta.

O que antes era vantagem de grandes empresas começa a caber no bolso do médio e, em alguns casos, até do pequeno. Mas caber no bolso não significa caber na cultura.

O malefício do ambiente estrutural de negócios é horizontal; portanto, não temos diferencial competitivo quando competimos entre nós, pelo menos no âmbito do PME. Existem os lobbies e os campeões nacionais com seus subsídios, mas isto não é pauta aqui.

O foco no que pode ser controlado: eficiência e valor

Não conheço nenhum empresário que imagine realisticamente que a decisão de sua continuidade seja pautada unicamente por causa de quem vencerá a eleição presidencial.

Ao contrário de quem vive de operações em Bolsa de Valores e derivativos, o empresário precisa apostar no seu negócio.

Portanto, não existem alternativas de operações financeiras de compra e venda de opções de ação que resolvam o seu problema de expectativa futura de colapso ou de crescimento do país onde empreende.

Só lhe resta entender muito bem o seu ambiente de negócios e ser melhor do que os outros incansavelmente. Até porque, quando o ambiente melhorar, se e quando, também acontecerá para seu concorrente, e a corrida por cliente, margem e expansão sempre será relativa.

O Brasil anda, no geral, o passo do bêbado. Temos anos muito bons, seguidos por diversos anos ruins, e será assim por um bom tempo.

Ter uma proposta de valor clara em nossos serviços e ser eficiente e produtivo são variáveis que conseguimos controlar; é o nome do jogo!

Quem tiver preguiça de evoluir fica para trás. Atualmente, ficará para trás muito mais rápido do que poderá imaginar.

As lições setoriais do Agro com relação ao aumento de produtividade e darwinismo podem nos dar algumas dicas de como passar pelos picos e vales do que não controlamos. Nada é para sempre.

*Marco França é Sócio da Auddas, especialista em M&A e possui MBA pela Coppead.

 

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