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O fim da navegação? Como agentes de IA podem dominar a internet

A transição da web exploratória para a resolutiva redefine o marketing digital: o objetivo agora não é ser encontrado, mas sim escolhido

Agentes de IA prometem substituir a navegação em sites pela execução direta de tarefas (Stock-Asso/Shutterstock)

Agentes de IA prometem substituir a navegação em sites pela execução direta de tarefas (Stock-Asso/Shutterstock)

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Publicado em 14 de maio de 2026 às 15h00.

Por Guilherme Freire*

A ideia de que o futuro da internet pode ser reorganizada em torno de um único “super app de IA” no futuro pode parecer mera especulação, mas, há alguns anos, a forma como a IA atua hoje também parecia.

Por isso, não podemos nos dar ao luxo de ignorar os sinais do que está por vir, e essa noção começou a aparecer em dados concretos de mercado.

Um relatório da Gartner de 2024 já apontava que o volume de buscas tradicionais em mecanismos como o Google iria cair cerca de 25% até 2026 com a migração para chatbots, enquanto plataformas de IA começariam a capturar parte relevante desse tráfego.

Chegamos em 2026 e a realidade é condizente com o que as previsões diziam. 20% do tráfego geral do Walmart, por exemplo, vem do ChatGPT, bem como 20% do tráfego da Etsy e 15% da Target.

A mudança na interface da web

Mas, como as funcionalidades da IA vão além da pesquisa básica, é preciso considerar que esse é só o começo de uma evolução da internet. Trata-se, na prática, de uma mudança de interface.

Durante décadas, a web foi organizada em páginas e aplicativos. O usuário navegava entre destinos, comparava opções e tomava decisões. Google, Booking, Amazon e Mercado Livre são, essencialmente, agregadores dessa lógica. Eles organizam o caos da oferta.

A IA propõe inverter esse modelo. Em vez de você ir até os agregadores, a IA vai até eles. Esse deslocamento parece sutil, mas altera toda a arquitetura da internet.

Quando um agente de IA pesquisa passagens, ele não mostra links. Ele executa a tarefa. Quando você pede uma camiseta, ele consulta múltiplos marketplaces, cruza preço, prazo, reputação e devolve uma resposta final.

O surgimento do Agentic Commerce

Esse conceito vem sendo chamado de “agentic commerce”. A oferta de agentes de IA capazes de realizar tudo isso, até a compra, ainda está em desenvolvimento, mas as tentativas e descobertas do mercado não param.

A OpenAI, por exemplo, retrocedeu alguns passos na criação de uma funcionalidade de Instant Checkout, mas já está trabalhando com varejistas para inserir apps dedicados dentro do ChatGPT.

O ponto é que, de uma forma ou de outra, o enfraecimento da navegação tradicional é inevitável. Enquanto chatbots começam a desviar cada vez mais o tráfego dos sites e reduzir cliques em links, isso pressiona o modelo de publicidade baseado em busca a se reinventar.

De SEO para AI Optimization (IAO)

O SEO, que dominou as decisões de publicação de conteúdo online por tantos anos, entra em declínio, e surge um novo conceito: IAO, ou AI Optimization.

No SEO, o objetivo era ranquear páginas. No AI Optimization, o objetivo é ser escolhido pelo agente. Isso depende menos de palavras-chave e mais de fatores como integração de dados, reputação estruturada, APIs acessíveis e histórico de performance.

A IA não “lê” a internet como um humano, nem como um mecanismo de busca tradicional. Ela consome dados, cruza sinais e toma decisões probabilísticas. Por fim, isso leva ao principal efeito de todas essas mudanças: a concentração de poder.

A IA como o agregador de serviços

Se a interface vira a IA, quem controla essa interface controla a jornada inteira. Daí a hipótese crescente no mercado de que a IA se tornará um “agregador dos agregadores”, centralizando serviços que hoje estão distribuídos em milhares de aplicativos.

Isso inclui não só compras. Envolve viagens, saúde, finanças, entretenimento e até tarefas domésticas. Um agente pode gerenciar sua lista de supermercado, marcar consultas e reorganizar sua agenda sem que você interaja diretamente com nenhum outro app.

Mas vale lembrar que essa transformação não é linear. Há limitações técnicas, questões de confiança e desafios regulatórios. Muitos consumidores ainda hesitam em permitir que a IA finalize pagamentos ou tome decisões sensíveis.

Além disso, erros, falta de transparência e riscos de segurança continuam sendo pontos críticos.

O novo comportamento do usuário

Ainda assim, a direção parece clara. A internet baseada em navegação está sendo substituída por uma internet baseada em execução.

Antes, você buscava, agora, você delega. Antes, você comparava, agora, a IA decide com base em critérios invisíveis. Se essa transição se consolidar, a principal mudança não será tecnológica, mas comportamental.

A interface deixa de ser visual e passa a ser conversacional. A lógica deixa de ser exploratória e passa a ser resolutiva.

E isso redefine o que significa “estar na internet”. Não será mais sobre ser encontrado. Será sobre ser escolhido.

*Guilherme Freire é fundador e CEO da Dolado, ecossistema de soluções para o crescimento de marcas em marketplaces. 

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