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João Kepler: coopetição é a base do jogo infinito

No jogo infinito, objetivo não é ganhar, mas se perpetuar, fazer com que sua marca se torne lendária e consequentemente aumente o seu equity
Em jogos infinitos, não conhecemos todos os jogadores (Jorg Greuel/Getty Images)
Em jogos infinitos, não conhecemos todos os jogadores (Jorg Greuel/Getty Images)
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João Kepler

Publicado em 17/08/2022 às 19:30.

Última atualização em 17/08/2022 às 19:43.

De uma forma geral, toda empresa nasce com o objetivo claro de crescer, ganhar espaço no mercado e se tornar uma referência. A questão é que, considerando as mudanças proporcionadas pela nova economia, negócios que não desenvolvem uma visão ampla do jogo infinito do mercado, ficam "cegas" pelas metas, pela competição, pelo crescimento, pela manutenção do negócio, ganhos imediatos e algumas até pela ganância e muito provavelmente irão se perder com chances inclusive, de serem “engolidas” por aqueles que aprenderam a jogar esse jogo.

Em seu livro O Jogo Infinito, Simon Sinek apresenta a importância de se ter um pensamento infinito, e como essa ideia levou o homem à Lua, ascendeu sociedades, gerou grandes avanços na ciência e medicina e fez com que pequenas empresas se tornassem superpotências. A maneira com que vemos e traçamos nossos objetivos — na vida e nos negócios — diz respeito com a forma que lideramos, resolvemos problemas, aproveitamos oportunidades ou fracassamos.

Na Bossanova Investimentos vivemos esse processo de descoberta e mudanças conscientes. No primeiro semestre deste ano batemos a meta das mil startups investidas, um marco considerando que esse era um dos principais objetivos da empresa nos últimos cinco anos.

Até ali fazíamos parte do jogo finito, ou seja, sabíamos que essa era uma das metas e também se tornar o venture capital mais ativo da América Latina, mas também receber melhores exits, ter eficiência de caixa, aumentar IRR, dentre outras conquistas que já superamos. Mas desde o começo sabíamos quais eram as regras do jogo, como fazer, o caminho e o que precisava ser feito, além de entender a importância de cada ciclo para chegar até onde chegamos.

Depois disso, e após chegar no objetivo planejado e almejado, naturalmente foi necessário reformular o nosso propósito. Mudamos a mentalidade e a estrutura para fortalecer o ambiente do ecossistema interno (focado nos stakeholders: startups, investidores e colaboradores), ampliamos as ações para criar o Ecossistema Bossanova (novas modelos e novas unidades de negócios para além de uma casa de investimentos) e realinhamos a nossa cultura no sentido de pensar e começar a jogar o jogo Infinito.

Essa cultura traz toda a operação junto. Atualmente já estamos com mais de 1,6 mil investidas, várias novas unidades de negócios e com novas metas que não seguem mais necessariamente regras pré-estipuladas e definidas.

Justamente por essa nova visão, a Bossanova se tornou uma learning organization e uma casa de investimentos coopetidora, que aprimorou, evoluiu e fez adaptações, e que joga agora, o jogo Infinito.

As coisas mudam quando você olha menos para o próprio bolso, menos para a competição, menos para o curto prazo e passa a agir com visão de longo prazo e no jogo Infinito, que tem menos regras fixas, imexíveis e muito mais flexibilidade. Sabendo e priorizando o fato de que as pessoas são o principal insumo de uma empresa e que ao fortalecer e contribuir com o seu ecossistema, se torna de uma forma saudável em um contexto em que todos ganham.

Aliás, esse é o meu pensamento e liderança como CEO na empresa.

Como conceito, no jogo Infinito existe uma visão muito mais ampla. Você percebe, por exemplo, que seus concorrentes não são necessariamente empresas e pessoas que estão no mesmo nicho que você. Em uma economia global e sem barreiras geográficas, o desafio passa a ser desenvolver, manter relacionamento e atender de forma essencial e prioritária seus stakeholders.

E o mais importante aqui é o fato de que o objetivo desse jogo não é ganhar. Mas se perpetuar no jogo infinito, fazer com que sua marca se torne lendária e consequentemente aumente o seu equity.

Em jogos finitos já sabemos quem são os jogadores, quais são as regras do jogo e qual o objetivo para alcançar a vitória. Em jogos infinitos, não conhecemos todos os jogadores, não há regras estabelecidas nem um objetivo final.

Futebol, por exemplo, é um jogo finito, onde existem regras claras sobre o número de jogadores, tempo da partida e penalidades. Já quando se trata de negócios, justamente por essas características, o jogo infinito é jogado por quem tem mentalidade investidora e começa a dominar a visão e modelos de gestão das empresas mais modernas com o propósito de gerar equity e em ser útil e essencial ao seu mercado.

E como bem lembra Sinek em seu livro, só começam a jogar esse jogo empresas que sabem qual é a sua verdadeira missão, sua responsabilidade nos negócios, a influência de equipes de confiança e como aprender com seus concorrentes. E é aí que entra a "coopetição", estratégia de negócios que combina as características da cooperação e da complementaridade para construir ecossistemas mais fortes e representativos e que ofereça cada vez mais oportunidades.

E você e na sua empresa, já entraram no jogo infinito?

*João Kepler é CEO da Bossa Nova Investimentos

 

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