Abordagem visa melhor compatibilidade na seleção de candidatos (we bond creations/Shutterstock)
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Publicado em 23 de abril de 2026 às 07h00.
A exigência de diploma como principal critério de contratação começa a dividir espaço com uma abordagem mais alinhada às transformações do mercado de trabalho: o skill-based hiring, que prioriza habilidades práticas, competências técnicas e capacidade de execução.
O movimento reflete uma mudança estrutural em um cenário em que funções evoluem mais rápido do que as formações tradicionais conseguem acompanhar.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2030, 19% dos empregadores globais pretendem eliminar a exigência de diploma nos processos seletivos, o equivalente a cerca de 1 em cada 5 organizações.
A tendência é mais evidente em setores como tecnologia, dados e inovação, onde a demanda por conhecimento aplicado se renova constantemente.
A contratação que utiliza a abordagem skill-based hiring considera portfólios, certificações técnicas, projetos autorais e experiências práticas. Estes, passam a traduzir, de forma mais objetiva, a capacidade de entrega dos profissionais – especialmente em funções que exigem atualização contínua.
Um desenvolvedor com repositórios públicos, um analista de dados com projetos documentados ou um profissional de marketing com cases mensuráveis têm, nesse cenário, vantagem concreta sobre quem apresenta apenas o histórico acadêmico.
“O diploma deixa de ser um grande indicador de capacidade, abrindo espaço para uma análise mais completa das habilidades e do potencial de cada profissional. Isso permite decisões de contratação mais alinhadas às demandas reais”, comenta Polyana Macedo, gerente executiva de RPO do ManpowerGroup, consultoria global de soluções em RH.
Para os profissionais, essa mudança amplia possibilidades, mas também exige maior intencionalidade na construção da carreira. Investir no desenvolvimento contínuo, acompanhar tendências e saber evidenciar competências de forma clara tornam-se diferenciais competitivos, sobretudo em trajetórias não lineares ou em transições de área.
Currículos tradicionais passam a ser complementados por perfis que destacam entregas, resultados e domínio técnico, e não apenas títulos e instituições.
Outro impacto relevante está na ampliação do acesso ao mercado de trabalho. Ao reconhecer trajetórias diversas, incluindo aprendizados adquiridos fora de ambientes formais, como cursos livres, experiências freelance e projetos independentes, essa abordagem valoriza caminhos que o critério exclusivo do diploma tendia a não capturar.
“O skill-based hiring não elimina a importância da educação formal, mas amplia o olhar sobre o que realmente gera valor no dia a dia. Quando habilidades e resultados ganham mais peso, as decisões se tornam mais conectadas à prática e ao desempenho, refletindo melhor as necessidades das organizações e das próprias funções”, conclui Polyana.