Os resultados foram divulgados pela Zetti, empresa de tecnologia especializada em gestão para farmácias (BearFotos/Shutterstock)
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Publicado em 23 de abril de 2026 às 13h00.
Durante março, devido à Semana do Consumidor, o varejo farmacêutico registrou alta de 3,8% em relação ao mês anterior. As promoções sazonais impulsionaram o setor que faturou R$ 303,5 milhões, um aumento de R$ 11,2 milhões.
Os resultados foram divulgados pela Zetti, empresa de tecnologia especializada em gestão para farmácias, que analisou dados de 1917 drogarias em todo o país.
Os dados, processados pelo sistema Vetor Farma, ERP que integra operações do balcão à retaguarda, mostram que a Semana do Consumidor deixou de ser uma ação pontual e passou a atuar como alavanca estratégica de vendas
O movimento foi observado em diferentes perfis de operação, desde farmácias independentes até redes com até 90 lojas, reforçando a abrangência nacional da tendência.
Segundo o relatório, apesar do resultado positivo no recorte mensal, a comparação anual revela cenário de pressão.
Em março de 2025, o faturamento das mesmas lojas havia alcançado R$ 336,4 milhões, contra R$ 303,5 milhões em março de 2026, uma queda de 9,78%, equivalente a uma R$ 32,9 milhões.
Para Gustavo Sardinha, CEO da Zetti, o avanço mensal reflete a maior maturidade do setor na execução de campanhas comerciais, mas também evidencia uma mudança relevante no comportamento de consumo.
“A Semana do Consumidor passou a gerar fluxo e ativar clientes de forma consistente. O ponto de atenção é que esse crescimento não está necessariamente vindo acompanhado de ganho em rentabilidade”, afirma.
A diferença entre os resultados mensal e anual indica um fenômeno já observado em outros recortes do varejo: o aumento no número de transações, combinado à redução do ticket médio. Na prática, o consumidor está indo mais vezes às farmácias, mas realizando compras menores, com maior foco em itens promocionais e menor propensão à compra incremental.
Esse comportamento pressiona a eficiência operacional das drogarias e exige uma mudança de estratégia por parte dos gestores. Em vez de concentrar esforços apenas na atração de clientes, cresce a necessidade de qualificar a venda, com foco em mix de produtos, uso de dados e aumento do valor médio por compra.
“O desafio de 2026 não é trazer mais gente para dentro da loja, mas extrair mais valor de cada visita. O consumidor já está presente e, agora, a estratégia precisa evoluir para aumentar a relevância e a rentabilidade de cada compra”, conclui Sardinha.