A economia da experiência cresce, mas gestão, previsibilidade e relações sólidas serão essenciais para transformar criatividade em desenvolvimento (Prostock-studio/Shutterstock)
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Publicado em 26 de agosto de 2026 às 17h00.
Por Heloísa Santana*
A experiência deixou de ser um diferencial. Tornou-se parte central da estratégia das marcas. Consumidores já não buscam apenas produtos ou serviços. Procuram conexão, significado e pertencimento.
Nesse contexto, o marketing de experiência consolidou-se como uma das principais ferramentas para construir reputação, relacionamento e valor de marca.
Hoje, essa indústria reúne aproximadamente 299 mil empresas, gera 12,7 milhões de empregos, representa 4,6% do PIB brasileiro e realiza cerca de 10 milhões de experiências por ano. São números que demonstram a relevância econômica de um setor que cresceu em sofisticação e importância estratégica.
Mas existe um aspecto pouco visível dessa transformação.
Por trás de cada evento, ativação, convenção ou experiência imersiva existe uma operação complexa que integra criatividade, tecnologia, produção, logística, fornecedores e gestão.
Quanto mais sofisticada é a experiência entregue ao consumidor, mais sofisticada precisa ser a operação que a sustenta.
Nos últimos anos, as demandas cresceram em complexidade. Os prazos ficaram mais curtos. As expectativas aumentaram. Os investimentos necessários também. Nesse cenário, gestão deixou de ser um tema administrativo para tornar-se uma vantagem competitiva.
Empresas de marketing de experiência precisam combinar criatividade, eficiência operacional e capacidade de adaptação. Isso significa investir continuamente em pessoas, tecnologia, processos e inovação.
Para que esse ciclo aconteça, existe um elemento indispensável: previsibilidade.
Negócios sustentáveis dependem da capacidade de planejar investimentos, desenvolver talentos e construir relações de longo prazo.
Quanto mais complexa a operação, maior a necessidade de um ambiente que favoreça estabilidade, confiança e cooperação entre todos os agentes da cadeia.
Por isso, discussões sobre modelos de contratação, planejamento financeiro, governança e relações comerciais deixaram de interessar apenas às empresas do setor. Elas passaram a fazer parte da agenda da competitividade.
Criatividade depende de talento. Talento depende de investimento. E investimento depende de empresas economicamente saudáveis.
A economia da experiência continuará crescendo. O desafio será garantir que essa evolução seja acompanhada por modelos de gestão e relações de negócio capazes de sustentar inovação no longo prazo.
Porque criatividade continua sendo um dos maiores diferenciais competitivos do Brasil.
Mas será a qualidade das relações e da gestão que permitirá transformar esse diferencial em desenvolvimento econômico duradouro.
*Heloísa Santana é presidente executiva da AMPRO (Associação de Marketing Promocional). Publicitária, atua há mais de 35 anos em Comunicação e Marketing, sendo 18 dedicados ao marketing de experiência. É palestrante, jurada em premiações nacionais e internacionais e coautora dos livros Uma Sobe e Puxa a Outra e Protagonistas.