Marketing

Experiência com propósito: como Heineken, Elo e Itaú conectam emoção e negócio

Em painel no CMO Summit, líderes de marketing falam sobre o desafio de gerar conexão com o público e retorno para a empresa

GP Fprmula 1 de ßão Paulo - Brasil. Interlagos. Ferrari - Heineken

Foto: Leandro Fonseca
Data: 01/11/2025 (Leandro Fonseca/Exame)

GP Fprmula 1 de ßão Paulo - Brasil. Interlagos. Ferrari - Heineken Foto: Leandro Fonseca Data: 01/11/2025 (Leandro Fonseca/Exame)

Bruno Capelas
Bruno Capelas

Colaborador

Publicado em 6 de julho de 2025 às 13h24.

Última atualização em 8 de julho de 2025 às 14h23.

Tudo sobreCMO Summit
Saiba mais

Patrocinar grandes eventos esportivos, festivais de música ou exposições de arte é algo que as marcas fazem há décadas. Mas, em tempos em que cada centavo gasto precisa ser justificado em prol da eficiência, como garantir que essas ações trazem retorno para a empresa?

Foi essa uma das principais discussões do painel “Marketing e Territórios de Marca: brand experience na música, cultura e esporte”, realizado na última quinta-feira, 26 de junho, durante o CMO Summit 2025, evento de marketing sediado no Expo Center Norte, em São Paulo.

Sob a mediação de Guili Alves de Lima, CEO da agência Red Door, os executivos Guilherme Bailão (Heineken), Mel Pedroso (Cartões Elo) e Rodrigo Montesano (Itaú) compartilharam suas visões sobre como construir experiências relevantes para o público – e, ao mesmo tempo, não deixar os cabelos dos diretores financeiros em pé.

“Tudo o que a gente faz precisa gerar emoção nas pessoas, porque é isso que cria conexão”, afirmou Bailão. “Mas diferentemente do digital, em que tudo é metrificado, mensurar esse impacto é um desafio enorme”.

Para o diretor de brand experience da Heineken, o principal método de mensuração ainda são as pesquisas de associação de marca. “Hoje, quando questionam o consumidor sobre a nossa marca, ele responde com uma lembrança emocional – da Fórmula 1, da Champions League ou de um festival de música. É algo que nos mostra que o brand experience funciona”, diz o executivo, que reconhece que ainda há muito em que avançar na mensuração. “Temos KPIs, claro, mas estamos estudando e buscando maneiras mais precisas. É um processo em construção.”

Já Mel, head de marketing da Elo, trouxe uma perspectiva mais pragmática – mas não menos criativa. Para a bandeira de cartões brasileira, a saída foi conectar experiência com resultado de negócio.

“Hoje, nosso share de mercado é de cerca de 10%. Em todo evento que patrocinamos, sempre trazemos benefícios como parcelamento ou desconto. E sempre acompanhamos se o nosso share de mercado no evento subiu”, diz. “Depois que o cliente usa, também acompanhamos para saber se houve recorrência”, diz.

Outro ponto destacado pela executiva foi a importância de unir criatividade e estratégia ao definir os atributos emocionais de marca. “Somos uma empresa brasileira, competindo com três multinacionais americanas. Assim, ficou claro que nosso território deveria ser a cultura brasileira — música, memória, emoção. Isso cria afinidade e cria identidade”, diz a head de marketing da Elo.

Desde a base

Além da brasilidade, outra estratégia da Elo foi de apostar não apenas no que é consolidado, mas também em novos talentos. “É comum as empresas patrocinarem atletas jovens, mas é raro ver as marcas fazendo isso com artistas em formação”, disse Mel. Ela citou como exemplo o patrocínio dado pela empresa a Miguelzinho do Cavaco.

“É um menino preto, periférico, de 13 anos, talentosíssimo. Ele vai com a gente aos principais festivais e shows brasileiros”, contou. Outro exemplo dado foi a aproximação entre dois embaixadores de marca da empresa: a modelo Sasha Meneghel e o maestro João Carlos Martins. “Acabamos cocriando um desfile da marca da Sasha junto com o maestro, em um case lindo de colaboração criativa e emocional”.

Bailão, por sua vez, mostrou que há desafios ao delimitar os territórios de marca na Heineken, uma empresa que tem um portfólio de 15 marcas. “A Heineken está na Champions League, a Heineken 0.0 no skate, a Amstel no samba. É um grande xadrez estratégico para não ter fogo amigo”, afirmou o executivo.

Já Montesano, do Itaú, exemplificou que a aposta da empresa é na consistência, algo em linha com as últimas campanhas do banco, que completou 100 anos em 2024.

“Estamos há 30 anos no futebol da Globo, há 50 anos patrocinando tênis”, exemplificou o executivo. Mais do que endosso, a estratégia da empresa é usar as experiências de marca como “pontes de significado”. “Não somos uma bebida ou um produto de consumo, somos um meio. Quando vamos ao SXSW, vamos para democratizar o conteúdo. Quando vamos ao Rock in Rio, queremos criar conexão com públicos diversos”, explicou.

Futuro e imersão

Além de contar cases e falar sobre o desafio da mensuração, os executivos presentes no painel também arriscaram fazer suas previsões sobre o futuro do brand experience – especialmente em um mundo mais tecnológico, orientado a dados e marcado pela inteligência artificial.

Para Bailão, da Heineken, o caminho principal será apostar na imersão multissensorial. “Estive recentemente no parque da Nintendo, no Japão, e vi como é possível unir a realidade aumentada com o mundo físico e a emoção. O futuro da nossa área será trabalhar os cinco sentidos”, diz.

Já Mel, da Elo, destacou que a conexão humana nunca deixará de ser relevante. “Se fosse diferente, os museus estariam vazios. As pessoas ainda querem se emocionar. A tecnologia vem para ajudar, mas não substitui o real.”

Leia mais sobre o CMO Summit

Acompanhe tudo sobre:estrategias-de-marketingCMO SummitBranded Marketing

Mais de Marketing

Adidas, Nike ou Puma? Veja quem domina as camisas da Copa do Mundo 2026

Eudora nomeia personagem da novela ‘Quem Ama Cuida’ em parceria inédita

A próxima disputa da IA será, sobretudo, de narrativa

A Copa do Mundo (também) vai acontecer em Copacabana