Bússola
Um conteúdo Bússola

5 tendências de negócios que marcaram o festival SP2B

Festival realizado no Parque Ibirapuera colocou inteligência artificial, confiança, dados, cultura e relações humanas no centro das discussões sobre o futuro dos negócios

SP2B reuniu tecnologia, cultura e relações humanas para discutir como IA, confiança e experiências estão transformando a construção de marcas (Magnifc/Shutterstock)

SP2B reuniu tecnologia, cultura e relações humanas para discutir como IA, confiança e experiências estão transformando a construção de marcas (Magnifc/Shutterstock)

Bússola
Bússola

Plataforma de conteúdo

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 13h00.

Priorizar nos meus resultados Google

Entre os dias 9 e 16 de agosto, o Parque Ibirapuera, em São Paulo, recebeu a primeira edição do SP2B – São Paulo Beyond Business, festival dedicado a inovação, cultura, empreendedorismo e negócios.

Com mais de 2 mil palestrantes e mais de 20 palcos anunciados pela organização, o evento reuniu executivos, especialistas, empreendedores e nomes da cultura para discutir transformações que já começam a impactar empresas e sociedade.

Ao longo da programação, inteligência artificial apareceu como um dos grandes fios condutores das conversas, mas não de maneira isolada.

O avanço da tecnologia dividiu espaço com discussões sobre relações humanas, confiança, credibilidade, dados, cultura e a importância das experiências presenciais.

Na abertura do festival, por exemplo, a psicoterapeuta Esther Perel chamou atenção para o impacto da tecnologia sobre a profundidade das conexões humanas e para o risco de uma sociedade cada vez mais conectada, mas menos capaz de construir vínculos significativos.

Para Nani Oliveira, COO da 11ag, agência especializada em live marketing e experiências de marca, essa combinação ajuda a revelar uma das principais provocações que ficam do evento para quem trabalha com construção de marca.

“Existe um paradoxo interessante acontecendo. Nunca tivemos tanta tecnologia disponível para entender comportamentos, produzir conteúdo e ampliar pontos de contato, mas isso não necessariamente significa criar relações mais fortes. Para as marcas, o desafio passa a ser usar toda essa capacidade tecnológica sem perder aquilo que gera significado: confiança, contexto, emoção e conexão entre pessoas”, afirma.

A partir das principais discussões que atravessaram o SP2B, confira os cinco movimentos que merecem atenção das marcas.

1. Quanto mais IA, mais estratégica se torna a conexão humana

A inteligência artificial esteve presente em diferentes frentes do SP2B, mas uma das discussões mais relevantes foi justamente sobre aquilo que a tecnologia não substitui.

Na abertura do festival, Esther Perel discutiu os impactos da IA sobre as relações humanas e chamou atenção para uma possível “atrofia social” em uma sociedade marcada por grande quantidade de interações, mas nem sempre pela profundidade dos vínculos.

Em outra discussão relacionada ao evento, Hugh Forrest, ex-presidente do SXSW e consultor do SP2B, também defendeu que encontros presenciais tendem a ganhar importância à medida que o mundo se torna mais virtual.

Para as marcas, o movimento aponta para uma mudança de perspectiva. À medida que ferramentas de inteligência artificial se tornam cada vez mais acessíveis, apenas utilizá-las deixa de representar um diferencial.

O valor passa a estar em como a tecnologia é utilizada para criar experiências, relações e interações que continuem relevantes para as pessoas.

2. Confiança passa a valer mais do que atenção

Credibilidade e influência também estiveram entre as discussões do festival. Em uma das mesas, Drauzio Varella abordou o crescimento da desinformação e o uso de inteligência artificial para a produção de conteúdos falsos.

No Summit Globo, William Bonner também colocou em questão a associação entre influência e mera capacidade de capturar atenção, defendendo a responsabilidade como elemento fundamental dessa relação.

A discussão toca em uma questão cada vez mais relevante para as marcas. Durante anos, audiência, alcance e frequência foram alguns dos principais indicadores utilizados para dimensionar influência.

Em um ambiente de excesso de conteúdo e crescente dificuldade para diferenciar informação, publicidade e materiais artificiais, credibilidade passa a ganhar outro peso.

Isso significa olhar não apenas para quantas pessoas uma marca consegue alcançar, mas também para quem fala por ela, em quais espaços ela escolhe estar e qual legitimidade construiu para participar de determinada conversa.

3. Dados próprios deixam de ser suporte e passam a ser ativo de marca

Se a inteligência artificial tende a se tornar acessível a um número cada vez maior de empresas, o diferencial pode estar menos na ferramenta e mais na informação utilizada para alimentá-la.

Durante painéis do SP2B dedicados à nova economia da inteligência artificial, especialistas destacaram justamente o valor de dados exclusivos e de contextos proprietários como potenciais fontes de vantagem competitiva.

Em um cenário em que modelos e tecnologias podem ser compartilhados por diferentes organizações, informações que apenas uma empresa possui ganham importância estratégica.

Para as marcas, isso amplia o papel dos próprios pontos de contato com seus públicos. Eventos, comunidades, plataformas, canais de relacionamento e experiências podem não apenas gerar impacto imediato, mas também produzir aprendizados sobre comportamento, interesses e formas de interação.

4. Participar da cultura exige mais do que ocupar seus espaços

Uma das características do SP2B foi justamente colocar negócios em contato com diferentes territórios culturais. Música, entretenimento, esporte, comportamento, comunicação e tecnologia dividiram espaço com discussões tradicionalmente ligadas à inovação e ao empreendedorismo.

O movimento reforça uma questão importante para as marcas: estar presente em um território cultural não significa necessariamente fazer parte dele.

Patrocinar um evento, associar-se a um comportamento ou participar de uma conversa que já mobiliza determinada comunidade pode gerar visibilidade, mas a construção de relevância depende da capacidade de compreender aquele contexto e oferecer algo que faça sentido para as pessoas que já pertencem a ele.

Na prática, a pergunta deixa de ser apenas “onde a marca deve aparecer?” e passa a ser “o que a presença dessa marca acrescenta à experiência?”.

5. Experiências coletivas ganham valor em um mundo cada vez mais digital

O próprio formato do SP2B também oferece uma pista sobre o futuro das relações entre marcas e públicos.

Enquanto inteligência artificial, agentes autônomos e novas formas de interação digital ocupavam boa parte das discussões, milhares de pessoas se deslocaram fisicamente para acompanhar palestras, encontros, workshops e apresentações no Parque Ibirapuera.

A aparente contradição ajuda a explicar um movimento que pode se intensificar nos próximos anos. Quanto maior a quantidade de interações mediadas por telas e sistemas automatizados, mais raro tende a se tornar o encontro presencial e, justamente por isso, maior pode ser seu valor.

Isso não significa que toda empresa precise investir mais em eventos ou transformar qualquer ação em uma experiência presencial.

O desafio é entender o que a presença física é capaz de proporcionar e que dificilmente seria reproduzido da mesma maneira no ambiente digital: troca, descoberta, participação, pertencimento e memória coletiva.

Acompanhe tudo sobre:planos-de-negocios

Mais de Bússola

Afroturismo cresce impulsionado pelo desejo de 90% dos viajantes por cultura local

O que fazer no fim de semana: festival leva Recife a Copacabana

Da validação à Bolsa: como startups evoluem para atrair capital

O que acontece quando candidato e recrutador usam IA?