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Danilo Maeda: Sustentabilidade das relações humanas

Grandes corporações impõem a pequenos fornecedores prazos de pagamento cada vez mais largos, com negociações abusivas estabelecidas nas práticas de compras

Decisões nas empresas muitas vezes desconsideram a inclusão (Luis Alvarez/Getty Images)

Decisões nas empresas muitas vezes desconsideram a inclusão (Luis Alvarez/Getty Images)

Danilo Maeda
Danilo Maeda

Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola

Publicado em 16 de maio de 2023 às 19h00.

Última atualização em 13 de outubro de 2023 às 20h40.

Diz a canção de Tom Jobim que é impossível ser feliz sozinho. Além de falar de amor, o verso remete à natureza social da existência humana. Somos relacionais, dependentes de afeto, de sonhos compartilhados e de recursos que são produzidos também socialmente. Mesmo nós introvertidos, que por vezes desejamos viver como ermitão, encontramos satisfação em poucas – e boas – relações.

Além de perenizar organizações, regenerar a natureza e promover desenvolvimento humano, estratégias de sustentabilidade podem se ocupar também de estabelecer relações saudáveis e produtivas. Até porque, para se conseguir atingir os objetivos anteriores, é preciso criar ambientes seguros e relações de confiança.

Essa é uma das mudanças pelas quais o mundo corporativo precisa passar com urgência, sob o risco de continuar a produzir impactos negativos maiores que as ações de compensação. Ainda é constrangedoramente comum presenciar pessoas que tratam as demais de formas distintas, a depender do poder que cada um possui (ou que faz os outros acreditarem possuir).

Qual é o papel das marcas para a inclusão?

Nas campanhas, marcas comunicam respeito, inclusão e até uma suposta valorização de quem vem de origens desprivilegiadas. No dia a dia, quem toma decisão silencia, desconsidera e promove ativamente as pequenas violências que perpetuam uma cultura corporativa intencionalmente desenhada de poucos para poucos.

Estruturalmente, as práticas de compras reforçam essa cultura. Grandes corporações impõem a pequenos fornecedores prazos de pagamento cada vez mais largos e com margens menores, dadas as negociações abusivas que se estabelecem. As relações são construídas com base na pressão e na cobrança, por vezes injusta e sem contexto. Tal cenário gera adoecimento e agrava problemas de saúde mental, que não à toa explodiu em termos de conscientização e se tornou alvo de novas campanhas de comunicação que douram a pílula em relação aos problemas reais.

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