Saiba como profissionais que trabalham com a internet podem se adaptar (Richard Drury/Getty Images)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 20 de março de 2026 às 10h00.
Durante muito tempo, a navegação nas redes sociais era baseada principalmente no chamado social graph, modelo em que os usuários viam majoritariamente conteúdos publicados por pessoas ou perfis que seguiam. O interest graph é diferente.
Esse sistema de descobrimento e exibição de publicações funciona a partir dos algoritmos, que passaram a analisar sinais de comportamento, como tempo de visualizações, curtidas e compartilhamentos, para identificar quais conteúdos têm maior probabilidade de gerar interesse para cada pessoa.
Esse novo modelo, interest media ou interest graph, é, em resumo: um sistema que conecta usuários a conteúdos com base em seus interesses, e não apenas em suas conexões sociais.
“As redes sociais como conhecíamos praticamente não existem mais. Anos atrás você recebia principalmente conteúdos das pessoas que seguia. Hoje tudo está voltado para o interesse pessoal”, diz Victor Cabral, especialista em creator economy.
Pesquisas internacionais indicam que a personalização se tornou uma expectativa central no consumo digital. Estudos da McKinsey mostram que 71% dos consumidores esperam interações personalizadas nas plataformas digitais, enquanto 76% se frustram quando recebem conteúdos genéricos ou pouco relevantes.
Na prática, isso significa que um usuário pode consumir conteúdos de criadores que nunca seguiu, simplesmente porque o algoritmo identifica afinidade temática ou comportamento semelhante ao de outros usuários com interesses parecidos.
Outro indicador reforça essa mudança no comportamento da audiência: 81% dos consumidores ignoram conteúdos considerados irrelevantes, pressionando plataformas e marcas a desenvolver experiências cada vez mais personalizadas e alinhadas aos interesses do usuário.
A distribuição baseada em interesse permite que novos criadores conquistem visibilidade mesmo sem uma base consolidada de seguidores. Plataformas como TikTok e Instagram passaram a distribuir conteúdos com base no desempenho e na relevância para determinados públicos, ampliando o potencial de alcance de novos perfis.
“Qualquer pessoa com um celular pode criar conteúdo e, se o algoritmo identificar relevância naquele material, ele pode distribuir para grandes audiências, mesmo que o criador não tenha seguidores”, detalha Victor.
Para profissionais que atuam no ambiente digital, como creators, estrategistas e empreendedores, o novo modelo exige uma mudança de mentalidade. A base de seguidores deixa de ser o único ativo relevante e passa a dividir espaço com a capacidade de gerar conteúdos relevantes para diferentes momentos e interesses.
Publicar com frequência, testar formatos e compreender como os algoritmos identificam padrões de interesse tornou-se parte central das estratégias de crescimento nas plataformas.
“Para quem trabalha profissionalmente com internet, é preciso entender esse novo cenário. Hoje, ter milhões de seguidores não significa necessariamente ter relevância no meio de tantos conteúdos.
Se você produzir com criatividade e relevância, mesmo assumindo riscos, pode alcançar grandes audiências. Ao mesmo tempo, vemos influenciadores com muitos seguidores cuja presença e relevância nas plataformas já não são as mesmas”, conclui Victor Cabral.