Inteligência e dados moldam o mercado de seguros diante de novas dinâmicas sociais e climáticas (Garun Prdt/Shutterstock)
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Publicado em 3 de julho de 2026 às 10h00.
Por Marcelo Labuto*
Durante muito tempo, o seguro ocupou um papel quase coadjuvante na vida do brasileiro. A solução entrava em cena em momentos pontuais, como a compra de um imóvel, na contratação de crédito ou diante de um imprevisto mais sério.
No restante do tempo, era visto por muitos como um custo que poderia ser adiado. Mas o mundo mudou, e rápido!
A digitalização, por exemplo, encurtou distâncias, ampliou o acesso à informação e transformou a forma como as pessoas consomem, se relacionam e tomam decisões.
Ao mesmo tempo, novas dinâmicas sociais, o envelhecimento da população e os impactos cada vez mais visíveis das mudanças climáticas passaram a influenciar diretamente a maneira como as pessoas enxergam segurança e planejamento financeiro.
E nesse cenário, percebo que a relação com o seguro começa a se transformar.
O que antes era lembrado apenas em situações extremas passa, aos poucos, a ganhar espaço no dia a dia.
Não como um produto distante, mas como uma ferramenta de proteção, que permite lidar melhor com as incertezas e atravessar imprevistos com mais segurança em um ambiente cada vez mais volátil. E isso, na minha avaliação, muda tudo.
O consumidor de hoje não está apenas preocupado com uma eventual indenização no futuro. Ele quer simplicidade, rapidez, autonomia, quer experiências que façam sentido para sua realidade e que funcionem sem fricção, principalmente quando mais precisa.
E é aqui que entra o principal desafio e também a maior oportunidade do setor: traduzir o risco em soluções simples, acessíveis e conectadas ao dia a dia, para viver melhor.
Não se trata apenas de precificar melhor ou ampliar portfólio, é uma questão de entender o contexto de vida das pessoas, antecipar necessidades e transformar o seguro em uma experiência integrada, quase invisível, mas sempre presente.
Essa mudança já está em curso. O uso de dados, o avanço da inteligência artificial e a evolução das jornadas digitais estão redesenhando a forma como as seguradoras se conectam com seus clientes.
E nesse sentido o seguro deixa de ser episódico e passa a acompanhar diferentes momentos da vida, com mais proximidade e relevância.
Ao mesmo tempo, há um desafio estrutural que não pode ser ignorado. O Brasil ainda convive com um elevado gap de proteção.
Isso significa que grande parte da população segue exposta a riscos que poderiam ser mitigados com soluções mais acessíveis e adequadas.
Ampliar esse acesso exige mais do que oferta, exige linguagem clara, menos complexidade e um esforço consistente de educação financeira e securitária. E, em especial, também exige uma mudança de mentalidade.
Proteger não é apenas indenizar, é garantir continuidade, ajudar pessoas e empresas a atravessarem momentos difíceis sem rupturas bruscas, com mais capacidade de reação.
Em muitos casos, o verdadeiro valor do seguro está justamente em evitar que o problema se torne maior.
Essa lógica se torna ainda mais evidente diante do aumento dos eventos climáticos extremos. Eles deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da realidade, impactando famílias, produtores e negócios em diferentes regiões do país.
Nesse contexto, falar de risco é, inevitavelmente, falar de sustentabilidade. Não como um tema paralelo, mas como parte central das decisões e da visão de longo prazo das companhias.
Na Brasilseg, tenho buscado direcionar nossa atuação a partir dessa leitura. Evoluir junto com a sociedade não é uma escolha, é uma necessidade.
Osso passa por combinar solidez financeira com tecnologia, ampliar o uso de dados para personalizar soluções e, ao mesmo tempo, simplificar a experiência do cliente.
Passa também por expandir o acesso à proteção, sem perder a consistência e a responsabilidade que o setor exige.
Discutir o seguro do futuro não é falar de apólices isoladas, precisamos focar em presença, menos reação e mais antecipação.
No fim do dia, proteger significa entender o risco antes que ele se materialize e estar pronto para agir quando ele inevitavelmente aparecer. Essa é, talvez, a principal missão do nosso setor daqui para frente.
*Marcelo Labuto é CEO da Brasilseg, uma empresa BB Seguros.