Bússola

Um conteúdo Bússola

Multifranqueados: o novo perfil de quem está expandindo redes no Brasil

Empreendedores expandem portfólios e transformam o mercado de franquias no Brasil, apostando na confiança e eficiência operacional das rede

Empreendedor avalia expansão de rede e o avanço dos multifranqueados no mercado de franquias (Andrii Yalanskyi/Shutterstock)

Empreendedor avalia expansão de rede e o avanço dos multifranqueados no mercado de franquias (Andrii Yalanskyi/Shutterstock)

Bússola
Bússola

Plataforma de conteúdo

Publicado em 24 de julho de 2026 às 10h00.

Por Julio Monteiro*

Há alguns anos, quem investia em uma franquia costumava parar por ali. Uma unidade, um ponto, uma rotina consolidada.

Hoje esse cenário mudou. Cada vez mais empreendedores que já operam uma loja voltam ao mercado em busca da segunda, da terceira, às vezes de um verdadeiro portfólio de unidades.

O multifranqueado deixou de ser exceção e virou uma das forças mais interessantes do franchising brasileiro.

Os números confirmam o que quem está no dia a dia do setor já sentia. Segundo a mais recente Pesquisa de Multifranqueados da ABF (Associação Brasileira de Franchising), 87% das redes do país já contam com esse perfil de empreendedor em sua base, contra 83% dois anos antes.

Dentro desse grupo, o avanço é ainda mais expressivo entre os multimarca, aqueles que operam bandeiras diferentes, que saltaram de 52% para 61% no mesmo período.

Outro dado chama atenção. A participação média dos multifranqueados no total das redes subiu de 19,5% para 21,6%, e a fatia de empreendedores que administram mais de cinco marcas triplicou, passando de 1% para 3%.

São investidores que deixaram de pensar em uma loja isolada e passaram a construir verdadeiros grupos empresariais dentro do franchising.

E o pano de fundo ajuda a entender por que isso acontece agora. O setor fechou o primeiro trimestre de 2026 com faturamento de R$ 72,7 bilhões, alta de 10,1% sobre o mesmo período do ano anterior, mesmo em um cenário de juros elevados.

São 204.908 operações ativas no país, 3,1% a mais que no ano passado, e 1,788 milhão de empregos diretos gerados pela indústria.

Um mercado que cresce nesse ritmo, e de forma consistente, naturalmente atrai quem já está dentro para investir mais.

Por que o franqueado volta a investir

O primeiro motivo é confiança. Quando um empreendedor já viveu o dia a dia de uma franquia, ele sabe exatamente o que está comprando.

Não é mais uma promessa em um material institucional, é uma experiência concreta, com números, processos e resultados que ele mesmo acompanhou de perto.

O segundo motivo é eficiência. Um franqueado com duas ou três unidades já domina a curva de aprendizado.

Ele não precisa reaprender a gestão de estoque, a relação com fornecedores ou a rotina de equipe. Isso libera tempo e energia para pensar em crescimento, em vez de sobrevivência.

Há também um fator estrutural. Uma pesquisa inédita apresentada na ABF Franchising Expo 2026 de São Paulo, conduzida pelo instituto BR Insights e auditada pela KPMG, ouviu mais de 15 mil franqueados em todo o país...

...e encontrou um nível de confiança amadurecido no setor, com 89% dos entrevistados dizendo que indicariam sua rede a um amigo e 85% se declarando satisfeitos com a operação.

Relação franqueador-franqueado saudável é justamente o terreno em que a decisão de abrir uma segunda ou terceira unidade deixa de ser um salto de risco e passa a ser um passo natural.

O que muda na relação com a marca

Multifranqueados exigem um olhar diferente da franqueadora. Eles não são apenas operadores, são parceiros de negócio com visão de portfólio.

Passam a pensar em escala, em diversificação de pontos, em como cada unidade nova impacta o conjunto. Isso muda a conversa. Deixa de ser sobre um ponto comercial e passa a ser sobre estratégia de crescimento conjunta.

Do lado da franqueadora, isso pede maturidade também. É preciso ter clareza de processos, previsibilidade de resultados e uma relação de transparência que sustente esse tipo de confiança repetida.

Um franqueado só abre a segunda loja se a primeira deu certo, e só abre a terceira se a segunda confirmar o que a primeira prometeu.

O amadurecimento do mercado de franquias

O crescimento dos multifranqueados é, na prática, um termômetro.

Ele mostra que o modelo de franquias no Brasil está amadurecendo, que as redes estão entregando o que prometem e que os empreendedores estão dispostos a reinvestir onde já viram retorno.

Para quem está do lado da franqueadora, não existe validação mais forte do que um parceiro voltando para comprar de novo.

Nos próximos anos, a tendência tende a se aprofundar. Mercados de franchising mais maduros, como o americano, mostram que multifranqueados chegam a formar verdadeiros conglomerados dentro do setor.

O Brasil caminha na mesma direção, e as redes que souberem estruturar suporte, treinamento e políticas específicas para esse perfil de investidor sairão na frente.

Porque, no fim das contas, franquia boa não é a que atrai mais gente nova. É a que faz quem já está dentro querer crescer junto.

*Julio Monteiro é especialista em franquias, CEO do Grupo Rhodium, sócio da Megamatte e vice-presidente da Associação Brasileira de Franchising Seccional Rio de Janeiro (ABF Rio).

Acompanhe tudo sobre:Franquias

Mais de Bússola

Alta temporada acabou? Saiba como manter as vendas do minimercado

Black Friday: por que as empresas precisam começar a se preparar agora

5 tendências de negócios que marcaram o festival SP2B

Digitalização ajuda a impulsionar recordes no turismo brasileiro