Open Finance: crescimento e integração impulsionam sistema financeiro brasileiro. (Cheng Xin/Getty Images)
EXAME Solutions
Publicado em 31 de março de 2026 às 17h15.
Última atualização em 31 de março de 2026 às 17h22.
Consolidado como um dos principais motores da transformação do sistema financeiro, tanto no Brasil quanto em mercados internacionais, o Open Finance passa por uma fase de amadurecimento. Globalmente, a abertura regulada de dados financeiros tem impulsionado novos modelos de negócio, maior competição entre instituições e experiências mais centradas no usuário.
No Brasil, esse movimento ganhou escala. De acordo com dados do Dashboard do Cidadão sobre Open Finance, em pouco mais de cinco anos de operação, o ecossistema atingiu 153,94 milhões de consentimentos ativos registrados em dezembro de 2025. O número representa um crescimento de cerca de 148% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, os dados apontam 98,93 milhões de consentimentos únicos. Esses dados posicionam o país como referência internacional na implementação de um sistema financeiro mais aberto, integrado e seguro.
“A atuação do Banco Central na jornada do Open Finance tem contribuído para o crescimento desse ecossistema de um jeito muito mais rápido no Brasil do que em outros países. Também existe uma grande conexão do Open Finance com o Pix, por meio da iniciação de pagamentos. Dado esse contexto brasileiro, provavelmente veremos uma curva de crescimento ainda mais agressiva pela frente”, explica Mauricio Fernandes, vice-presidente de Estratégia, Excelência e Operações da Mastercard.
No centro dessa evolução está um princípio fundamental: os dados financeiros pertencem aos consumidores e às empresas, que devem ter controle, transparência e benefício direto sobre o seu uso. O avanço do Open Finance só é possível quando esse compartilhamento ocorre de forma segura, consentida e em total conformidade regulatória. É nesse ponto que a Mastercard atua como habilitadora do ecossistema, garantindo segurança de ponta a ponta, gestão granular de consentimentos e aderência às regras do Banco Central.
É nesse cenário que a Mastercard amplia sua estratégia em Open Finance no Brasil por meio de uma parceria com a Lina Open X, cujas soluções para o mercado de pagamentos passam a ser distribuídas pela companhia. O movimento conecta a visão global da Mastercard em dados, segurança e pagamentos à tecnologia desenvolvida localmente pela Lina para atender às especificidades do ambiente regulatório brasileiro, marcando um avanço relevante na estratégia da Mastercard no mercado financeiro digital.
“Hoje, a Lina é a responsável pelos produtos de Open Finance que são distribuídos pela Mastercard. É uma empresa que conhecemos, que tem uma infraestrutura 100% proprietária e licenciada pelo Banco Central do Brasil, além de uma capacidade muito rápida de desenvolvimento. Há muitas sinergias entre as duas companhias, por isso temos muitas conversas para o desenvolvimento de produtos em parceria”, analisa Fernandes.
A solução da Lina é estruturada em três camadas integradas. A primeira é a infraestrutura regulada, que garante conformidade e segurança no compartilhamento de dados. A segunda é a camada analítica, responsável por transformar grandes volumes de informação em inteligência acionável. A terceira é a iniciação de pagamentos, permitindo experiências fluidas e seguras diretamente a partir do ambiente Open Finance.
Essa arquitetura é sustentada por pilares essenciais de governança, como consentimentos explícitos e revogáveis, criptografia de dados e trilhas de auditoria — elementos que transformam a abertura de dados em confiança, condição indispensável para que consumidores e empresas se sintam seguros ao compartilhar informações e convertê-las em valor real.
Com a parceria, a Mastercard agrega a essa arquitetura sua escala global e décadas de experiência em inteligência de dados, cibersegurança e operações de Open Finance em mercados onde o modelo já está plenamente estabelecido, como Estados Unidos, Europa e Austrália. Presente nesses ecossistemas maduros, a companhia eleva o patamar da camada analítica com modelos avançados de prevenção a fraudes e geração de insights, enquanto sua capacidade de distribuição acelera a chegada das soluções a bancos, fintechs, varejistas e empresas de serviços essenciais no Brasil.
Na prática, a parceria viabiliza a modernização da infraestrutura de pagamentos e de uso de dados no Open Finance brasileiro, combinando interoperabilidade, inteligência analítica e segurança desde a origem das transações. A solução permite que bancos, fintechs e empresas integrem iniciação de pagamentos, análise de risco e geração de insights de forma mais rápida, segura e aderente ao ambiente regulatório local.
“A discussão sobre Open Finance saiu do conceito e chegou à execução. Depois da abertura de dados, o foco passou a ser usar essas informações de forma segura, dentro da regulação, e gerar impacto concreto para o negócio. A Lina nasceu para resolver esse desafio no contexto brasileiro, e a parceria com a Mastercard acelera esse movimento ao combinar execução local com escala e experiência internacional”, destaca Alan Mareines, CEO da Lina Open X.
Mais do que viabilizar tecnologia, o Open Finance melhora experiências financeiras. Ele permite crédito mais justo, onboarding mais rápido, pagamentos sem fricção e maior controle sobre rendimentos e despesas. No Brasil, a Mastercard transforma essas possibilidades em casos de uso concretos, conectando dados, risco e pagamentos de forma integrada e segura ao longo de toda a jornada.
“A Mastercard consegue entender quais experiências e produtos funcionam — ou não — em diferentes mercados ao redor do mundo. No Brasil, além dessa expertise global, é essencial ter velocidade, porque o mercado é altamente dinâmico. A combinação com a Lina é perfeita justamente por unir essa agilidade no desenvolvimento de produtos e tecnologias ao know-how global da Mastercard em dados, segurança e pagamentos”, destaca Mauricio.
A iniciação de pagamentos via Pix é um exemplo concreto desse avanço. Integrada ao Open Finance, ela permite experiências mais ágeis e seguras, reduzindo fricções e fortalecendo a confiança do consumidor. Além disso, abre caminho para novas funcionalidades, como o Pix Automático, que promete transformar cobranças recorrentes em setores como utilities, educação e assinaturas.
Para bancos e fintechs, a proposta representa agilidade. Em vez de construir soluções do zero, as instituições podem se apoiar em uma plataforma já homologada, pronta para escalar e adaptável a diferentes casos de uso. No varejo, o modelo viabiliza jornadas de pagamento mais simples e personalizadas, ampliando a conversão e a fidelização de clientes.
Do ponto de vista estratégico, o movimento reforça os três pilares que orientam a atuação da Mastercard no país. O primeiro é a inovação, materializada em soluções tecnológicas de ponta, já prontas para operar em larga escala. O segundo é o protagonismo, ao assumir uma posição ativa na construção dos novos trilhos de pagamento e dados. O terceiro é a inclusão, ao expandir o acesso a benefícios do sistema financeiro digital.
Esse arranjo também dialoga com o futuro do Open Finance no Brasil. À medida que os consentimentos crescem e novos casos de uso surgem, a demanda por plataformas robustas, seguras e flexíveis tende a se intensificar.
À medida que o ecossistema evolui, o desafio deixa de ser apenas abrir dados e passa a ser transformá-los em experiências seguras, eficientes e inclusivas. Nesse contexto, a combinação entre escala global, governança robusta e execução local posiciona a Mastercard como uma das protagonistas da próxima fase do Open Finance no Brasil.
“Já existem uma série de possíveis casos de uso, como para a gestão financeira pessoal. Você pode entrar no site do seu banco e gerenciar as informações de todos os seus outros bancos lá dentro. Para empresas, por exemplo, isso será um diferencial: gerenciar diversas contas dentro de um mesmo sistema e entender todas as informações consolidadas. Melhorar a análise de crédito e criar ofertas personalizadas também serão processos otimizados. Temos um cenário cheio de oportunidades sobre o Open Finance para os próximos anos”, finaliza Fernandes.