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As 3 torneiras que podem levar você à criatividade

A criatividade deve ser utilizada para promover a inovação com sucesso

O Brasil é um dos países mais criativos do mundo (Carol Yepes/Getty Images)

O Brasil é um dos países mais criativos do mundo (Carol Yepes/Getty Images)

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Tita Legarr e Denilson Shikako*

16 de janeiro de 2023, 18h15

A criatividade é considerada uma das maiores qualidades que o brasileiro se orgulha em ter. E não é à toa que o Brasil é conhecido por ser um dos maiores produtores de memes do mundo! Para entender a fundo a relação dos brasileiros com essa habilidade, a Faber-Castell Brasil lançou recentemente o Mapa da Criatividade, uma pesquisa de opinião realizada pelo departamento de marketing da empresa.

O estudo mostra que três em cada quatro pessoas se consideram criativas e 96% concordam que a criatividade pode ajudar a transformar o mundo, não sendo apenas uma capacidade artística, mas também de inovação e a solução de problemas. A pesquisa mostrou ainda que 85% da população concorda que a criatividade é uma habilidade treinável, afirmação já constatada pela ciência e por instituições de renome mundial, como a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Isto porque, da mesma forma que se vai na academia para exercitar os músculos e ficar sarado, é possível exercitar seu cérebro para melhorar suas funções e conseguir pensar criativamente. Por meio da flexibilidade criativa, é possível treinar o cérebro, abrir a mente e mudar o "modus operandi" do processo, criando sinapses, novos conceitos e referências.

Ser criativo nos ajuda a ter uma segunda resposta, pensar de outra forma, dar novas opções e maneiras de fazer as coisas, de encarar desafios e de solucionar problemas cotidianos. Por exemplo, ao longo da vida fomos treinados para criar uma solução perfeita. E quando perguntamos: Quanto é 3+3? Como desenhar uma casinha? Como se locomover do ponto A ao ponto B? Como fazer meu filho comer verdura? As respostas mais óbvias são: 6, com um quadrado de telhado triangular, em um meio de transporte convencional e "obrigando" seu filho a comer a verdura. Agora, imagine que se a gente tivesse sempre uma "segunda opção" de resposta: 33 é maior que 6. Por que não fazer casas em formatos de colmeias hexagonais? Para chegar no ponto B a internet pode me levar até lá. Acabei de fazer um prato em forma de jogo de tabuleiro e se meu filho comer as coisas coloridas (verduras) ganha mais pontos no jogo. Sem dúvida, com criatividade, tudo pode ficar muito mais divertido e envolvente.

A pesquisa da empresa revelou ainda que nove em cada dez pessoas concordam que viver uma vida com equilíbrio entre lazer, trabalho e estudo é essencial para ser criativo, opinião amplamente defendida pelo sociólogo italiano Domenico Dimazi, idealizador do conceito de ócio criativo, que sugere conciliar o trabalho com os estudos e o lazer de forma a equilibrá-los, sem se sobrecarregar, mas extraindo o máximo de cada momento, se entregando e dedicando inteiramente, desenvolvendo melhores ideias. Agora vamos imaginar três caixas dentro de um balde bem grande.

Em cima de cada uma das caixas há uma torneira que sai água nas cores primárias: azul, amarelo, vermelho. Considere cada torneira um aspecto da vida: lazer, trabalho e estudo. Se você quiser respostas "fora da caixa", aquelas respostas criativas do balde: amarelas, vermelhas ou azuis, ligue apenas uma torneira e deixe aberta o tempo suficiente até transbordar. Agora se quiser respostas, verdes, laranjas, roxas ou de qualquer outra cor, terá que ligar as 3 torneiras e podemos considerar a criatividade as "ideias do balde". Assim, para ter uma ideia "fora da caixa" a caixa tem que encher, transbordar e então cair no balde, porque não há como pensar fora da caixa se ela não estiver transbordando de novos conceitos, valores, referências e experiências, como um grande repertório da vida. Por exemplo, as crianças são criativas, mas é difícil ver uma criança inventando a cura do câncer, uma startup ou uma patente e por quê? Porque a criança ainda não teve tempo para desenvolver um repertório suficiente para fazer a caixa transbordar.

Outro aspecto interessante neste contexto de cultura e aprendizagem criativa é o conceito de “LifeLong Learning”, que significa “aprender por toda a vida”, de diversas formas, em vários lugares e no tempo que melhor convier, como escutar um podcast, curtir uma música, assistir a uma série, ou até mesmo ler um livro. Fazendo isso, a pessoa aprende o tempo todo, inclusive nos momentos de lazer e de acordo com a sua disponibilidade e vontade. Nesse sentido, cada vez mais o mundo do lazer, do trabalho e do estudo se misturam.

Por fim, não poderíamos deixar de falar sobre o papel das redes sociais para o incentivo da cultura criativa. Ainda segundo a pesquisa, as redes sociais são a maior fonte para a criatividade e os top 3 conteúdos onde as pessoas buscam inspiração são: canais como Instagram, Pinterest, Youtube, Facebook, dentre outros (45%). Na sequência, filmes, séries e peças de teatro foram indicados por 34% dos entrevistados, e músicas por 32%. Sem dúvida, as redes sociais contribuem por ser essa fonte inesgotável de possibilidades e a Internet nos possibilita conectar com todos os lugares do mundo. Isso faz com que a nossa caixa de ideias esteja sempre cheia.

Conseguimos ter referência no mundo todo e estar antenado no que está acontecendo em vários lugares ao mesmo tempo. Como não há muitas regras na web, isso faz com que a nossa fonte de ideias seja um processo inesgotável de informação. O cara que inventou a cola em bastão olhou pra esposa passando batom e pensou, vou fazer uma cola no formato batom. A pessoa que inventou a roda provavelmente teve que desviar de uma pedra redonda que descia mais rápido que ele a montanha. O nosso cérebro precisa de "imagens, referências e conexões" para criar coisas novas. As redes sociais hoje são uma fonte inesgotável disso. Com a comodidade de não ter que desviar de pedras nem ter que pedir batons emprestados.

*Tita Legarra é sócia da empresa de Gestão em Inovação, Fábrica de Criatividade e Denilson Shikako é fundador e consultor de inovação da Fábrica de Criatividade.

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