CIOs avançam no retorno dos investimentos em IA, mas alinhamento com negócios e disputa por talentos ainda desafiam a transformação (Gorodenkoff/Shutterstock)
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Publicado em 21 de agosto de 2026 às 13h00.
Apenas 17% dos CIOs (diretores de tecnologia da informação) classificam a entrega de soluções de IA como uma responsabilidade central do cargo, mesmo com 54% dos líderes de tecnologia relatando ROI positivo nesses investimentos.
Os dados, do relatório CIO 2026 Outlook da Experis, apontam para a cobrança por resultado como definidor das prioridades do cargo: o alinhamento entre a estratégia de TI e os objetivos de negócios superou pela primeira vez o fortalecimento da cibersegurança (37%) como a ação mais citada pelos CIOs, apontada por 48% dos executivos, ante 34% em 2025.
O relatório da marca de busca, contratação e gestão de talentos tecnológicos do ManpowerGroup, baseou-se em uma pesquisa realizada com 1.930 líderes seniores de tecnologia em 12 países.
Para 44% dos entrevistados, acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas é o principal obstáculo da gestão, e 61% afirmam que a alta diretoria das empresas ainda não compreende plenamente o papel e as responsabilidades do CIO, percentual que era de 49% em 2025.
“Na América Latina, vemos uma dupla realidade: de um lado, organizações que estão acelerando a adoção de inteligência artificial, e de outro, uma lacuna importante no alinhamento entre tecnologia e negócios. O desafio para os CIOs na região não é apenas demonstrar o ROI, mas fazer isso em contextos onde a maturidade digital ainda é desigual", destaca Jorge Gamero, diretor da Experis para a América Latina.
Essa exigência por governança e entregas práticas na era da IA se traduz, no Brasil, em disposição concreta de investimento em talento.
Dados da Pesquisa de Expectativa de Emprego — MEOS Q3 2026 mostram que os empregadores do país estão cada vez mais dispostos a pagar salários premium por competências que sustentem essa transição tecnológica.
Nos setores nacionais de Informação e de Serviços de TI, a disposição a remunerar acima da média por profissionais com habilidades de desenvolvimento de aplicações e modelos de IA lidera entre todas as competências avaliadas, citada por 86% das empresas.
Na sequência, o letramento em IA, que é a capacidade técnica de aplicar as ferramentas nas rotinas operacionais, aparece como prioridade de remuneração para 83% das empresas do setor de Informação e 81% de Serviços de TI.
A base operacional também segue valorizada: as competências tradicionais em TI e dados continuam entre os critérios de premiação salarial mais citados, por 77% e 78% dos contratantes dessas áreas, respectivamente.
“Nos mercados latino-americanos, o papel do CIO está evoluindo rapidamente para uma função mais estratégica, mas ainda há uma importante oportunidade para fortalecer a compreensão desse papel dentro do negócio. Sem esse alinhamento, mesmo as melhores iniciativas de IA correm o risco de ficar no nível das expectativas e não gerar impacto”, conclui Gamero.