Mercados: investidores acompanham petróleo, juros e cenário eleitoral. (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 12h34.
O Ibovespa opera, no pregão desta quinta-feira, 20, em forte alta, recuperando o nível dos 170 mil pontos em um movimento de maior apetite por risco nos mercados. Por volta das 12h30 (horário de Brasília), o principal índice da B3 subia 2,02%, aos 171.315 pontos. O dólar comercial, por sua vez, recuava 0,58%, a R$ 5,162.
Entre as principais ações do índice, Vale (VALE3) avançava 1,85%, enquanto Petrobras também operava no campo positivo, com alta de 0,43% nas ações preferenciais (PETR4) e de 0,18% nas ordinárias (PETR3). Axia Energia (AXIA3) subia 2,64%. O movimento de alta também era acompanhado pelas ações dos grandes bancos. Itaú Unibanco (ITUB4) avançava 2,27%, enquanto Bradesco (BBDC4) subia 2,73%.
Entre as maiores altas do pregão, Vamos (VAMO3) disparava 9,68%, seguida por Magazine Luiza (MGLU3), com alta de 7,22%, e Usiminas (USIM5), que avançava 6,59%. CSN (CSNA3) também aparecia entre os destaques positivos, com ganho de 6,29%.
Na ponta negativa, apenas duas ações recuavam. Braskem (BRKM5) recuava 3,33%, a maior queda entre os papéis acompanhados. PetroReconcavo (RECV3) caía 0,38%.
Para o especialista em investimentos do grupo Axia Investing, Felipe Sant'Anna, o movimento positivo da abertura é sustentado principalmente pela recuperação das ações de bancos e pela alta do petróleo. Porém, avalia que o movimento ainda é incipiente e pode perder força ao longo do dia.
"Não podemos nos esquecer que hoje é sexta-feira, dia tradicional de realização de lucros, quando os investidores buscam mais proteção", pontuou.
Já na avaliação da estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, o movimento é resultado de um cabo de guerra entre oportunidades táticas e um cenário macroeconômico mais pressionado. No exterior, o acirramento das tensões envolvendo o Irã aumenta a cautela dos investidores e mantém os preços do petróleo em níveis elevados.
Apesar do ambiente externo mais cauteloso, a estrategista destaca o papel das blue chips brasileiras, especialmente Vale e Petrobras, como suporte para o Ibovespa. O pregão é marcado também por ajustes de posições à medida que novas informações surgem no exterior.
O petróleo também contribui para o ambiente positivo dos ativos ligados à commodity. Referência global, o Brent subia 0,42%, negociado a US$ 94,19 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), parâmetro de preços nos Estados Unidos, se mantinha estável a US$ 86,62.
Os preços caminham para a segunda semana consecutiva de ganhos, em meio à redução das expectativas de uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte global de petróleo.
A posição mais dura dos EUA em relação ao Irã voltou a aumentar a incerteza sobre o fluxo de embarcações na região. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington pretende impor sanções severas ao país, enquanto o tráfego pelo estreito segue em ritmo reduzido.
O cenário também afeta os derivados de petróleo. As margens do diesel atingiram níveis recordes diante dos temores de falta de oferta no curto prazo, em um mercado marcado por demanda sustentada e estoques reduzidos.
Nos EUA, os mercados acionários avançam após uma sessão de fortes perdas provocadas pela alta dos rendimentos dos Treasuries. O Dow Jones subia 0,78%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq avançavam 0,48% e 0,29%, respectivamente.
A recuperação ocorre após o S&P 500 e o Nasdaq recuarem 0,9% e 1%, respectivamente, na sessão anterior. Na semana, os dois índices acumulam perdas de 1,9% e 2,5%, enquanto o Dow Jones cai 1,8%.
O movimento dos mercados acionários continua condicionado ao comportamento dos títulos do Tesouro americano. A alta dos preços do petróleo também alimenta preocupações com a inflação, pressionando os juros dos papéis de longo prazo.
O ouro também se beneficia do dólar mais fraco e atingiu o maior nível em três meses.
Na Europa, as bolsas operam majoritariamente em alta, após uma abertura sem direção única. O índice pan-europeu Stoxx 600 subia 0,49%, enquanto o DAX, de Frankfurt, avançava 0,40%. O FTSE 100, de Londres, ganhava 0,60%, o CAC 40, de Paris, subia 0,30%, e o FTSE MIB, de Milão, avançava 0,09%.
Mineradoras e bancos lideravam os ganhos, enquanto os setores de saúde e mídia apresentavam desempenho inferior ao restante do mercado.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em direções distintas. O Nikkei 225, do Japão, caiu 0,30%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,88%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,27%. Em Hong Kong, o Hang Seng subia 1,06% no fim do pregão, enquanto o CSI 300, da China continental, fechou em 0,57%.