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UE-Mercosul: à véspera da assinatura, Lula se reúne com Von der Leyen

Encontro acontece no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro; presidente não viaja para assinatura, que acontece no sábado, 17, no Paraguai

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 06h20.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 06h42.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta sexta-feira, 16, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O encontro acontece no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, após uma semana da União Europeia aprovar o acordo UE-Mercosul.

Segundo o Itamaraty, a reunião servirá para discutir temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo comercial, que está previsto para ser assinado neste sábado, 17, em Assunção, no Paraguai, após 25 anos de negociações.

Lula, no entanto, não viajará para a cerimônia de assinatura. O evento será realizado em nível ministerial e o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

O tratado prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo e deve gerar impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diversos segmentos da indústria brasileira.

A expectativa do governo brasileiro era concluir a assinatura ainda durante a presidência pro-tempore do Brasil no Mercosul, encerrada em dezembro. No entanto, um pedido de adiamento feito pela Itália — em meio à resistência de países como França e Polônia — acabou atrasando a conclusão do acordo.

Críticas do setor agropecuário

Negociado desde 1999 com o bloco da América do Sul, a proposta enfrentou forte resistência do setor agropecuário europeu, que teme o impacto de uma chegada intensa de carne, arroz, mel ou soja sul-americanos, em troca da exportação de veículos, maquinaria, queijos e vinhos europeus para o Mercosul.

Os críticos do pacto, em especial França e Polônia, acreditam que o mercado europeu pode ser seriamente abalado pela entrada de produtos sul-americanos mais competitivos devido a normas de produção consideradas menos rigorosas.

Países defensores, como Espanha e Alemanha, consideram, ao contrário, que o acordo diversificará as oportunidades comerciais para uma UE ameaçada pela concorrência chinesa e pela política tarifária dos Estados Unidos.

Apesar da oposição, estimativas da própria Comissão Europeia apontam que as exportações agroalimentares do bloco para os países sul-americanos devem crescer 50% com o acordo, beneficiadas pela redução de tarifas sobre produtos como vinhos e bebidas alcoólicas (até 35%), chocolate (20%) e azeite (10%).

Para acalmar os agricultores e pecuaristas, foram elaboradas uma série de cláusulas e concessões nos últimos meses. Em dezembro, a Comissão anunciou que abrirá uma investigação se o preço de um produto do Mercosul for pelo menos 8% inferior ao da mesma mercadoria na UE, e se o volume de importações aumentar mais de 8%.

O Executivo europeu comprometeu-se ainda a legislar sobre os resíduos de pesticidas nas importações, um aspecto que os agricultores denunciam como indício de “concorrência desleal”. A Comissão anunciou nesta semana a proibição total de três substâncias: tiofanato-metilo, carbendazima e benomilo, sobretudo em frutas cítricas, mangas e papaias.

A França decretou a suspensão temporária de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, principalmente sul-americanos. Abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, entre outros, não poderão entrar na França se contiverem cinco fungicidas e herbicidas proibidos na Europa.

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