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Às vésperas da assinatura, agro francês vai à Justiça da UE contra Mercosul

Movimento é liderado pela Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores (FNSEA), principal entidade do setor na França

Protestos na França: agricultores franceses protestam contra o acordo UE e Mercosul (La FNSEA/Divulgação)

Protestos na França: agricultores franceses protestam contra o acordo UE e Mercosul (La FNSEA/Divulgação)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 10h09.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 19h45.

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Às vésperas da assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, os agricultores franceses anunciaram nesta sexta-feira, 16, que vão acionar o Tribunal de Justiça da UE para tentar barrar a tratativa.

O movimento é liderado pela Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores (FNSEA), principal entidade do setor na França. Desde o início de janeiro, o sindicato tem convocado protestos contra a assinatura do tratado.

“Após nossa mobilização em Bruxelas, no dia 18 de dezembro, seguimos para Estrasburgo: todos em frente ao Parlamento Europeu no dia 20 de janeiro. Vamos acionar o Tribunal de Justiça da União Europeia!”, publicou a entidade em sua conta no X (antigo Twitter).

A FNSEA, ao lado de outras associações agrícolas da União Europeia, tem intensificado as manifestações contra o acordo.

Os agricultores argumentam que o setor agropecuário europeu perderá competitividade diante das commodities do Mercosul, especialmente as brasileiras, que têm custos mais baixos França e Polônia são hoje as principais barreiras à aprovação do tratado.

Na quarta-feira, 14, produtores rurais distribuíram batatas na Ponte Concorde, na França, para denunciar 'os padrões de produção cada vez mais exigentes que prejudicam a competitividade das fazendas de batata', disseram.

Apesar da oposição, estimativas da Comissão Europeia indicam que as exportações agroalimentares do bloco para os países sul-americanos devem crescer 50% com o acordo, impulsionadas pela redução de tarifas sobre produtos como vinhos e bebidas alcoólicas (até 35%), chocolate (20%) e azeite (10%).

Previsto para ser assinado neste sábado, em Assunção, no Paraguai, o acordo foi destravado após 25 anos de negociações entre os dois blocos.

Acordo UE-Mercosul

Nesta sexta-feira, 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunirá com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Segundo o Palácio do Planalto, eles devem discutir temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado pelos europeus na semana passada.

A reunião, que ocorrerá no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, está prevista para as 13h e será seguida de uma declaração conjunta à imprensa.

Na última terça-feira, 13, Lula conversou com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e os dois concordaram em trabalhar conjuntamente, de forma rápida e eficiente, para a implementação do acordo, de modo que as populações possam ver resultados concretos da parceria.

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