Victoria's Secret: empresa quer recuperar relevância cultural e reconquistar consumidoras (Taylor Hill / Colaborador/Getty Images)
Colaboradora na Exame
Publicado em 24 de maio de 2026 às 17h00.
A Victoria's Secret quer usar o sexy para recuperar sua relevância cultural e reconquistar consumidoras. A companhia anunciou que suas ações passarão a ser negociadas na Bolsa de Nova York sob o ticker “VSXY”, substituindo o antigo “VSCO”, em um movimento para reforçar o novo posicionamento da marca sob o comando da CEO Hillary Super. “VSXY é um marco de quem somos hoje”, disse a executiva, de acordo com o Wall Street Journal.
Para Super, a mudança no código de negociação simboliza uma companhia mais confiante em sua identidade e comprometida em “celebrar o sexy em todas as suas formas”. A executiva relembra que o “sexy sempre fez parte do nosso DNA”, em comunicado divulgado pela empresa, segundo a Bloomberg.
O novo ticker começará a valer em 2 de junho, mesma data em que a companhia deve divulgar seus próximos resultados trimestrais.
A estratégia faz parte de uma tentativa mais ampla de recuperação da Victoria’s Secret após anos de perda de relevância cultural e de participação de mercado. Na última década, a companhia perdeu espaço no segmento de sutiãs para concorrentes como American Eagle Outfitters e outras marcas que avançaram com propostas mais inclusivas e confortáveis.
Desde que assumiu o comando da empresa, em setembro de 2024, Hillary Super vem tentando reposicionar a marca sem abandonar completamente a imagem sensual que marcou a trajetória da Victoria’s Secret. A empresa voltou a investir fortemente na categoria de sutiãs e relançou o Victoria’s Secret Fashion Show, apresentado como o início de uma “nova era do sexy”.
A nova estratégia, porém, busca se distanciar da antiga imagem da marca, frequentemente criticada por reforçar padrões restritivos de beleza. Segundo Super, o conceito de sexy hoje é definido pelas próprias consumidoras.
De acordo com o WSJ, em carta publicada no site da Victoria’s Secret, Super disse que sentir‑se sexy importa para as mulheres. “Mas sexy não é um único visual, um único momento nem uma única definição”, afirmou. “Sexy é uma sensação profundamente pessoal, e cada mulher terá uma perspectiva diferente sobre isso.”
A companhia vem lançando produtos dentro da linha “Very Sexy”, incluindo modelos de sutiã “double push-up”, mas também aposta em conforto. Um dos exemplos citados pela empresa é o sutiã FlexFactor, que possui aro revestido em tecido para reduzir desconforto.
A analista da Bloomberg, Mary Ross Gilbert, elogia a mudança, dizendo que “as mulheres adoram se sentir sexy”. Para Gilbert, atualmente, a definição de sexy é feita pelas mulheres, não pelos homens. “É inclusiva para todos os tamanhos e etnias, formada pela interpretação das clientes sobre o que as faz se sentirem sexy”, afirmou à agência.
As mudanças começam a aparecer nos números. Antes da chegada de Super, a Victoria’s Secret registrava queda nas vendas em praticamente todos os trimestres por mais de dois anos.
Desde então, as vendas comparáveis recuaram apenas uma vez. Nos dois trimestres mais recentes, a empresa registrou crescimento de 8% nesse indicador, enquanto analistas projetam alta de 12% no período atual, de acordo com a Bloomberg.
As ações também reagiram. Depois de um início instável na gestão da nova CEO, os papéis mais do que dobraram de valor desde sua chegada, há cerca de 18 meses.
A troca para VSXY também coloca a Victoria’s Secret em uma lista de empresas que usam o ticker como extensão da identidade da marca.
A Anheuser-Busch InBev negocia suas ações sob o código “BUD”, referência à Budweiser. A Petco Health and Wellness usa “WOOF”, enquanto a Six Flags Entertainment negocia sob “FUN”. Já a Dave and Buster's Entertainment utiliza o ticker “PLAY”.