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Caiado, Renan e Zema criticam Lula e Flávio Bolsonaro por tarifaço dos EUA

Aproveitando a associação de Flávio Bolsonaro com as tarifas dos Estados Unidos, pré-candidatos à Presidência da República atacam os dois principais adversários

Tarifaço: governo brasileiro reagiu ao tarifaço com uma nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Ricardo Stuckert / PR/Agência Senado/Agência Câmara/Esfera Brasil/Montagem /Flickr)

Tarifaço: governo brasileiro reagiu ao tarifaço com uma nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Ricardo Stuckert / PR/Agência Senado/Agência Câmara/Esfera Brasil/Montagem /Flickr)

Letícia Cassiano
Letícia Cassiano

Colaboradora

Publicado em 16 de julho de 2026 às 13h52.

Última atualização em 16 de julho de 2026 às 13h54.

O novo pacote de tarifas anunciado na última quarta-feira, 15, pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros gerou reações dos presidenciáveis.

Os três pré-candidatos que melhor pontuam nas pesquisas de intenção de voto, depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), publicaram posicionamentos contra o tarifaço culpando os dois principais adversários pela penalidade americana.

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), publicou um vídeo em suas redes sociais atacando Lula e Flávio. “Um fazendo piada da dentadura do Trump, e o outro realmente pedindo para que fosse adiado para depois das votações”, afirmou Caiado no vídeo.

“Então eu pergunto ao Lula e ao Flávio: vocês estão defendendo o interesse de uma campanha eleitoral. O Brasil ficou de fora da defesa de vocês?”, disse.

Já o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), direcionou seus argumentos contra a imposição injusta das tarifas. No final de sua fala, criticou a posição do governo Lula.

“O governo brasileiro errou nas negociações, criando atritos desnecessários e adotando um discurso eleitoreiro. Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter evitado uma retaliação que, de qualquer forma, não se justifica”, afirmou.

“Mas uma coisa tem que ficar clara: os erros do governo Lula não justificam o tarifaço americano”, finalizou sem citar Flávio Bolsonaro.

O pré-candidato Renan Santos (Missão), que apresenta crescimento nas últimas pesquisas, ainda que permaneça no patamar de intenção de voto de Caiado e Zema, também se posicionou.

“De um lado, o governo busca uma polarização infantil, que é o caso do Lula. Do outro, os submissos ao senhor Trump, que são a família Bolsonaro, ficam tentando se promover, como fizeram naquela ida ridícula aos Estados Unidos”, afirmou em vídeo.

Em sua fala, o pré-candidato do Missão ironizou a postura “subserviente” do clã Bolsonaro aos Estados Unidos.

“Flávio Bolsonaro cobrou os outros presidenciáveis a irem aos Estados Unidos agradar o Donald Trump. Pois bem, sensibilizou bastante. O Brasil toma tarifa enquanto você faz campanha rodando com dinheiro público”, disse.

O novo tarifaço

Na última quarta-feira, 15 de julho, o governo dos Estados Unidos anunciou um novo pacote de tarifas, apelidado de tarifaço, sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros.

A data marca a conclusão da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) contra o Brasil.

O anúncio das tarifas aconteceu em 2 de junho, poucos dias depois de uma visita de Flávio ao presidente estadunidense Donald Trump, na Casa Branca, em 26 de maio.

Em 7 de julho, Flávio Bolsonaro participou de uma audiência pública do USTR e defendeu que eventuais medidas comerciais contra o Brasil fossem adiadas para depois das eleições de outubro.

Reação do governo Lula e de Flávio Bolsonaro ao tarifaço

O governo brasileiro reagiu ao tarifaço com uma nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em que a gestão Lula argumenta contra a imposição e lista as medidas a serem tomadas.

“O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, diz um trecho da nota.

Dentre as medidas citadas para abafar os efeitos do tarifaço estão diversificar parcerias comerciais e abrir novos mercados, a proteção aos setores afetados por meio do Plano Brasil Soberano e dar início aos trâmites legais dentro da Lei da Reciprocidade.

A nota ainda relaciona o desfecho das investigações a uma colaboração ativa da família Bolsonaro. “Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, termina a nota.

Flávio Bolsonaro também foi às redes sociais se posicionar sobre as tarifas. No vídeo, o senador acusa o presidente Lula de provocar Donald Trump. Segundo o filho de Jair Bolsonaro, o petista estaria usando as tarifas como estratégia eleitoral.

“Enquanto eu estava nos EUA tentando evitar o tarifaço, Lula preferiu provocar Trump. O Brasil sequer enviou representantes para defender os nossos interesses”, diz a legenda do post.

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