Repórter
Publicado em 20 de julho de 2026 às 09h48.
O governo federal inicia nesta segunda-feira, 20, uma série de reuniões com representantes dos setores mais atingidos pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O objetivo é dimensionar os impactos da medida e reunir informações que orientarão o pacote de apoio às empresas exportadoras, cuja estrutura vem sendo preparada pelo Executivo. As tarifas entram em vigor na quarta-feira.
Coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os encontros vão reunir separadamente representantes de cada segmento afetado. A estratégia é identificar perdas de contratos, riscos para a produção, efeitos sobre o emprego e demandas por crédito antes da definição das medidas.
A avaliação do governo é que ainda não existe um diagnóstico consolidado sobre os impactos da sobretaxa em cada cadeia produtiva. Por isso, a equipe econômica pretende construir as ações em conjunto com o setor privado antes de definir o volume de recursos e os instrumentos que serão utilizados.
As reuniões acontecem poucos dias após o anúncio de que o governo prepara um programa para reduzir os efeitos da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as exportações brasileiras.
Entre as alternativas em análise estão a ampliação de mecanismos já existentes no Plano Brasil Soberano, a criação de novas linhas de financiamento, o reforço das ações de promoção comercial e iniciativas para acelerar a abertura de novos mercados para produtos brasileiros.
Segundo integrantes da equipe econômica, o alcance das medidas será calibrado de acordo com os prejuízos identificados em cada setor, respeitando as restrições fiscais e priorizando as atividades consideradas mais vulneráveis à perda do mercado americano.
Entre os segmentos convocados para as reuniões estão indústrias com maior exposição às vendas para os Estados Unidos, como os setores de máquinas e equipamentos, madeira, móveis, papel, calçados, plásticos e outros ramos exportadores.
O governo pretende mapear quais cadeias produtivas sofrerão os maiores impactos para definir a intensidade do apoio financeiro e das demais medidas de mitigação.
Na última semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Executivo não pretende deixar empresários, produtores rurais, caminhoneiros e trabalhadores "na mão", mas ressaltou que qualquer iniciativa será adotada de forma criteriosa e compatível com o compromisso de equilíbrio das contas públicas.
Enquanto avança na elaboração do pacote de apoio, o governo brasileiro mantém negociações com autoridades americanas para tentar reverter ou reduzir os efeitos da sobretaxa.
Ao mesmo tempo, o Brasil segue avaliando os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e as possibilidades de atuação no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A avaliação dentro do governo, segundo O Globo, é que uma eventual resposta comercial dependerá da evolução das negociações bilaterais com os Estados Unidos.
*Com O Globo