Leonardo de Castro, vice-presidente da CNI, durante evento do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da EXAME, em São Paulo, nesta terça-feira, 25. (Eduardo Frazão/Exame)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 10h48.
Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 12h47.
O subsídio à indústria brasileira funciona como um “pronto-socorro” para compensar problemas estruturais que encarecem a produção no país, disse Leonardo de Castro, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante evento do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da EXAME, em São Paulo, nesta terça-feira, 25.
“Subsídio, incentivo para a indústria brasileira é pronto-socorro para enfrentar uma coisa estrutural chamada Custo Brasil”, afirmou. Segundo o executivo, a indústria não busca depender de incentivos, mas competir em condições semelhantes às encontradas por empresas de outros países.
“A gente não quer isso. A gente quer reduzir o Custo Brasil. A gente quer equidade de condição competitiva com os países da OCDE”, disse.
Para Castro, o custo de produzir no país é tão elevado que leva as empresas a recorrer aos incentivos como forma de compensar as desvantagens existentes. “É tão caro quando nós produzimos no Brasil que a indústria tem que estar de pires na mão pedindo subsídio”, afirmou.
Os números apresentados pelo executivo ajudam a dimensionar a perda de competitividade. De 2000 a 2024, a produtividade total dos fatores no Brasil caiu 10%, segundo os dados citados durante o evento.
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No mesmo período, afirmou, China e Estados Unidos quase dobraram a produtividade. O Reino Unido também registrou avanço próximo desse patamar. Na América Latina, a Colômbia cresceu 47%, enquanto o México avançou 22%. “Estamos andando, e de forma acelerada, para trás”, disse.
Para o vice-presidente da CNI, a diferença de desempenho deveria acender um alerta entre os responsáveis pela formulação das políticas públicas. “É preciso que a classe política, que é quem toma as decisões do país, compreenda, porque esse modelo de país não vai ficar de pé”, afirmou.
Castro também comparou a trajetória brasileira com a de outras economias emergentes e destacou o avanço da Índia como polo industrial. “A Índia está se tornando o que a China já foi, e é a indústria do mundo, onde se fabrica”, afirmou. “E a China, que era onde se fabricava, agora é de alta tecnologia. E nós somos mercado.”
Na avaliação do executivo, esse movimento também traz consequências para a soberania brasileira, à medida que o país perde capacidade produtiva e amplia sua dependência de bens fabricados no exterior.
Além do Custo Brasil, Castro apontou juros elevados e câmbio valorizado como entraves à competitividade das empresas nacionais.
Ele classificou a estabilização da moeda, em 1994, como um momento importante para a economia brasileira, mas avaliou que o país continuou recorrendo às mesmas ferramentas macroeconômicas.
“Nós aprendemos aqui a utilizar duas ferramentas, juro e câmbio, e eu acho que depois a gente parou de estudar, porque continua a mesma ferramenta”.
O executivo citou um juro real de 10% para ilustrar o ambiente enfrentado pelas empresas. “É impossível ser competitivo num ambiente de juro que o Brasil vive há anos. É impossível”, afirmou.
Castro contestou ainda a leitura de que o setor busca privilégios ao defender políticas de incentivo. Para ele, o problema está em fatores que extrapolam a atuação das próprias empresas e reduzem sua capacidade de competir com produtos estrangeiros.
“A indústria quer ser mais produtiva, mais competitiva, mais livre, mais responsável socialmente”, afirmou. Segundo ele, porém, os avanços feitos pelas empresas acabam sendo “engolidos pelos macro custos do Brasil”, sobretudo juros e câmbio.