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Trabalhador latino-americano tem 26% da produtividade de um norte-americano

Relatório do BID mostra que a produtividade da região está estagnada há décadas e explica por que esse indicador é decisivo para salários, crescimento econômico e geração de empregos

Trabalho formal: na América Latina, a formalização do trabalho é um desafio para o desenvolvimento econômico (Leandro Fonseca/Exame)

Trabalho formal: na América Latina, a formalização do trabalho é um desafio para o desenvolvimento econômico (Leandro Fonseca/Exame)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 14h54.

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As condições de trabalho na América Latina melhoraram nas últimas três décadas, mas em um ritmo insuficiente para aproximar a região das economias mais desenvolvidas. Segundo o relatório "Fazer os mercados de trabalho funcionarem", divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a produtividade média da América Latina corresponde hoje a apenas 26% da registrada nos Estados Unidos.

Na prática, isso significa que quase quatro trabalhadores latino-americanos precisam produzir para gerar o mesmo resultado econômico de um único trabalhador americano.

Além disso, a renda real dos trabalhadores cresceu apenas 18% nos últimos 30 anos, cerca de metade do avanço registrado nos países da OCDE. Um dos principais motivos para esse desempenho é a baixa produtividade da região, de acordo com o Banco.

A produtividade do trabalho mede quanto cada trabalhador consegue produzir, em média. O indicador normalmente é calculado dividindo o Produto Interno Bruto (PIB) pelo número de pessoas ocupadas.

Na prática, produtividade não significa trabalhar mais horas, mas sim produzir mais valor utilizando tecnologia, qualificação profissional, infraestrutura, equipamentos e processos mais eficientes.

Por que produtividade é tão importante?

O crescimento sustentado da produtividade é considerado a principal condição para elevar salários, melhorar a qualidade dos empregos e acelerar o crescimento econômico, segundo o BID.

Isso acontece porque trabalhadores mais produtivos geram maior valor para empresas e para a economia, abrindo espaço para investimentos e remunerações mais altas.

O relatório ressalta, porém, que o aumento da produtividade, sozinho, não garante melhora na renda. Para que o padrão de vida avance, os ganhos precisam chegar aos trabalhadores.

"Os ganhos de produtividade só elevam o nível de vida quando chegam aos trabalhadores por meio de melhores salários", resume o estudo.

Brasil aparece como exemplo positivo

Nem todos os países latino-americanos conseguiram transformar ganhos econômicos em aumento da renda. Segundo o BID, em países como Panamá e República Dominicana, o PIB por trabalhador cresceu de forma significativa desde 2000, mas os salários praticamente não acompanharam essa evolução.

Já o Brasil aparece ao lado da Bolívia como um exemplo diferente. No país, o aumento da produtividade ocorreu acompanhado pelo crescimento da renda real dos trabalhadores, mostrando que parte dos ganhos econômicos foi distribuída aos empregados.

Para o BID, essa relação é um dos principais fatores para melhorar efetivamente o padrão de vida da população.

Mercado de trabalho ainda limita ganhos de eficiência

Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, a estrutura do mercado de trabalho continua dificultando o aumento da produtividade.

Em 2024, 46% dos trabalhadores latino-americanos ainda atuavam como autônomos ou empregados de microempresas, segmentos normalmente associados a menor escala de produção, pouco investimento e baixa incorporação de tecnologia.

Ao mesmo tempo, apenas 28% dos trabalhadores da região ocupavam um emprego considerado "padrão", isto é, um posto assalariado em empresa privada com cobertura de seguridade social.

Segundo os pesquisadores, essa configuração ajuda a explicar por que a produtividade permanece praticamente estagnada há décadas.

Desafio cresce com inteligência artificial e envelhecimento

A expansão da inteligência artificial, do trabalho remoto e das plataformas digitais aumenta a demanda por novas habilidades profissionais, enquanto o envelhecimento da população reduz o crescimento da força de trabalho e amplia a pressão sobre os sistemas previdenciários, de acordo com o BID.

Além disso, o banco alerta que as competências dos trabalhadores estão ficando defasadas em relação às necessidades das empresas.

Para enfrentar esse cenário, o relatório recomenda ampliar investimentos em qualificação profissional, proteção social e sistemas de aposentadoria, além de criar políticas capazes de estimular a contratação formal e elevar a produtividade.

Segundo o BID, sem esses avanços, a América Latina continuará distante dos níveis de renda, produtividade e qualidade do mercado de trabalho observados nas economias mais desenvolvidas.

Acompanhe tudo sobre:Emprego formalEmpregosIA e mercado de trabalho

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