Futuro do Brasil: EXAME e MBC discutem próximos passos do país em evento (Eduardo Frazão/Exame)
Colaboradora
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 11h07.
Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 14h41.
O setor produtivo brasileiro está em segundo plano, segundo diagnóstico feito por representantes do varejo, da indústria e da infraestrutura em evento do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da EXAME, em São Paulo, nesta terça-feira, 25.
Para Léo de Castro, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), é impossível conviver com um país que não olha para a produção como política de Estado. Entre juros altos (14% ao ano) e câmbio supervalorizado, o ‘Custo Brasil’ não só limita o crescimento, como tira as possibilidades de sobrevivência.
“Gostaria muito que o empresário brasileiro tivesse mais medo de não investir do que de investir”.
Olhando para o agro, Castro apontou a capacidade brasileira de criar políticas de desenvolvimento público, e defendeu que o próprio progresso da indústria deve ser uma política de Estado. Em uma mão, citou a redução da relevância do setor na economia brasileira. Na outra, citou crédito, capacitação do capital humano e os efeitos positivos de investimento no setor.
Segundo o executivo, quando a indústria perde tamanho, o país empobrece. “Andamos aceleradamente para trás, diminuindo a produtividade enquanto outros países aumentam. Perdemos soberania quando deixamos de produzir internamente.”
Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, sintetizou a relação entre esse custo e a falta de investimentos públicos na produção brasileira. “Percebemos que a fórmula não vai dar certo”, afirmou. “No orçamento dos próximos anos, não vemos espaço para infraestrutura. Precisamos de ajuste de despesas. Não se gasta mais do que se ganha.”
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Questionado sobre energia, Glanzmann defendeu uma revisão dos protocolos de regulamentação e de investimento. “O Brasil tem potencial para a transição energética, mas esse desenvolvimento esbarra nos problemas tradicionais do país.”
Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV, foi além. “Temos alguns fatores que tornam os desafios do varejo enormes", disse.
Representante de um dos setores mais próximos da população, que irá às urnas em outubro deste ano, citou a inadimplência crescente da população, cujo endividamento familiar chegou a 80,9% em abril, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Ainda mais urgente para o seu setor, Jorge apontou problemas contemporâneos e políticas que chamou de populistas, como a revogação da “taxa das blusinhas”, que taxava compras internacionais de até US$ 50 e equilibrava a competição com os marketplaces estrangeiros, e a falta de regulação das bets.
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) citados pelo presidente, cerca de R$ 30 bilhões deixam de circular no país com o gasto em casas de apostas online legalizadas, que correspondem a 60% das empresas do tipo.