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Sem participação de Lula, Agrishow deverá ser palanque para presidenciáveis da oposição

Presidente não compareceu a nenhuma edição do evento em seu terceiro mandato

Presidente Lula e senador Flávio Bolsonaro são os principais pré-candidatos na eleição deste ano (Odd Andersen/AFP/Reprodução/Redes Sociais/Montagem EXAME)

Presidente Lula e senador Flávio Bolsonaro são os principais pré-candidatos na eleição deste ano (Odd Andersen/AFP/Reprodução/Redes Sociais/Montagem EXAME)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 27 de abril de 2026 às 13h24.

Última atualização em 27 de abril de 2026 às 14h15.

A Agrishow, maior feira do segmento agroindustrial do país, realizada em Ribeirão Preto (SP) até 1º de maio, não vai ter a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas está na agenda dos principais presidenciáveis de direita.

Nesta segunda-feira, 27, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro criticou a gestão de Lula por anunciar "só" R$ 10 bilhões de crédito ao setor durante a feira. O anúncio foi feito pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro da Agricultura, André de Paula, no domingo, 26 durante a abertura do evento.

Além de Flávio, vão à Agrishow os pré-candidatos à presidência Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), ambos do campo da direita e críticos a Lula. O ex-governador de Minas Gerais vai à feira na manhã desta terça e Caiado deverá comparecer na manhã da quarta-feira. Zema tem discurso próximo ao do bolsonarismo e ganhou destaque nas redes sociais por seu recente enfrentamento com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.

Ausência de Lula

Lula não participou de nenhuma edição da Agrishow durante seu terceiro mandato. A relação do atual presidente com a organização do evento não é das melhores. Em 2023, por exemplo, o então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que representaria Lula na feira, afirmou ter sido desconvidado a participar da abertura da Agrishow, supostamente porque Jair Bolsonaro estaria presente no mesmo local. O impasse irritou parte do governo à época e chegou-se a falar em corte de patrocínios estatais, o que não chegou a se concretizar.

No ano seguinte, o governo federal enviou ao evento Fávaro e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Em 2024, o governo anunciou na feira a ampliação de crédito ao setor via BNDES.

No ano passado, Fávaro não foi à abertura do evento e Alckmin representou novamente o governo Lula. Na ocasião, o presidente Lula havia viajado para o funeral do papa Francisco, em Roma. Posteriormente, os então ministros do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e da Pesca, André de Paula, foram à Agrishow.

Apesar das eventuais rusgas com a organização da feira, a gestão de Fávaro à frente da pasta da Agricultura é elogiada pelas principais entidades setoriais. Além disso, em meio às dificuldades de financiamento do segmento, o Plano Safra de 2025/2026 foi o maior já lançado pelo governo, com R$ 516,2 bilhões disponibilizados para custeio e investimentos no setor. Parte desse valor (R$ 113 bilhões) é de recursos subvencionados pelo Tesouro.

Discurso de oposição

Principal rival de Lula nesta eleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou a feira nesta segunda-feira ao lado do governador de São Paulo, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos). O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro usou sua primeira agenda pública como pré-candidato à Presidência para criticar o governo.

Flávio Bolsonaro disse que o agro "é um setor que está altamente endividado" e "tratado como lixo" pelo governo Lula. "Só R$ 10 bilhões não dá para os produtores que precisam de crédito para lidar com o fluxo de caixa", afirmou, em referência ao programa Move Agrícola, do governo federal, que prevê disponibilizar esse montante para o financiamento de máquinas agrícolas.

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