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Reforma do Judiciário, terras raras e tarifa zero: o que propõe o novo manifesto do PT

Documento, mais moderado, foi aprovado no congresso da sigla em Brasília

Encerramento do 8º Congresso Nacional do PT, em Brasília, em 27 de abril de 2026

Encerramento do 8º Congresso Nacional do PT, em Brasília, em 27 de abril de 2026

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 27 de abril de 2026 às 16h00.

Última atualização em 27 de abril de 2026 às 16h05.

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou, no último domingo, em seu Congresso Nacional, um manifesto em que reafirma posições de centro-esquerda, critica o governo de Jair Bolsonaro sem citá-lo nominalmente e faz promessas e propostas de reformas, inclusive no Poder Judiciário e na lógica de distribuição de emendas parlamentares ao orçamento.

Apesar de reafirmar críticas ao que a sigla chama de sistema neoliberal, o documento deixou de fora a proposta de uma reforma do sistema financeiro, que chegou a ser discutida nos bastidores do partido como uma possível resposta ao escândalo do Banco Master. O manifesto foi costurado pelo presidente nacional da sigla, Edinho Silva, considerado um político moderado e com bom trânsito junto a partidos de centro.

O documento também expõe uma preocupação do partido com o que chama de "transição geracional", ou seja, com a renovação de suas lideranças. Maior liderança do PT, Lula disputará um quarto mandato aos 80 anos e não está claro, ainda, quem seria seu sucessor político. O presidente não participou do encerramento do Congresso Nacional de seu partido, em Brasília, por estar convalescente após a realização de procedimentos cirúrgicos simples na semana passada, para a retirada de uma lesão de pele na cabeça e o tratamento de uma tendinite em um dos pulsos.

"É urgente que, no próximo período, o PT institua a permanente transição geracional, limitando o número de mandatos nas suas instâncias — no máximo dois no mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância —, e garantindo no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação", diz.

Em um aceno à construção de uma aliança política que vá além da esquerda, o texto diz que é necessário "consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional", com a participação "do setor produtivo e o empresariado comprometidos com a nação, a classe trabalhadora, o sindicalismo e os movimentos populares em uma coalizão que transcenda a defesa institucional da democracia".

O manifesto também propõe sete reformas, entre as quais estão uma reforma político-eleitoral, uma tributária, uma administrativa, uma do Poder Judiciário e uma tecnológica, além da reforma agrária e de uma mudança do sistema de comunicação.

O texto, porém, não detalha medidas no campo tributário, para além da já realizada reforma do Imposto de Renda. Fala, apenas, em "corrigir distorções graves do sistema de impostos e financiar direitos".

Em meio a um movimento crescente de críticas a penduricalhos e ao comportamento de magistrados no país, inclusive do Supremo Tribunal Federal, o manifesto do PT fala genericamente em apoiar "mecanismos de correção e fortalecimento do Estado de Direito". Nos bastidores, Lula tem apoiado o movimento do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de discutir um código de conduta para ministros da Corte. Publicamente, o presidente já defendeu mandatos fixos para ministros do STF.

"Eu acho que não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75 anos, ou seja, não é justo. É muito tempo, então eu acho que pode ter um mandato", disse Lula em entrevista ao Portal Uol, em fevereiro deste ano.

Ao mencionar a reforma administrativa, o manifesto do PT ressalta apenas "a reconstrução do Estado brasileiro e o fortalecimento da capacidade pública".

No campo das plataformas digitais, o documento defende uma regulamentação dos oligopólios digitais. A ideia de regular as plataformas foi abandonada no terceiro mandato de Lula em meio à avaliação do governo de que o tema não passaria no Congresso. Entretanto, o governo conseguiu emplacar o ECA Digital, que traz uma série de restrições, para menores de idade, de mecanismos usados pelas redes sociais que geram dependência nos usuários, a exemplo da rolagem infinita e do excesso de notificações.

Jornada 6x1 e tarifa zero

Na área econômica, o manifesto do PT defende por um fim à chamada escala 6X1 e abraça a ideia de implementar uma tarifa zero no transporte público no país. No atual mandato, a ideia foi discutida pelos ministérios da Fazenda e das Cidades, mas não andou.

Minerais críticos e terras raras

O documento cita a importância das reservas de minerais críticos e estratégicos do Brasil e diz que "sem terras raras, não há transição energética nem soberania digital".

"O Brasil detém uma das maiores reservas do planeta e não pode aceitar o papel de mero exportador de minério bruto; nosso projeto exige que o processamento e a inteligência sobre esses minerais ocorram em solo nacional, gerando empregos qualificados e protegendo nossa riqueza contra a cobiça internacional", defende o manifesto.

Na semana passada, o governo Lula decidiu não apoiar os projetos de lei que propõem a criação de uma estatal, a TerraBras, para gerir projetos relacionados a minerais críticos.

Educação: metas ambiciosas

O documento fala em garantir a universalização da escola de tempo integral em todos os municípios, além da universalização de creches e da alfabetização infantil.

Hoje, porém, o Brasil está bem longe de atingir essas metas. De acordo com o Censo Escolar de 2024, apenas 23% das escolas públicas no país operam no regime de tempo integral.

Quanto à alfabetização na idade certa, o Brasil conseguiu atingir a meta prevista para 2025, mas tem hoje 66% das crianças até o segundo ano alfabetizadas. As metas do país são progressivas e chegam a 80% das crianças alfabetizadas em idade certa em 2030.

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