Eleições 2026: Pesquisas medirão decisão do eleitorado brasileiro (Pedro França/Agência Senado/Flickr)
Colaboradora
Publicado em 4 de julho de 2026 às 08h00.
Última atualização em 6 de julho de 2026 às 10h04.
A 90 dias do primeiro turno, ao menos seis estados têm a disputa pelo governo concentrada em dois candidatos, segundo levantamentos divulgados nas últimas semanas.
As pesquisas eleitorais apontam esse cenário em São Paulo, Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas e Espírito Santo.
Na prática, a disputa passa a ser encarada pelas campanhas como um "segundo turno antecipado", como ocorre em São Paulo. A disputa ficou centrada no atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) após desistências.
Embora a definição sobre um segundo turno continue dependendo da votação de 4 de outubro, a polarização entre dois nomes tende a concentrar os esforços de campanha, o debate político e a disputa pelo eleitorado indeciso.
Em alguns desses estados, a disputa não reproduz a polarização nacional entre direita e esquerda. Em vez disso, os principais confrontos ocorrem entre candidatos de direita e centro-direita ou de centro-direita e centro-esquerda.
Confira a seguir a situação dessas seis unidades da federação.
O maior colégio eleitoral do país registra uma disputa acirrada entre o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição.
A disputa representa o clássico que se repete desde 2018: petismo contra bolsonarismo.
Tarcísio de Freitas tem a vantagem na maioria dos levantamentos sobre a corrida eleitoral no estado. A última medição foi do instituto Vox Brasil, publicada no dia 28 de junho. Na pesquisa, Tarcísio registra 51,8% e Haddad, 37,5%.
O cenário aponta para uma vitória do atual mandatário ainda no primeiro turno. Essa foi a primeira pesquisa sem o ex-prefeito Paulo Serra (PSDB) e o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), que desistiram da disputa.
Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) protagonizam. Os levantamentos recentes mostravam alternância na liderança ou empate dentro da margem de erro.
Na última pesquisa, no entanto, ACM Neto aparece na liderança isolada com 49,2% das intenções de voto, com vantagem de 11 pontos sobre Jerônimo, que tem 37,5%.
Em Pernambuco, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD) concentram todas as atenções na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Mês a mês as pesquisas revelam uma gangorra numérica, com ora Lyra, ora Campos no topo. No último levantamento, publicado no começo de junho pelo instituto Real Time Big Data, Campos aparece com 45% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Lyra, com 40%.
No Ceará, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) disputa a liderança das pesquisas com o governador Elmano de Freitas (PT). Os dois lideram isolados dos demais concorrentes.
No dia 15 de junho, um levantamento da AtlasIntel mediu um cenário de 1º turno no estado. Ciro Gomes registra 45,8% das intenções de voto, enquanto Elmano de Freitas aparece com 44,8%, em um cenário de empate técnico.
A disputa pelo governo de Alagoas também se concentra em dois nomes: o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, conhecido pela alcunha de JHC (PL), e o filho do senador Renan Calheiros, Renan Filho (MDB).
No levantamento Real Time Big Data, divulgado nesta quarta-feira, 1, os dois nomes parecem empatados no cenário estimulado de primeiro turno. Ambos registram 46% das intenções de voto cada um.
No Espírito Santo, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o governador Ricardo Ferraço (MDB) aparecem como os principais nomes da disputa. As pesquisas indicam equilíbrio entre os dois, sem um favorito consolidado.
Segundo a pesquisa Real Time Big Data, divulgada no começo de junho, Ferraço registra 39% das intenções de voto, seguido por Pazolini, com 33%.
Apesar do cenário desenhado pelas pesquisas, o início das convenções, de 20 de julho a 5 de agosto, marcará o momento em que novos nomes podem ser oficializados e mudar o cenário. Casos emblemáticos, como o da eleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo em 2022, que, no período pré-eleitoral, aparecia com menos de 10% das intenções de voto, mostram que a eleição está longe de estar definida.
A partir daí, alianças, estratégias e o desempenho dos candidatos tendem a ganhar mais peso na definição da corrida até o primeiro turno, em 4 de outubro.