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Salles desafia estratégia de Tarcísio e ameaça dividir votos da direita em SP

Entrada do parlamentar na corrida pelo Senado pode dividir votos da direita e alterar estratégia de aliados de Tarcísio de Freitas

Publicado em 15 de julho de 2026 às 12h20.

A disputa por duas vagas ao Senado em São Paulo ganhou um novo elemento de tensão dentro da direita. O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), que não integra a chapa apoiada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu disputar espaço com os nomes escolhidos pelo grupo governista e aposta em sua ligação com o agronegócio e com o eleitorado bolsonarista.

Com desempenho competitivo nas pesquisas, Salles tenta se consolidar como uma alternativa mais alinhada à direita ideológica e ameaça dividir votos com André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), indicados por Tarcísio para a corrida ao Senado. Segundo O Globo, o  movimento cria um desafio para a estratégia do governador, que busca manter unificada sua base política no estado.

Salles tenta transformar apoio do agro em vantagem eleitoral

O deputado tem concentrado parte da pré-campanha no interior paulista, onde busca fortalecer sua relação com produtores rurais e representantes do agronegócio. Nesta semana, realizou uma série de encontros em Ribeirão Preto, uma das principais regiões ligadas ao setor.

Salles afirma ter apoio de diferentes segmentos do campo, como pecuária, soja, cana-de-açúcar e indústria sucroenergética. A aposta é que essa rede de apoio ajude a compensar a menor estrutura partidária do Novo em comparação com partidos maiores.

No Datafolha divulgado na semana passada, Salles apareceu com 13% das intenções de voto, à frente dos candidatos apoiados por Tarcísio: André do Prado teve 11% e Guilherme Derrite, 10%. Marina Silva (Rede), com 18%, e Simone Tebet (PSB), com 16%, lideram o levantamento.

Deputado mira aliado de Tarcísio e tenta ocupar espaço bolsonarista

De acordo com o jornal, a principal estratégia de Salles tem sido se diferenciar de André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), escolhido por Tarcísio para compor a chapa da direita. O deputado tenta associar o adversário ao centrão e reforçar que representa uma direita mais próxima das pautas ideológicas do bolsonarismo.

“Eu sou de direita. Estou nisso há 20 anos”, afirmou Salles, ao defender que sua trajetória política o coloca em vantagem diante de candidatos que, segundo ele, tentam ocupar esse espaço apenas durante a eleição.

O parlamentar também pretende usar sua presença digital como uma ferramenta de campanha. Com mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, Salles aposta nas redes sociais para ampliar críticas aos adversários e mobilizar apoiadores.

Grupo de Tarcísio evita confronto direto

Aliados do governador avaliam que a melhor estratégia, neste momento, é não comprar a disputa com Salles. A orientação é evitar ataques públicos e concentrar esforços na eleição dos candidatos escolhidos pela chapa oficial.

O temor entre integrantes da direita paulista é que uma candidatura adicional no campo conservador espalhe votos e reduza a vantagem dos nomes apoiados pelo governador. A eleição para o Senado é considerada mais imprevisível porque cada eleitor poderá escolher dois candidatos.

Salles também passou a atacar Marina Silva e Simone Tebet, argumentando que as duas não são de São Paulo e não representariam os interesses do estado em disputas federativas. As candidatas não comentaram as declarações.

Apesar de reconhecer a liderança de Tarcísio na disputa pela reeleição ao governo paulista, Salles afirma que o apoio do governador não garante votos automáticos para seus aliados ao Senado.

Na avaliação do deputado, a influência das redes sociais reduziu o peso das estruturas tradicionais de campanha e aumentou a importância da identificação direta entre candidato e eleitor.

*Com O Globo

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