Repórter
Publicado em 15 de julho de 2026 às 11h25.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende transformar as transmissões ao vivo nas redes sociais em uma das principais ferramentas da disputa pelo Palácio do Planalto.
A estratégia busca ampliar o contato direto com apoiadores e seguir um modelo já consolidado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas com uma identidade própria para o pré-candidato.
Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, a avaliação interna é que as lives realizadas nos últimos meses aumentaram o engajamento da base bolsonarista e mostraram potencial para aproximar Flávio dos eleitores. A campanha agora planeja ampliar o formato ao longo da corrida presidencial, embora ainda não tenha definido uma frequência fixa para as transmissões.
A ideia é que as transmissões funcionem como um canal de resposta rápida aos acontecimentos políticos e permitam ao senador disputar a narrativa diretamente com seus apoiadores. A avaliação da equipe, segundo O Globo, é que o formato dá mais liberdade para apresentar posicionamentos, responder críticas e explicar decisões sem depender de entrevistas ou agendas presenciais.
O potencial das lives ficou evidente após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, Jair Bolsonaro. A campanha organizou uma transmissão de última hora para que o senador comentasse a medida com sua base.
Na ocasião, Flávio apareceu em uma sacada no Rio de Janeiro, com uma bandeira do Brasil ao fundo. Segundo integrantes da campanha, o cenário mais informal e o tom mais contundente adotado pelo senador foram bem recebidos pelos apoiadores.
Embora já tivesse um canal no YouTube para divulgar discursos e participações em eventos, Flávio passou a testar o formato de lives apenas nos últimos meses. A estratégia ganhou força com transmissões relacionadas a temas de interesse da base bolsonarista.
No mês passado, por exemplo, o senador realizou lives de “aquecimento” para jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo, com participação de aliados como o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado Guilherme Derrite (PL-SP).
O canal também foi usado para comentar a atuação de Flávio nos Estados Unidos durante as discussões sobre o tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump e para divulgar sua participação em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Outra transmissão que teve impacto político foi a leitura da carta escrita por Jair Bolsonaro durante a prisão domiciliar. No documento, o ex-presidente pediu apoio à candidatura do filho e o apresentou como seu “porta-voz”.
A divulgação levou Moraes a suspender as visitas de Flávio ao pai, sob o argumento de que o senador teria utilizado o encontro para obter um documento destinado à divulgação nas redes sociais.
A campanha pretende ampliar o uso das transmissões para além de respostas a crises e acontecimentos políticos. A previsão é que o formato também seja utilizado para apresentar propostas do programa de governo de Flávio Bolsonaro.
Nesta semana, por exemplo, está prevista uma live com Daniella Marques, integrante da pré-campanha e coordenadora do programa “Brasil por Elas”, voltado ao público feminino. A transmissão deve abordar propostas para mulheres e indicar uma nova fase da estratégia digital do senador.
A inspiração da campanha é o modelo criado por Jair Bolsonaro durante a Presidência, especialmente a partir da pandemia de Covid-19. As lives semanais do ex-presidente, realizadas tradicionalmente às quintas-feiras, se tornaram um dos principais canais de comunicação direta com sua base de apoiadores.
Nas transmissões, Bolsonaro comentava decisões políticas, respondia perguntas e conversava com convidados em um ambiente informal. O formato ajudou a consolidar uma relação direta com eleitores e se tornou uma das marcas da comunicação bolsonarista.
*Com O Globo