Lula e dívida pública: o presidente afirmou que '80% do PIB em dívida pública não é muito se olhar para os Estados Unidos, para o Japão, para a Itália' (Ricardo Stuckert/Flickr)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 21h49.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 26, que quando assumiu o governo em 2023 não havia "orçamento para governar" e que o país fechará o ano com um superávit primário.
"Eu herdei esse governo em janeiro de 2023 com déficit de 2,8%. Nesse ano teremos superávit primário de 0,1%", afirmou o petista. "Portanto, se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu."
As declarações ocorreram durante a entrevista do petista ao Jornal Nacional, na TV Globo, parte do ciclo de sabatinas com candidatos à presidência. Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) já participaram das entrevistas nesta semana.
Lula afirmou que, dos países do G20, o Brasil foi o único que manteve o superávit primário por oito anos. "80% do PIB em dívida pública não é muito se olharmos para os Estados Unidos, para o Japão, para a Itália", disse o petista.
"A mim não preocupa a dívida pública", disse, complementando que uma parte do valor da dívida decorre da elevada taxa de juros. "Se tem uma coisa que baliza minha vida, chama-se responsabilidade fiscal."
O tema da política fiscal terá grande peso na campanha de Lula à reeleição. Investidores demonstraram preocupação com a evolução das despesas em um eventual novo mandato, enquanto o governo tenta apresentar os resultados fiscais e as medidas de ajuste como evidências de responsabilidade nas contas públicas.
As contas do Governo Central registraram superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 27, pelo Tesouro Nacional. O resultado, que desconsidera os juros da dívida pública, foi o melhor para o mês desde 2022 e superou a expectativa do mercado, que previa déficit de R$ 5,5 bilhões.
Apesar do desempenho positivo, o acumulado de 2026 ainda é negativo, com déficit de R$ 81,3 bilhões. Em 12 meses, o rombo chega a R$ 71,6 bilhões, equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB).
A meta fiscal do ano prevê superávit de R$ 34,3 bilhões, ou 0,25% do PIB, mas a margem de tolerância permite que o governo cumpra formalmente a meta mesmo com resultado zero.
O resultado de julho foi favorecido pelo aumento da receita líquida, que chegou a R$ 226,3 bilhões, alta real de 7,7% em relação ao mesmo mês de 2025. Entre os fatores estão a maior arrecadação do Imposto de Renda, o crescimento da receita previdenciária, impulsionado pelo emprego formal, e o aumento das receitas com recursos naturais após a alta do petróleo.
O desempenho das contas públicas ocorre em meio às preocupações do mercado com a trajetória da dívida pública e dos gastos obrigatórios. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que as cobranças dos investidores são legítimas.
“O que o mercado hoje cobra, com alguma razão, é como vai ser essa trajetória de gasto obrigatório, como vai ser essa trajetória de dívida para frente”, afirmou. “O que eu digo, sem fugir da raia, é que tem que melhorar o fiscal no país.”
Durigan também apresentou a política fiscal como uma das principais ferramentas para reduzir estruturalmente os juros elevados do Brasil.
No evento Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate, promovido pela EXAME e pelo Movimento Brasil Competitivo, o ministro defendeu a continuidade da estratégia fiscal do governo Lula e citou o arcabouço fiscal, medidas de controle de despesas e a revisão de benefícios tributários.