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'São ilações', diz Lula sobre inquéritos que investigam Lulinha

As declarações ocorreram durante a entrevista do petista ao Jornal Nacional, na TV Globo

Lulinha: filho do presidente é alvo de três inquéritos da PF que apuram suspeitas de tráfico de influência (NELSON ALMEIDA / AFP/Getty Images)

Lulinha: filho do presidente é alvo de três inquéritos da PF que apuram suspeitas de tráfico de influência (NELSON ALMEIDA / AFP/Getty Images)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 21h15.

Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 22h55.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 26, não irá afastar delegados da Polícia Federal (PF) nas investigações de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em casos envolvendo tráfico de influência e que os inquéritos contra ele são, até o momento, "ilações".

As declarações ocorreram durante a entrevista do petista ao Jornal Nacional, na TV Globo, parte do ciclo de sabatinas com candidatos à presidência. Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) já participaram das entrevistas nesta semana.

"Não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger meu filho", disse Lula.

Quanto ao antigo chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, o presidente afirmou que apenas ele "sabe a verdade" quanto ao suposto empréstimo da lobista Roberta Moreira Luchsinger, alvo da Polícia Federal.

"Eu disse para ele: 'cara, eu sou quase que nem seu pai. Por que você não falou comigo?'", afirmou. "Essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela estava tentando? Aí é que estaria o crime."

Até o momento, não há menção a contratos efetivamente fechados com a intermediação de Luchsinger.

O petista afirmou também que que o caso de Lulinha é semelhante ao da operação Lava-Jato, na qual Lula foi preso e depois solto. "Eu fui acusado de ter um apartamento que eu não tinha, de ter uma chácara que não tinha", disse o presidente, que afirmou já ter sido impactado por "ilações", como definiu, em outras ocasiões.

Lulinha e Marcola são investigados pela PF

O filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é alvo de três inquéritos da PF que apuram suspeitas de tráfico de influência.

As investigações também atingiram Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula, citado no caso após receber R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, empresária amiga de Lulinha que também é investigada pela PF.

O presidente Lula, por sua vez, afirmou em entrevista à Record, no domingo, 23, que trata as investigações envolvendo o filho e Marcola com "muita seriedade". Segundo o petista, não cabe a ele atuar como juiz, procurador ou delegado nos casos, mas garantir que as instituições possam trabalhar de forma independente. Declaração repetida nesta quinta-feira, 27, ao Jornal Nacional.

"Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está [acima da lei] se cometer erro", disse Lula à Record.

Duas investigações foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e uma terceira foi aberta por determinação do ministro Flávio Dino. Até o momento, não há denúncia ou condenação contra Lulinha, que nega qualquer irregularidade.

Os inquéritos autorizados por Mendonça investigam suspeitas de que o filho do presidente tenha usado sua proximidade com integrantes do governo federal para favorecer interesses privados. Uma das apurações envolve uma suposta atuação em negócios relacionados à venda de cannabis medicinal à rede pública de saúde, em favor do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A outra examina uma possível interferência de Lulinha em negócios de um empresário junto à Dataprev, estatal federal de tecnologia, e outros órgãos do governo.

O terceiro inquérito, autorizado por Flávio Dino, também apura suspeitas de tráfico de influência em favor de empresas com as quais Lulinha teria parcerias. O processo tramita sob sigilo e inclui ainda uma investigação sobre possíveis vazamentos ilegais de informações protegidas por sigilo em apurações da própria Polícia Federal.

As investigações ganharam dimensão política com a aproximação das eleições. Integrantes da cúpula do PT e aliados de Lula afirmaram à EXAME que o caso pode gerar desgaste para a campanha presidencial, embora considerem as suspeitas ainda especulativas. A estratégia de Lula de defender que o filho seja investigado e responda à Justiça caso tenha cometido alguma irregularidade é vista por aliados como uma forma de reduzir o impacto político do episódio.

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