Colaboradora
Publicado em 17 de abril de 2023 às 15h04.
Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 11h37.
O salário mínimo brasileiro passou por sucessivos reajustes ao longo das últimas décadas, saindo de R$ 64,79 em julho de 1994 para R$ 1.621 em 2026.
Os números representam uma alta nominal de mais de 2.400% no período.
O valor atual, em vigor desde 1º de janeiro, foi definido pelo Decreto nº 12.797/2025 e representa o piso nacional usado como referência para trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.
Para 2027, o governo prevê salário mínimo de R$ 1.717, segundo a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada ao Congresso, mas o valor ainda pode ser alterado até o fim deste ano.
Previsto na Constituição Federal de 1988, o salário mínimo tem a função de estabelecer uma remuneração básica capaz de atender às necessidades do trabalhador e de sua família, como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
O piso também serve de referência para benefícios previdenciários e assistenciais, além do seguro-desemprego e do abono salarial PIS/Pasep.
A tabela abaixo reúne os valores nominais do salário mínimo desde a criação do Plano Real, com base em decretos, leis e medidas provisórias publicados no Diário Oficial da União.
Em pouco mais de três décadas, o valor nominal saltou de R$ 64,79 para R$ 1.621,00. O salto expressivo, sobretudo nos primeiros anos, reflete em boa parte a própria estabilização da moeda com o Plano Real, e não necessariamente um ganho real de poder de compra na mesma proporção.
Desde 2024, o reajuste segue as regras da Lei nº 14.663/2023, que instituiu a política de valorização permanente do salário mínimo. O cálculo combina dois componentes:
Desde o novo arcabouço fiscal, aprovado em 2024, esse ganho real acima da inflação ficou limitado a uma faixa entre 0,6% e 2,5% ao ano.
Foi assim que o reajuste de 2026 chegou a 6,79%: a soma de cerca de 4,62% de inflação (INPC) com 2,07% de crescimento real, resultando nos R$ 1.621,00 atuais.
Essa fórmula retomou um modelo usado entre 2007 e 2019 e batizado de "Política de Valorização do Salário Mínimo".
Entre 2020 e 2022, nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o mecanismo ficou suspenso e o mínimo foi corrigido apenas pela inflação, sem ganho real.
A previsão do governo para a remuneração mínima em 2027 é de R$ 1.717,00, um avanço nominal de 5,9% sobre o valor de 2026.
O número consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado ao Congresso e ainda pode mudar: o valor definitivo só será fechado em dezembro, depois de o IBGE divulgar o INPC acumulado até novembro.
Na prática, o ganho real embutido nessa conta segue limitado à faixa de até 2,5% ao ano prevista no arcabouço fiscal. Ou seja, mesmo com um reajuste nominal de quase 6%, boa parte do aumento serve apenas para repor a inflação do período, sem representar uma melhora proporcional no poder de compra do trabalhador.
E essa comparação fica ainda mais dura quando se olha para o preço da comida.
Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e bebidas subiu 3,44% só no primeiro quadrimestre de 2026, com destaque para itens do dia a dia como cenoura, leite longa vida, cebola, tomate e carnes.
O item carnes, especificamente, acumulou alta de 5,68% entre março de 2025 e março de 2026, superando o IPCA geral do período, de 4,14%, segundo dados do próprio IBGE.
O aperto aparece de forma ainda mais clara no levantamento mensal do DIEESE em parceria com a Conab.
Em junho de 2026, a cesta básica subiu em 17 das 27 capitais pesquisadas, e o custo do conjunto de alimentos essenciais em São Paulo, a mais cara do país, chegou a R$ 965,47.
Com base nesse valor, o DIEESE calculou que uma família de quatro pessoas precisaria de R$ 8.110,92 por mês para cobrir despesas básicas como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e lazer, o equivalente a cinco vezes o salário mínimo vigente.
Um ano antes, em junho de 2025, essa mesma conta apontava R$ 7.416,07, ou 4,89 vezes o mínimo da época.
Isso mostra que, embora o valor nominal do salário mínimo continue subindo ano após ano, e deva chegar a R$ 1.717,00 em 2027, a distância entre o piso legal e o que as famílias efetivamente precisam para viver segue larga.