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Salário mínimo 2026: valor multiplicou por 25 desde 1994; veja a evolução ano a ano

O salário mínimo brasileiro passou por sucessivos reajustes ao longo das últimas décadas, saindo de R$ 64,79 em julho de 1994 para R$ 1.621 em 2026

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 17 de abril de 2023 às 15h04.

Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 11h37.

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O salário mínimo brasileiro passou por sucessivos reajustes ao longo das últimas décadas, saindo de R$ 64,79 em julho de 1994 para R$ 1.621 em 2026.

Os números representam uma alta nominal de mais de 2.400% no período.

O valor atual, em vigor desde 1º de janeiro, foi definido pelo Decreto nº 12.797/2025 e representa o piso nacional usado como referência para trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.

Para 2027, o governo prevê salário mínimo de R$ 1.717, segundo a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada ao Congresso, mas o valor ainda pode ser alterado até o fim deste ano.

Por que existe o salário mínimo?

Previsto na Constituição Federal de 1988, o salário mínimo tem a função de estabelecer uma remuneração básica capaz de atender às necessidades do trabalhador e de sua família, como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

O piso também serve de referência para benefícios previdenciários e assistenciais, além do seguro-desemprego e do abono salarial PIS/Pasep.

Histórico do salário mínimo no Brasil entre 1994 e 2026

A tabela abaixo reúne os valores nominais do salário mínimo desde a criação do Plano Real, com base em decretos, leis e medidas provisórias publicados no Diário Oficial da União.

  • Julho de 1994: R$ 64,79
  • Setembro de 1994: R$ 70,00 — reajuste de 8,04%
  • Maio de 1995: R$ 100,00 — reajuste de 42,86%
  • Maio de 1996: R$ 112,00 — reajuste de 12,00%
  • Maio de 1997: R$ 120,00 — reajuste de 7,14%
  • Maio de 1998: R$ 130,00 — reajuste de 8,33%
  • Maio de 1999: R$ 136,00 — reajuste de 4,62%
  • Junho de 2000: R$ 151,00 — reajuste de 11,03%
  • Junho de 2001: R$ 180,00 — reajuste de 19,21%
  • Junho de 2002: R$ 200,00 — reajuste de 11,11%
  • Junho de 2003: R$ 240,00 — reajuste de 20,00%
  • Maio de 2004: R$ 260,00 — reajuste de 8,33%
  • Maio de 2005: R$ 300,00 — reajuste de 15,38%
  • Abril de 2006: R$ 350,00 — reajuste de 16,67%
  • Abril de 2007: R$ 380,00 — reajuste de 8,57%
  • Março de 2008: R$ 415,00 — reajuste de 9,21%
  • Fevereiro de 2009: R$ 465,00 — reajuste de 12,05%
  • Janeiro de 2010: R$ 510,00 — reajuste de 9,68%
  • Janeiro de 2011: R$ 545,00 — reajuste de 6,86%
  • Janeiro de 2012: R$ 622,00 — reajuste de 14,13%
  • Janeiro de 2013: R$ 678,00 — reajuste de 9,00%
  • Janeiro de 2014: R$ 724,00 — reajuste de 6,78%
  • Janeiro de 2015: R$ 788,00 — reajuste de 8,84%
  • Janeiro de 2016: R$ 880,00 — reajuste de 11,68%
  • Janeiro de 2017: R$ 937,00 — reajuste de 6,48%
  • Janeiro de 2018: R$ 954,00 — reajuste de 1,81%
  • Janeiro de 2019: R$ 998,00 — reajuste de 4,61%
  • Fevereiro de 2020: R$ 1.045,00 — reajuste de 4,71%
  • Janeiro de 2021: R$ 1.100,00 — reajuste de 5,26%
  • Janeiro de 2022: R$ 1.212,00 — reajuste de 10,16%
  • Maio de 2023: R$ 1.320,00 — reajuste de 8,90%
  • Janeiro de 2024: R$ 1.412,00 — reajuste de 6,97%
  • Janeiro de 2025: R$ 1.518,00 — reajuste de 7,95%
  • Janeiro de 2026: R$ 1.621,00 — reajuste de 6,79%

Em pouco mais de três décadas, o valor nominal saltou de R$ 64,79 para R$ 1.621,00. O salto expressivo, sobretudo nos primeiros anos, reflete em boa parte a própria estabilização da moeda com o Plano Real, e não necessariamente um ganho real de poder de compra na mesma proporção.

Como o salário mínimo é reajustado?

Desde 2024, o reajuste segue as regras da Lei nº 14.663/2023, que instituiu a política de valorização permanente do salário mínimo. O cálculo combina dois componentes:

  • A recomposição da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE e acumulado nos 12 meses encerrados em novembro do ano anterior ao reajuste;
  • O crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes do reajuste, o que garante ganho de poder de compra em anos de expansão da economia.

Desde o novo arcabouço fiscal, aprovado em 2024, esse ganho real acima da inflação ficou limitado a uma faixa entre 0,6% e 2,5% ao ano.

Foi assim que o reajuste de 2026 chegou a 6,79%: a soma de cerca de 4,62% de inflação (INPC) com 2,07% de crescimento real, resultando nos R$ 1.621,00 atuais.

Essa fórmula retomou um modelo usado entre 2007 e 2019 e batizado de "Política de Valorização do Salário Mínimo".

Entre 2020 e 2022, nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o mecanismo ficou suspenso e o mínimo foi corrigido apenas pela inflação, sem ganho real.

Salário mínimo em 2027

A previsão do governo para a remuneração mínima em  2027 é de R$ 1.717,00, um avanço nominal de 5,9% sobre o valor de 2026.

O número consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado ao Congresso e ainda pode mudar: o valor definitivo só será fechado em dezembro, depois de o IBGE divulgar o INPC acumulado até novembro.

Na prática, o ganho real embutido nessa conta segue limitado à faixa de até 2,5% ao ano prevista no arcabouço fiscal. Ou seja, mesmo com um reajuste nominal de quase 6%, boa parte do aumento serve apenas para repor a inflação do período, sem representar uma melhora proporcional no poder de compra do trabalhador.

E essa comparação fica ainda mais dura quando se olha para o preço da comida.

Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e bebidas subiu 3,44% só no primeiro quadrimestre de 2026, com destaque para itens do dia a dia como cenoura, leite longa vida, cebola, tomate e carnes.

O item carnes, especificamente, acumulou alta de 5,68% entre março de 2025 e março de 2026, superando o IPCA geral do período, de 4,14%, segundo dados do próprio IBGE.

O aperto aparece de forma ainda mais clara no levantamento mensal do DIEESE em parceria com a Conab.

Em junho de 2026, a cesta básica subiu em 17 das 27 capitais pesquisadas, e o custo do conjunto de alimentos essenciais em São Paulo, a mais cara do país, chegou a R$ 965,47.

Com base nesse valor, o DIEESE calculou que uma família de quatro pessoas precisaria de R$ 8.110,92 por mês para cobrir despesas básicas como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e lazer, o equivalente a cinco vezes o salário mínimo vigente.

Um ano antes, em junho de 2025, essa mesma conta apontava R$ 7.416,07, ou 4,89 vezes o mínimo da época.

Isso mostra que, embora o valor nominal do salário mínimo continue subindo ano após ano, e deva chegar a R$ 1.717,00 em 2027, a distância entre o piso legal e o que as famílias efetivamente precisam para viver segue larga.

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