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Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 07h01.
Última atualização em 14 de setembro de 2026 às 14h38.
RESUMO | O jornal estatal chinês Global Times classificou neste fim de semana o ensaio de Dario Amodei, CEO da Anthropic, sobre desaceleração da inteligência artificial como um “manual de Guerra Fria” contra a China. Amodei propôs reforçar controles americanos sobre chips, enquanto Donald Trump rejeitou a desaceleração da IA.
Neste final de semana, Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um ensaio defendendo a desaceleração do ritmo de avanço de capacidades de inteligência artificial (IA) de fronteira, propondo mais tempo para lidar com riscos de segurança crescentes. Mas, para o jornal estatal chinês Global Times, o texto é um "manual de Guerra Fria" mirando a China, disfarçado de preocupação técnica com segurança.
No ensaio, publicado no sábado, 12, Amodei também defendeu que os Estados Unidos reforcem controles de exportação de chips para a China e reprimam o que classifica como destilação ilegal de seus modelos por parte de laboratórios chineses de IA. A proposta recebeu apoio explícito de Sam Altman, CEO da OpenAI, e de Elon Musk, fundador da SpaceX — uma rara demonstração de concordância entre executivos de laboratórios rivais de IA.
Segundo a CBS News, Amodei também afirmou, em entrevista no domingo, 13, que o "dilema mais difícil" de sua proposta seria se a China e outras nações consideradas adversárias decidissem não seguir o mesmo caminho de desaceleração.
We Must Pace the Frontier: I’ve written a new essay on why the AI industry should slow down, with a three-part plan for doing so.
Anthropic is unilaterally committing to the first of these steps. We’ll provide third-party evaluators with permanent, employee-level access to our…
— Dario Amodei (@DarioAmodei) September 12, 2026
O Global Times afirma ainda que a verdadeira agenda por trás do ensaio de Amodei seria "tentar conter o desenvolvimento de IA da China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, sustentando o domínio de Washington" sobre a tecnologia. O jornal classificou a proposta como uma tática digna da Guerra Fria — período histórico de disputa geopolítica entre Estados Unidos e União Soviética, marcado por corrida armamentista e tecnológica —, agora aplicada ao contexto da inteligência artificial.
O presidente americano, Donald Trump, também rejeitou publicamente o pedido de desaceleração no domingo, 13, afirmando que "forças muito negativas" estariam levantando preocupações exageradas sobre o tema. "Estamos liderando a China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo, e francamente eu quero manter assim, porque quem vencer a IA vence", disse.
O episódio ocorre em meio a uma sequência de alertas cada vez mais graves vindos de dentro da própria indústria de IA americana.
Parlamentares dos Estados Unidos já pedem novas regras para governar sistemas de IA depois que dois pesquisadores da Anthropic soaram alarmes de que a tecnologia, em rápido avanço, poderia levar à extinção da espécie humana em um futuro não muito distante.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Estados Unidos e China já planejam discutir riscos de segurança de IA de fronteira em meados de setembro — e o tema pode ser levantado diretamente durante uma cúpula entre os presidentes Trump e Xi Jinping, marcada para o dia 24.
Dario Amodei defendeu mais tempo para enfrentar riscos de segurança associados às capacidades de IA de fronteira. O CEO da Anthropic também propôs que os Estados Unidos reforcem controles de exportação de chips para a China e combatam o que classifica como destilação ilegal de modelos por laboratórios chineses.
O Global Times afirmou que o ensaio seria um “manual de Guerra Fria” voltado contra a China. Segundo o jornal estatal chinês, a proposta buscaria conter o desenvolvimento da IA chinesa por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, preservando o domínio dos Estados Unidos.
O principal dilema seria a possibilidade de a China e outras nações consideradas adversárias não acompanharem a desaceleração, afirmou Dario Amodei em entrevista à CBS News no domingo, 13.
Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk, fundador da SpaceX, manifestaram apoio explícito à proposta de Dario Amodei. O posicionamento representa uma rara concordância entre executivos ligados a laboratórios rivais de IA.
Donald Trump rejeitou publicamente a desaceleração no domingo, 13, e afirmou que “forças muito negativas” estariam exagerando as preocupações. O presidente americano disse que os Estados Unidos lideram a China em IA e que deseja preservar essa posição.
Estados Unidos e China planejam discutir riscos de segurança da IA de fronteira em meados de setembro, segundo fontes ouvidas pela Reuters. O assunto também poderá ser abordado na cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping marcada para o dia 24.