Kora Saúde prepara virada na dívida de R$ 1,3 bilhão e abre caminho para venda
Reestruturação pode abrir caminho para uma nova discussão sobre o futuro da rede hospitalar, que já recebeu sondagens de três grupos


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 07:00.
A gestora HIG Capital começa a preparar o terreno para discutir o futuro da Kora Saúde, maior rede hospitalar privada do Espírito Santo, Ceará e Tocantins. A controladora não colocou a companhia à venda, mas entende que a conclusão de uma reestruturação de cerca de R$ 1,3 bilhão em dívidas financeiras pode abrir caminho para voltar a avaliar um desinvestimento, apurou o EXAME Insight.
Em abril deste ano, a Kora chegou a um acordo com seus principais credores em um plano de recuperação extrajudicial e aguarda agora a homologação judicial. O processo busca adequar o pagamento das dívidas à geração de caixa da companhia e não envolve fornecedores ou a operação dos hospitais.
A expectativa é que a homologação ocorra nos próximos meses. Depois disso, a HIG, que suspendeu a venda de outra investida, a rede de academias Selfit, vai começar a discutir o próximo passo para a companhia — uma conversa que pode ganhar corpo em 2027.
Pelo menos três grupos hospitalares e operadoras de planos de saúde já procuraram a Kora em diferentes momentos para sondar uma eventual oferta pelo negócio. Nenhuma dessas conversas, porém, resultou em uma negociação. Boa parte das sondagens ocorreu enquanto a companhia enfrentava uma estrutura de capital ainda mais pressionada, o que levava potenciais compradores a buscar uma transação com desconto. A estratégia foi não vender nessas condições.
Roteiro da crise
O endividamento da Kora foi construído em meio à expansão da companhia e ganhou peso sobre o caixa nos anos seguintes à pandemia. A rede também sofreu com a pressão exercida pelas operadoras de saúde sobre hospitais, como a Oncoclínicas, e redes de laboratórios, como a Alliança, que também passam por reestruturações.
A companhia vinha trabalhando na reorganização financeira desde 2024. Entre as medidas adotadas estiveram a venda de imóveis e a internalização de serviços, numa tentativa de reforçar o caixa e reduzir a pressão financeira. O movimento culminou no acordo de recuperação extrajudicial anunciado neste ano.
A Kora opera 17 unidades hospitalares e, apesar da dívida, a avaliação da controladora é que o problema estava concentrado na estrutura de capital, e não na operação.
A companhia é considerada pela HIG um ativo maduro e líder nos mercados em que atua, mas se uma nova proposta aparecer depois da homologação do acordo admite conversar. Caso contrário, pode manter a empresa no portfólio e reavaliar uma saída mais adiante.
Estado da dívida
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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