Redação Exame
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 11h52.
O PT passou a acionar a Justiça contra políticos da direita após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no último sábado, 3.
A reação veio depois de declarações que associaram o partido e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao narcotráfico na América Latina, em meio ao anúncio de que Maduro será julgado nos EUA por crimes como conspiração para narcoterrorismo e conspiração para importação de cocaína.
Segundo a sigla, as manifestações feitas por adversários políticos extrapolam a crítica e passam a normalizar ou incentivar uma intervenção estrangeira no Brasil.
Entre os alvos está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que compartilhou nas redes sociais uma montagem em que Lula aparece sendo preso em meio a uma intervenção externa.
Na terça-feira, 6, o deputado Lindbergh Farias (RJ), líder do PT na Câmara, protocolou uma representação na Polícia Federal contra Nikolas. Segundo Lindbergh, o parlamentar “tem que ser preso por traição e atentado contra a soberania nacional”.
Na representação, o petista afirma que Nikolas, assim como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, deve responder criminalmente por “normalizar intervenção militar estrangeira no Brasil”.
Na segunda-feira, o deputado federal Reimont (PT-RJ) já havia protocolado outro pedido de prisão contra Nikolas. Segundo ele, o político teria sugerido a invasão do país "para o sequestro do Presidente da República", e deve ser investigado pelo Ministério Público Federal. Reimont solicitou a remoção do conteúdo publicado por Nikolas e o bloqueio de suas redes sociais.
"Maduro não deve ser preso por ser um ditador, mas eu devo ser preso por um meme. Vão se lascar", reagiu Nikolas, na terça-feira, 6, nas redes sociais.
Na mesma ocasião, ele discordou que a ação dos EUA pode ser feita em outros países. Nikolas lembrou das declarações em que Maduro "desafiou" presidente Donald Trump e "abriu um precedente" ao pedir para capturá-lo, e mencionou as críticas feitas pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que também se tornou alvo do líder americano.
Também nesta terça-feira, segundo informou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o PT decidiu processar o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD). Ele definiu o partido como “narcoafetivo” ao comentar, na segunda-feira, 5, a situação dos imigrantes venezuelanos no estado.
"Acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas, principalmente que estão na fronteira, a retornar ao seu país, onde vão poder desfrutar de liberdade. Porque vai deixar de ter aquele estado narcoafetivo, como o PT que temos aqui. Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo", afirmou Ramuth.
Antes, o partido havia ingressado com uma ação judicial contra o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) por dano moral. Nas redes sociais, o parlamentar publicou um vídeo em que associa o PT e Lula ao tráfico de drogas.
"Tem que ser preso", escreveu Bylinskyj sobre o petista, que divulgou uma foto dele abraçado com Maduro. Segundo o PT, o conteúdo difunde "narrativa sabidamente falsa e difamatória sem qualquer lastro fático ou jurídico", e teve "ampla circulação e elevado engajamento", tendo "gravidade adicional" por ter sido divulgado em período pré-eleitoral.
*Com informações do Globo