(Gilberto Marques / Governo do Estado de SP/Flickr)
Repórter
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 18h45.
Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 19h14.
Após a greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM repercutir bastante na capital paulista e na região metropolitana nesta terça-feira, a dúvida é se a paralisação prosseguirá.
Segundo nota do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, o órgão deu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prazo de uma hora para apresentar uma manifestação oficial "garantindo a manutenção dos empregos dos trabalhadores da CPTM". As linhas afetadas pela greve são operadas pela Trivia Trens.
O governo paulista soltou um comunicado dizendo que a paralisação "foi decretada pelo sindicato mesmo após o compromisso de não fazer nenhuma demissão durante o período de realocação de funcionários da CPTM".
A mobilização do sindicato ocorre após uma mudança na operação das linhas. Mesmo com a Trivia Trens, assumindo os serviços no final do mês passado, uma série de falhas operacionais levou o governo de Tarcísio de Freitas a determinar o retorno, de forma temporária, da CPTM ao comando da operação por até 90 dias - nesse período a estatual vai atuar em conjunto com a empresa.
A greve dos trabalhadores da CPTM, iniciada nesta terça-feira, 4, é resultado de um impasse entre os ferroviários e o Governo de São Paulo sobre o futuro dos funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, concedidas à iniciativa privada.
A principal reivindicação é a manutenção dos empregos dos ferroviários após a concessão das três linhas à Trivia Trens. O sindicato também cobra uma resposta formal do governo sobre o futuro dos trabalhadores e critica o processo de concessão dos ramais.
A mobilização ocorre poucos dias após uma reviravolta na operação das linhas. Embora a Trivia Trens tenha assumido integralmente os serviços no fim de julho, um princípio de incêndio em um trem no terceiro dia de operação e a avaliação da Artesp de que a concessionária respondeu de forma insuficiente à ocorrência levaram o governo Tarcísio de Freitas a determinar o retorno temporário da CPTM ao comando das linhas por até 90 dias. Nesse período, a agência reguladora investigará as causas do incidente e avaliará se a empresa reúne condições para reassumir a operação.
Além dos transtornos provocados pela paralisação, a cidade enfrentou outro problema. O sistema da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) responsável por medir a extensão dos congestionamentos apresentou uma pane, impedindo a divulgação dos índices reais de lentidão durante boa parte da manhã.
Segundo a CET, o sistema apresentou uma instabilidade durante a manhã. Antes de sair do ar, o painel chegou a indicar, de forma equivocada, mais de 2.000 quilômetros de congestionamento na capital paulista.
Após a falha, a plataforma passou a informar 0 km de lentidão, número igualmente incorreto.
Em nota, a companhia pediu que a população desconsiderasse temporariamente os dados publicados no portal.
"No momento, pedimos para desconsiderar os dados do site da CET, porque o sistema passa por instabilidade de manutenção. Enviaremos o índice correto por meio de nota oficial assim que possível", informou o órgão.
Antes da pane, os registros indicavam um cenário de trânsito intenso, mas dentro dos padrões normalmente observados em dias de grande movimento. A Zona Leste chegou a concentrar mais de 300 km de lentidão, enquanto a Zona Sul ultrapassou 200 km, segundo medições preliminares da própria CET.