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Nos EUA, Flávio diz ser 'Bolsonaro 2.0' e pede pressão diplomática nas eleições

Senador afirma que pode fazer gestão “melhor” que a do pai e defende atuação internacional para garantir eleições “livres e justas” no Brasil

Flávio Bolsonaro: O parlamentar ainda declarou que o resultado das eleições dependerá da liberdade de expressão nas redes sociais (Leandro Lozada/AFP)

Flávio Bolsonaro: O parlamentar ainda declarou que o resultado das eleições dependerá da liberdade de expressão nas redes sociais (Leandro Lozada/AFP)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 29 de março de 2026 às 09h05.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste sábado, 28, nos Estados Unidos, que pretende ser um “Bolsonaro 2.0” e pediu pressão diplomática internacional sobre as eleições brasileiras de 2026. A declaração foi feita durante discurso na CPAC, conferência conservadora realizada no Texas.

Ao comparar o cenário político brasileiro com os Estados Unidos, Flávio citou o atual presidente americano e disse que uma eventual nova gestão sua seguiria a mesma lógica. “Trump 2.0 é muito melhor que Trump 1.0. Bolsonaro 2.0 também será muito melhor”, afirmou.

O senador também se dirigiu ao público americano ao defender maior envolvimento externo no processo eleitoral brasileiro. Ele pediu que os Estados Unidos e o “mundo livre” exerçam pressão diplomática para garantir eleições “livres e justas”, com funcionamento adequado das instituições.

"Apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente. Em vez da administração Biden interferir em nossas eleições para instalar um socialista que odeia a América, aplicar pressão diplomática por eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana —essa é uma boa mudança de política externa para a região, não é?", disse.

Flávio afirmou que essa atuação deveria substituir o que classificou como interferência da administração do ex-presidente Joe Biden nas eleições de 2022, sem apresentar provas.

O parlamentar ainda declarou que o resultado das eleições dependerá da liberdade de expressão nas redes sociais e da contagem correta dos votos. Segundo ele, nessas condições, seu grupo político venceria o pleito.

Disputa eleitoral

Flávio Bolsonaro se coloca como pré-candidato à Presidência e deve enfrentar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pode disputar um quarto mandato aos 80 anos. Faltando sete meses para a eleição, ambos aparecem como favoritos e tecnicamente empatados nas pesquisas.

Derrotado em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi posteriormente declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após questionar sem provas a confiabilidade do sistema eletrônico de votação.

Além disso, Jair Bolsonaro foi condenado em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Atualmente, cumpre pena em regime domiciliar em Brasília após decisão judicial.

Discurso reforça narrativa sobre instituições e redes sociais

Durante o evento, Flávio voltou a criticar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinaram a remoção de perfis em redes sociais por desinformação, classificando as medidas como censura.

Ele também afirmou que seu pai foi alvo de lawfare, termo em inglês usado para descrever o uso do sistema judicial como instrumento de perseguição política.

Ao tratar da relevância do Brasil no cenário internacional, o senador destacou o tamanho da economia, da população e das reservas de minerais estratégicos, como terras raras, utilizadas na indústria tecnológica e militar.

Flávio ainda criticou a revogação do visto de Darren Beattie, assessor ligado a Donald Trump, e acusou o governo brasileiro de adotar uma postura inédita ao impedir sua entrada no país.

O senador também afirmou que o futuro do hemisfério ocidental passa pelo Brasil, citando o peso econômico e estratégico do país na região.
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