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Crime e corrupção lideram preocupações e devem influenciar voto, diz CEO da Alfa

Pesquisa mostra crime (63%) e corrupção (62%) como principais angústias, enquanto percepção econômica permanece estagnada para 52%

Urna eletrônica: eleição presidencial no Brasil será realizada em outubro de 2026 (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Urna eletrônica: eleição presidencial no Brasil será realizada em outubro de 2026 (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 28 de março de 2026 às 09h00.

O avanço da violência e a percepção de corrupção lideram as preocupações do eleitor brasileiro, segundo levantamento exclusivo da Alfa Inteligência, divulgado pela EXAME.

O crescimento do crime organizado aparece com 63%, seguido de corrupção no governo (62%) e custo de vida (61%). Para Emanoelton Borges, CEO do instituto, os dados refletem uma combinação de fatores estruturais e percepção social que tende a influenciar diretamente o voto para presidente nas eleições deste ano.

Na leitura do executivo, a pesquisa indica uma convergência entre temas de segurança e economia. “Então, Temos aqui dos quatro temas, assuntos que envolvem segurança, corrupção e economia. Quantitativamente esses serão os temas de importância [na eleição]”, afirma.

A análise parte de um índice de múltiplas respostas — conceito conhecido como multiple response, quando o entrevistado pode escolher mais de uma opção — que amplia o peso relativo desses temas no debate eleitoral.

A leitura regional reforça desigualdades na percepção. No Centro-Oeste, por exemplo, o crime organizado aparece com menor intensidade relativa, enquanto a corrupção ganha protagonismo. Já no Norte, ambos os temas aparecem com maior força. “No norte é um problema e de fato qualitativamente a justiça aqui realmente tem uma dominância”, afirmou.

O recorte demográfico também traz nuances. Entre eleitores mais velhos, especialmente de 60 a 69 anos, cresce a preocupação com segurança pública, associada ao entorno familiar.

Já entre pessoas com menor escolaridade, temas como inflação e corrupção ganham mais peso.

“O analfabeto está mais preocupado com corrupção e aumento de preço. O ensino superior está mais diluído entre os problemas”, explica.

Economia percebida e efeito eleitoral

A percepção econômica mostra estabilidade, mas sem melhora relevante, segundo o levantamento.

Para 52%, a situação financeira permaneceu igual nos últimos 12 meses, enquanto 29% dizem que piorou e 19% que melhorou. Borges destaca que há um saldo negativo na percepção: “Existe uma sensação de que piora em 10%”.

Segundo ele, fatores externos devem pressionar ainda mais esse quadro. “Vai piorar ainda mais, porque essa guerra pode aumentar os preços. O impacto no diesel deve aumentar todos os preços”, afirma, ao relacionar choques de energia ao custo de vida — tema recorrente em eleições desde 2014.

A análise por intenção de voto mostra leituras distintas da economia. Eleitores de Lula tendem a avaliar a situação como estável ou em melhora, enquanto os de Flávio Bolsonaro concentram percepção de piora. “63% dos eleitores do Lula acham que está igual e 33% dizem que melhorou. Já os eleitores do Flávio, 52% afirmam que piorou”, disse.

Endividamento e voto de mudança

O levantamento indica que 26% dos entrevistados admitem estar endividados, número que pode ser maior diante da subnotificação.

“Quem não quer responder, na verdade está endividado. Ele tem vergonha”, afirma Borges, sugerindo que o índice real pode se aproximar de 30% da população.

A inadimplência se concentra mais no Norte e em faixas de renda intermediárias. Também aparece com mais intensidade entre eleitores que buscam mudança política. “Esse eleitor que quer mudança está mais endividado”, diz, ao comparar a pesquisa com o levantamento que mostra que 80% dos entrevistados querem mudança no país.

Na avaliação do CEO, o cenário eleitoral atual é marcado pela ausência de alternativas competitivas fora da polarização. Ele compara a escolha do eleitor a um supermercado com poucas opções.

“O eleitor não queria nem o Lula nem o Flávio. Ele queria um feijão novo. Aí não tem”, afirma.

Polarização e campanha de confronto

A leitura final aponta para uma disputa centrada em rejeição, não em propostas. Borges avalia que a campanha deve seguir um padrão de confronto direto.

“Devemos ver uma campanha centrada na polarização. Não veremos propostas, veremos ataques”, diz.

Segundo ele, esse comportamento ocorre porque o eleitor tende a escolher o “menos pior” em cenários de crise.

“Os candidatos devem ter uma estratégia de mostrar não que é o melhor, mas que o adversário é pior que ele”, afirma.

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