Lula ao lado dos filhos Fábio Luís (ao centro) e Luís Cláudio em 2018, durante missa em São Bernardo do Campo (NELSON ALMEIDA / AFP/Getty Images)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 11h32.
Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 18h51.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de um terceiro pedido formalizado pela Polícia Federal (PF) para abertura de inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, autorizou a investigação nesta terça-feira, 4.
O processo é sigiloso. O pedido formulado pela PF solicita a autorização para um grupo de pessoas que teriam negócios supostamente ilícitos em áreas do governo federal e que inclui Lulinha. A Polícia quer investigar se houve prática de tráfico de influência pelo filho do presidente em favor de empresas com as quais Lulinha teria parcerias.
Outro pedido feito ao ministro, e também acolhido, envolve supostos vazamentos ilegais de dados sigilosos em investigações da Polícia Federal. A solicitação foi feita pela defesa de Fábio Luís.
Na semana passada, o ministro André Mendonça, do STF, já havia autorizado a abertura de dois inquéritos com Lulinha como alvo. O ministro André Mendonça já autorizou a abertura de outros dois inquéritos contra o filho do presidente.
O primeiro deles investiga o suposto envolvimento do filho do presidente em uma operação para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, junto ao Ministério de Saúde em negócios que envolvem a venda de cannabis medicinal à rede pública de saúde.
O segundo inquérito autorizado por Mendonça envolve a suspeita de que Lulinha tenha favorecido um empresário junto à Dataprev, empresa estatal de tecnologia, e outros órgãos do governo.
Em resposta, a defesa de Fábio Luís pediu em nota que "todos os órgãos responsáveis providências enérgicas contra vazamentos reiterados, seletivos e criminosos".
O advogado do filho de Lula, Marco Aurélio Carvalho, tem negado o envolvimento de seu cliente nas irregularidades. "Ele comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento", escreveu o time jurídico de Lulinha nesta terça-feira.
A defesa afirma que tem denunciado a "instrumentalização de setores da polícia federal a serviço de interesses políticos e eleitorais", o que eles classificam como um "prejuízo da imparcialidade e legalidade".
Membros da cúpula do PT e aliados do presidente Lula temem a repercussão das investigações sobre Lulinha na campanha presidencial, embora considerem as suspeitas, até o momento, especulativas. As declarações de Lula de que o filho terá de pagar à Justiça se for comprovado seu envolvimento com algum delito são consideradas efetivas para mitigar o impacto político negativo das investigações.
"Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado, um juiz, não fazer as coisas corretas", afirmou Lula na semana passada.
Na avaliação de integrantes da campanha, essa posição permite a Lula estabelecer um contraste com a postura adotada por Jair Bolsonaro diante das suspeitas e investigações que envolveram seus filhos.