Cine Tutu: o mais novo cinema de rua de São Paulo (Fran Parente)
Repórter de Casual
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 18h15.
Última atualização em 2 de outubro de 2026 às 18h20.
A Vila Madalena ganhou em outubro um cinema de rua com poltronas de estampa florida, curadoria própria e um café-bar conceituado. É Cine Tutu, localizado no subsolo de um prédio na Rua Girassol, número 555, e integrado ao café-bar Barouche, que abre as portas ao público oficialmente nesta sexta-feira, 2.
Com projeto arquitetônico assinado por Isay Weinfeld, o cinema inaugura uma sala de 114 lugares, com sofás tipo chaise longue nas primeiras fileiras e cortinas de veludo verdes nas paredes. As poltronas — protagonistas do espaço — são floridas, feitas em parceria com a Entreposto. O espaço tem projeção a laser e em 4K, sistema de som Dolby 7.1, um dos melhores da categoria, e tela de 8,90 metros de comprimento por 3,72 metros de altura.
Primeiro de rua a ser inaugurado no bairro paulistano, o Cine Tutu foi idealizado por Paulo Velasco, sócio do Cinesala (Pinheiros), com apoio de Alfredo Setubal, sócio da editora Todavia; Marcos Nisti, sócio da produtora Maria Farinha Filmes; e Mariana Lucas, professora e pesquisadora de cinema da Faap. O nome, inclusive, foi inspirado na filha de Velasco, Antônia, de seis anos.
"O nome foi uma forma de brincar um pouco e criar uma conexão mais genuína com o público. Muitas vezes, é um nome de uma empresa que dá título a um espaço. Ter um nome de uma criança, que simboliza toda a pureza, a vitalidade, a experiência que a gente quer com um espaço como esse, me pareceu bem mais atrativo", contou Velasco em entrevista à Casual EXAME.
Sala do Cine Tutu, localizado no subsolo da Rua Girassol, na Vila Madalena. (Fran Parente)
A proposta do cinema, como outros de rua tradicionais da capital paulista — Cinesesc, Cine Sala e Belas Artes, por exemplo —, é retomar a experiência de assistir a um filme fora do ambiente do shopping. A programação reunirá filmes brasileiros e internacionais, lançamentos, cinema de arte, mostras especiais, sessões temáticas e eventos. Já no primeiro mês de funcionamento, o Cine Tutu fará parte do circuito de salas da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
"O Cine Tutu nasce de uma paixão por cinema e pela cidade, de uma crença de que ambos, tanto a tela quanto a capital, merecem e devem ser compartilhados. É um impacto urbano incrível se debruçar para uma calçada, torna a rua mais segura e, ao mesmo tempo, toda a experiência mais humana", completa Velasco.
Parte dessa experiência, para além da tela, vem do Barouche. O bar fica no piso térreo e o cardápio foi desenhado para comer bem antes da sessão, dentro dela ou esticar o debate sobre o filme após a exibição. Para a primeira e última opções, a cozinha prepara o club sandwich em três camadas — feito com frango, tomate, alface, pancetta e chilli oil —, sanduíche de cogumelos com queijo cuestazul e cachorro-quente clássico.
Para beliscar ou levar para a sala, o Barouche oferece pão de queijo da Pequê, chocolates artesanais Mission, bolos assinados pela chef Carole Crema, cachorro-quente e a tradicional pipoca em três tamanhos.
A carta de drinques, criada pelo bartender Danilo Nakamura, aposta em ingredientes e referências nacionais. Há coquetéis de açaí, guaraná com cachaça e Der Wermut, produzido pela Vinhas do Tempo para a casa, servido puro com gelo. O menu ainda conta com vinhos em taça, chope e cervejas artesanais de produtores locais como Trilha e Tarantino.
A primeira sessão aberta ao público ocorreu na última quinta-feira, 1º, com a exibição de Naza, longa dos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor. O filme é a principal aposta para o Oscar de Melhor Documentário de Longa-metragem em 2027.
Fachada e sala do Cine Tutu, localizado no subsolo da Rua Girassol, na Vila Madalena. (Fran Parente)
O projeto arquitetônico de Weinfeld prioriza o ambiente como parte da cidade. O bar está localizado no andar térreo; o cinema, no subsolo — como funciona com o Cine Marquise, localizado no Conjunto Nacional (Paulista).
O Cine Tutu foi construído a partir do percurso do público pelo local. Da calçada à sala de exibição, diferentes ambientes criam espaços para chegar, esperar, conversar, tomar um café ou permanecer depois do filme. Um deles é uma arquibancada com almofadas e áreas de estar, que dão continuidade ao espaço de convivência. O foyer, já no subsolo, reúne elementos ligados ao ritual de ir ao cinema: pôsteres de filmes clássicos, bilheteria e totens de autoatendimento.