Montagem com os principais pré-candidatos à Presidência da República em janeiro de 2026 (Arte/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 08h01.
A maioria das pesquisas deixa claro que o eleitor ainda não está pensando nas eleições. Mas isso não impede que os bastidores e articulações em torno de candidaturas da direita para a Presidência da República sigam a todo vapor.
Movimentações desta semana deram tração para a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) e um nome do PSD, presidido por Gilberto Kassab, mas evidenciam uma divisão no campo oposicionista, segundo fontes ouvidas pela EXAME.
O principal fato foi a esperada saída do governador de Goiás e pré-candidato à presidente, Ronaldo Caiado, do União Brasil.
A surpresa ficou por conta da legenda escolhida: o PSD. O partido já abriga nomes como os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR), também cotados para a disputa em 2026.
Em entrevistas após a filiação, Caiado afirmou que recebeu de Kassab a garantia de que o partido terá candidatura própria. Segundo ele, a direita precisa apresentar mais de um nome forte no primeiro turno. Nesta sexta-feira, 30, o dirigente partidário afirmou que terá a definição até 15 de abril — e que a ambição é ter também uma bancada de 80 a 90 deputados.
A declaração expôs a estratégia de posicionar o PSD como uma alternativa ao bolsonarismo puro — e também ao campo lulista.
Interlocutores do PSD dizem que ainda não há definição sobre quem será o possível cabeça de chapa, mas a ideia é consolidar a legenda como um espaço de uma direita não alinhada totalmente à família Bolsonaro.
No entorno de Flávio Bolsonaro, a avaliação é que, ao trazer mais um presidenciável para o seu partido, Kassab enfraquece ainda mais a chance do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como presidenciável.
Kassab, que também é secretário do governador de São Paulo, defende há meses que seu partido apoie Tarcísio como candidato. Mas a promessa é que, se o governador não sair, o PSD terá uma candidatura própria.
Além disso, a sinalização mais veemente de Tarcísio como pré-candidato ao governo de São Paulo e sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após desencontros com Flávio, fizeram aliados do senador acreditar que o nome de Flávio tem se consolidado.
O desafio, segundo políticos do centrão consultados pela EXAME, está na composição de partidos em torno de Flávio para viabilizar a sua candidatura.
A federação entre União Brasil e PP já sinalizou que não deve endossar, por ora, a candidatura do senador. Movimento parecido com o de MDB, Republicanos e do próprio PSD de Kassab.
A avaliação é de que alianças nacionais com o PL esbarram em costuras regionais, especialmente em estados mais alinhados a Lula.
Nesse contexto, o PL passou a trabalhar para atrair o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, para uma possível chapa com Flávio. Em entrevista ao jornal o Globo, o presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto, elogiou o mineiro e disse que ele seria um ótimo vice.
Aldo Rebelo, outro pré-candidato, também é ventilado para uma possível aliança com o PL.
Dentro do partido, a visão é que mais candidaturas de direita podem favorecer um cenário de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro turno.
Diferentemente da direita, o petista, até o momento, é o único nome da esquerda e do campo progressista na disputa deste ano.
Pesquisas eleitorais divulgadas neste mês, mostram Lula com percentuais entre 48% e 49%, sinalizando para uma possível vitória em primeiro ao considerar apenas os votos válidos — um cenário que obviamente tende a se alterar até a eleição.
Para o analista político Creomar de Souza, CEO da consultoria Dharma, os movimentos recentes apontam para uma fragmentação crescente dentro da direita.
O campo conservador deve chegar ao primeiro turno dividido entre duas frentes principais: o núcleo bolsonarista e um grupo que tenta construir uma alternativa moderada.
“A chegada de Caiado ao PSD e os desdobramentos no PL mostram que a direita tende a ir para o primeiro turno com dificuldade de unidade”, afirma.
De um lado, o PL trabalha para consolidar a candidatura de Flávio Bolsonaro, com base na expectativa de transferência de votos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. De outro, Kassab articula um bloco com nomes como Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, que buscam se apresentar como representantes de uma direita democrática e menos polarizada.
“Um bloco vai ser liderado pela família Bolsonaro. O outro, aparentemente, por Kassab, com essa ideia de uma direita mais moderada”, diz Creomar.
O cenário ainda está em formação, mas os sinais indicam que a disputa à direita em 2026 será marcada menos pela escolha de um nome único e mais pela consolidação de projetos políticos concorrentes dentro do mesmo espectro ideológico, segundo o analista.
Até 15 de abril, há muito por vir.