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Indicado de Trump ao Fed é genro de bilionário que sugeriu 'comprar' Groenlândia

Ronald Lauder, bilionário e amigo de longa data de Trump, é sogro de Kevin Warsh, o ex-diretor do Fed indicado para substituir Powell

Ronald Lauder: relação de 60 anos com Trump (John Lamparski/Getty Images)

Ronald Lauder: relação de 60 anos com Trump (John Lamparski/Getty Images)

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 08h00.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu para o comando do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) um nome que combina trajetória técnica, mas também proximidade pessoal.

Anunciado nesta sexta-feira, 30, Kevin Warsh é ex-diretor do BC dos EUA e genro de Ronald Lauder, bilionário e amigo de longa data do republicano. Além disso, é uma figura central na controversa ideia de "comprar" a Groenlândia.

A indicação de Trump ainda depende do aval do Senado e foi anunciada em publicação no perfil do presidente em sua rede social, Truth Social.

"Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo isso, ele é o candidato perfeito para o cargo e nunca decepciona. Parabéns, Kevin!", publicou Trump.

O nome não surpreendeu o mercado. Na quinta-feira, plataformas de apostas passaram a apontar Warsh como favorito. O nome ganhou força após o ex-diretor do Fed se encontrar com o presidente poucas horas antes do anúncio.

Ex-integrante da diretoria do banco central, Warsh tem sido um crítico contundente da atual condução da política monetária. Em agosto de 2025, em entrevista à CNBC, ele classificou como um "grande ponto negativo" a hesitação do Fed em reduzir os juros.

Durante sua passagem pelo Fed, entre 2006 e 2011, Warsh, no entanto, ficou conhecido pela defesa de uma política monetária mais dura. Analistas ouvidos pela EXAME ressaltam que ele já afirmou, no passado, que não existe crescimento econômico sustentável sem controle da inflação — visão interpretada como um sinal positivo pelo mercado.

Também são citadas suas críticas ao tamanho do balanço do Fed e ao prolongamento de políticas expansionistas, além da defesa do aperto quantitativo.

Warsh tem fortes laços familiares com o círculo de Trump

Mas é fora da arena estritamente econômica que o nome de Warsh ganha contornos políticos mais sensíveis. O indicado é casado com a filha de Ronald Lauder, herdeiro do império de cosméticos Estée Lauder e bilionário com fortuna estimada entre US$ 4,6 bilhões e US$ 4,7 bilhões, podendo já ter ultrapassado os US$ 5 bilhões, segundo algumas estimativas.

Lauder e Trump se conhecem há mais de seis décadas. Colegas de classe em uma escola de elite de Nova York nos anos 1960, mantiveram uma relação próxima ao longo da vida, que se estendeu para o campo político e de negócios.

Segundo o ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, foi Lauder quem apresentou a Trump, em 2018, a ideia de que os Estados Unidos deveriam comprar a Groenlândia.

Bolton, hoje um desafeto de Trump, relatou a veículos como The Guardian, Forbes e New York Times que foi chamado ao Salão Oval para ouvir a proposta de um rico executivo interessado no território ártico — o executivo era Lauder. A partir daí, a Casa Branca passou a discutir formas de ampliar a presença americana na ilha, pertencente à Dinamarca.

No segundo mandato de Trump, o tema voltou ao centro do debate, agora com tons mais duros. O presidente passou a flertar não apenas com a compra da Groenlândia, mas também com a possibilidade de anexá-la a qualquer custo, provocando tensões com aliados europeus e dentro da própria Otan.

Sogro de Warsh tem interesses comerciais na Groelândia

Apuração do The Guardian aponta que as sugestões de Lauder coincidem com seus interesses comerciais. Pouco depois de Trump intensificar suas ameaças contra a Groenlândia, o bilionário ampliou investimentos no território.

A região é estratégica por concentrar depósitos de terras raras fundamentais para tecnologias avançadas, além de petróleo, zonas de pesca e rotas marítimas que ganham relevância com o derretimento do gelo no Ártico.

Em coluna publicada no New York Post, Lauder defendeu abertamente a proposta de Trump. "O conceito de Trump para a Groenlândia nunca foi absurdo — era estratégico", escreveu, ao destacar o papel da ilha na disputa global por poder, tecnologia e segurança.

Como revelado no livro The Divider, dos jornalistas Peter Baker e Susan Glasser, do New York Times, Lauder investiu somas relevantes na Groenlândia por meio de uma empresa sediada em Nova York. Entre os projetos estão a exportação de "água de luxo" e iniciativas ligadas à geração de energia hidrelétrica para alimentar a produção de alumínio.

Diante das tensões no território autônomo do Reino da Dinamarca, o primeiro-ministro da Groenlândia orientou a população a manter kits de emergência abastecidos, incluindo água potável, alimentos não perecíveis e até armas de caça com munição. A recomendação gerou apreensão entre os cerca de 56 mil habitantes da ilha.

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