O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (Valter Campanato/Agência Brasil)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 24 de junho de 2026 às 13h30.
Última atualização em 24 de junho de 2026 às 13h37.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu nesta quarta-feira, 24, que o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deixe o cargo para se defender após ser alvo de operação da Polícia Federal (PF). O senador deve se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira para definir se seguirá na liderança.
"É uma avaliação que o presidente Lula vai fazer, mas eu optaria em substituir", afirmou Marinho.
A jornalistas, Marinho disse que demonstrou solidariedade a Jaques, mas sugeriu que o parlamentar avaliasse deixar a liderança do governo no Senado para se defender.
A PF apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no extinto Master. A investigação envolve o recebimento de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,4 milhões e de repasses que somam R$ 3,5 milhões por meio de empresas ligadas a familiares. O senador tem resistido a deixar a liderança do governo e negado que tenha atuado em favor do banco ou tenha cometido irregularidades.
Questionado sobre o assunto, o ministro Marinho, que é petista e próximo de Lula, disse que não sabe se o senador vai permanecer na liderança.
"Torço para que de fato não tenha nada em relação ao Wagner. É uma pessoa que a gente gosta e respeita muito e tem uma atuação exemplar no Senado. Mas outro dado é se ele continua ou não na liderança. São coisas completamente diferentes e tem momentos em que a pessoa tem que deixar sua posição para se defender e ter mais condições de atuar do que ficar na posição que está exercendo", disse Marinho.
"De repente, se justifica deixar a liderança e o presidente nomear outra liderança, mas quem vai decidir isso é o presidente numa conversa com o líder Jaques Wagner", afirmou o ministro.
Marinho ressaltou que o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já afirmou que Jaques não atuou no Congresso a favor do Master e disse que ligou para Jaques Wagner um dia depois da operação da PF, na semana passada.
"Liguei para o Jaques no dia posterior para prestar minha solidariedade porque eu sei que ele sofreu uma devastação nas suas contas em 2018 muito parecida e depois se comprovou que não passava de ilações", salientou Marinho, em referência a uma investigação anterior, por supostas irregularidades em contratos da Arena Fonte Nova. Na ocasião, a investigação foi arquivada por falta de provas.