7 de setembro: Flávio Bolsonaro e aliados marcam ato na Avenida Paulista, em SP (PABLO PORCIUNCULA/AFP /Getty Images)
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Publicado em 7 de setembro de 2026 às 00h03.
O 7 de Setembro marca a Independência do Brasil, proclamada em 1822, e é tradicionalmente celebrado com desfiles cívico-militares em todo o país. A data, no entanto, tem um segundo significado: é um termômetro político, palco de grandes manifestações de rua organizadas pelos governantes e candidatos à presidência.
Em 2026, ano de eleição presidencial, o feriado deve repetir esse roteiro. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, está organizando um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com concentração marcada para as 15h.
A ideia é reproduzir a estética das mobilizações que marcaram os atos de Jair Bolsonaro, com militantes vestidos de verde e amarelo, e usar a força das ruas para reforçar a candidatura do filho do ex-presidente.
O evento em São Paulo já vinha sendo articulado pelo PL havia semanas como demonstração de força da direita, mas ganhou peso adicional depois que vieram à tona apurações da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Para a campanha de Flávio, o 7 de Setembro se tornou uma oportunidade de concentrar esforços simbólicos e políticos num único dia: consolidar a imagem de herdeiro do bolsonarismo e, ao mesmo tempo, pautar o debate público em torno das críticas ao Supremo.
Nos últimos dias, uma série de políticos e lideranças religiosas de direita passou a divulgar, em vídeos nas redes sociais, convocações para o ato na Paulista. Entre os nomes que confirmaram participação ou fizeram a divulgação estão:
O discurso construído para o 7 de Setembro deve girar em torno de alguns eixos centrais.
Ataques ao STF e a Alexandre de Moraes. Esse deve ser o ponto alto do ato.
Segundo fontes da campanha ouvidas pela CNN Brasil, a intenção é transformar a data em uma espécie de "dia D" de críticas ao ministro, aproveitando a repercussão das apurações da PF sobre a relação dele com Daniel Vorcaro.
Documentos analisados pela Polícia Federal mostram troca de mensagens entre os dois, encontros pessoais e a participação de Moraes na negociação de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Nas redes, Nikolas Ferreira já vem chamando o feriado de "o dia em que o Brasil vai parar os intocáveis".
Essa ofensiva, porém, não é unânime dentro do PL.
Uma ala do partido defende cautela nos discursos, já que o próprio Flávio Bolsonaro também é investigado por sua relação com Vorcaro: mensagens e documentos apreendidos pela PF colocaram sob suspeita negócios do candidato ligados ao caso Banco Master.
Por isso, a orientação para os oradores do ato é administrar o tom das críticas, para não abrir flanco contra o próprio candidato.
Custo de vida, juros e crítica ao governo Lula. As convocações para o ato também citam o cenário econômico como bandeira central: encarecimento do crédito, juros altos e o que os organizadores chamam de perseguição política.
Tarcísio de Freitas tem reforçado esse discurso em agendas recentes, ao classificar a mobilização de 7 de Setembro como um "movimento de virada" e associar o momento econômico a uma sequência de recuperações judiciais e dificuldades financeiras de grandes redes de varejo, do setor de bebidas ao alimentício.
Na convocação que fez para seus seguidores, o próprio senador descreveu o 7 de Setembro como uma chance de "resgatar o Brasil".